Enquanto marcas como Bajaj, KTM, Triumph Motorcycles, CFMoto e Royal Enfield dominaram o novo boom das motos de média cilindrada com motores simples e acessíveis, a Honda reage com uma aposta ousada: o retorno das 400 cc de quatro cilindros, recuperando uma arquitetura clássica para disputar espaço em um dos segmentos que mais crescem no mundo.
Nos últimos anos, especialmente após o período da pandemia, o mercado mundial de motocicletas passou por uma mudança silenciosa, mas significativa. A faixa intermediária — entre 350 cc e 450 cc — ganhou enorme relevância comercial e estratégica para diversas fabricantes. O movimento foi puxado principalmente por marcas como Bajaj, KTM, CFMoto, Triumph Motorcycles e Royal Enfield, que investiram pesadamente em novos projetos nessa cilindrada. Agora, as japonesas começam a reagir — e a Honda Motor Company acaba de indicar que pretende entrar com força nesse território com uma nova geração de motos de 400 cc e quatro cilindros.

A ascensão global das motos de 400 cc
A lógica por trás do crescimento desse segmento é relativamente simples. Em muitos mercados, motociclistas passaram a buscar modelos que entreguem mais desempenho e sofisticação que as motos de entrada, mas sem chegar ao custo elevado das máquinas de média e alta cilindrada.
Essa tendência se intensificou nos últimos anos. Em países da Ásia, Europa e América Latina, a procura por motos entre 350 cc e 450 cc cresceu rapidamente, levando fabricantes a ampliar suas ofertas nesse intervalo.

O sucesso comercial de projetos recentes comprova isso. Parcerias industriais, como a colaboração entre Bajaj – KTM – Triumph, resultaram em modelos de 400 cc que rapidamente ganharam espaço no mercado, estimulando uma disputa direta com marcas já consolidadas nesse segmento.
No Brasil, esse movimento também ficou evidente. Nos últimos anos, motos de cilindrada intermediária passaram a atrair consumidores que antes migravam diretamente das 250/300 cc para motos acima de 600 cc.
As japonesas chegam mais tarde à disputa
Curiosamente, enquanto marcas indianas e europeias aceleravam seus investimentos nessa faixa, as tradicionais fabricantes japonesas pareciam observar o fenômeno com certa cautela.


Isso começa a mudar agora. A Honda revelou recentemente novos projetos equipados com motores quatro cilindros de cerca de 400 cc, recuperando uma arquitetura mecânica que já foi marca registrada da indústria japonesa nas décadas de 1980 e 1990.
Entre os modelos apresentados estão versões modernas da clássica Honda CB400 Super Four e também uma esportiva baseada na plataforma Honda CBR400R Four, ambas exibidas em eventos recentes no Japão.
Essas motocicletas utilizam um novo motor quatro-cilindros em linha, com cerca de 399 cm³, desenvolvido para atender regulamentações específicas de mercados asiáticos que favorecem modelos abaixo de 400 cc — mas com potencial de expansão global.

O retorno de uma arquitetura lendária
A decisão da Honda tem também um forte componente simbólico. As motocicletas de quatro cilindros e pequena cilindrada fizeram enorme sucesso nas décadas passadas, especialmente no Japão. Um dos exemplos mais icônicos foi justamente a CB400 Super Four, produzida entre 1992 e 2022, equipada com motor DOHC de quatro cilindros e cerca de 399 cc.
Esse tipo de motor oferece características muito valorizadas por entusiastas:
- funcionamento extremamente suave
- rotações elevadas
- entrega de potência linear
- ronco único, alinhado ao de motores de maior cilindrada


Trazer essa configuração de volta para o segmento intermediário pode ser uma forma de diferenciar os produtos japoneses em um mercado que atualmente é dominado por motores mono ou bicilíndricos.
Estratégia para um novo cenário
Mais do que nostalgia, o retorno da Honda aos motores quatro cilindros de 400 cc parece ser parte de uma estratégia maior. A marca busca reposicionar seu portfólio intermediário diante da ofensiva de fabricantes que ganharam força global com produtos competitivos e preços agressivos.
Se confirmada a produção em larga escala desses novos modelos, a Honda poderá redefinir o patamar tecnológico da categoria — oferecendo uma alternativa mais sofisticada em um segmento que vem crescendo rapidamente.

Para o mercado global — e também para o brasileiro — isso pode significar o início de uma nova fase: a era das motos de média cilindrada compactas, mas com engenharia digna de máquinas maiores, entretanto, é preciso termos em mente que nossa insana carga de impostos pode tornar o preço destas motocicletas inviável aqui nestes trópicos.
Mas o que você acha disso? Quanto acha que estas novas motos da Honda deveriam custar para serem competitivas frente às concorrentes?


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