Big aventura – Pantanal Matogrossense

Grupo de motociclistas desbrava o Pantanal Matogrossense para descobrir seus encantos e desafios com suas Big Trails

Texto: Egon Jenckel
Fotos: Trinity Ronzella/Rafa Goes

O  Pantanal é uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta e está localizado no centro da América do Sul, na bacia hidrográfica do Alto Paraguai. Sua área é de 138.183 km² área no Brasil, com 65% de seu território no estado de Mato Grosso do Sul e 35% no Mato Grosso. A região é uma planície aluvial influenciada por rios que drenam a bacia do Alto Paraguai, onde se desenvolve uma fauna e flora de rara beleza e abundância, influenciada por quatro grandes biomas: Amazônia, Cerrado, Chaco e Mata Atlântica. Pelas suas características e importância, esta área foi reconhecida pela Unesco, órgão da ONU, no ano 2000, como Reserva da Biosfera, por ser uma das mais exuberantes e diversificadas reservas naturais da Terra.

O rio Paraguai e seus afluentes percorrem o Pantanal, formando extensas áreas inundadas que servem de abrigo para muitos peixes, como pintado, dourado, pacu, e também de animais como jacarés, capivaras e ariranhas, entre outras espécies. Muitos animais ameaçados de extinção em outras partes do Brasil ainda possuem populações vigorosas na região pantaneira, como o cervo-do-pantanal, a capivara, o tuiuiú e o jacaré. O Pantanal tem como principais cidades Corumbá, Aquidauana e Miranda.

IMENSIDÃO

Essa imensa planície que abrange Brasil, Argentina, Bolívia e Paraguai tem algumas características próprias e bem interessantes. Para conhecê-la melhor, em cima de uma moto, o ideal é ir em seu período de seca, durante os meses de julho a setembro. Vale lembrar que, mesmo considerado “seco”, o Pantanal continua com muita água enchendo suas terras. E nesse ano não foi diferente e nos meses de maio e junho as águas encheram as baías e deram início ao processo que se repete ano a ano. Os rios se nivelaram com as lagoas e tudo por lá virou um “mar”. Depois, com as águas baixando no período da “seca”, formaram-se dezenas de lagoas que deram continuidade à vida, mantendo a cadeia alimentar equilibrada.

ÉPOCA CERTA

Por isso, é muito importante saber a melhor época para conhecer o Pantanal. Se está muito seco, as lagoas secam e peixes, jacarés e patos, desaparecem, levando seus predadores para outros lugares. Se está muito cheio, é impossível seguir por terra, pois estradas, aterros e pontes ficam submersos. Assim sendo, a melhor época para explorar a região de moto é quando o Pantanal está “baixando”. No entanto, se você não conhecer bem e não souber monitorar o nível das águas, poderá perder a viagem.

ROTEIRO

Sabendo disso tudo, um grupo de motociclistas traçou um roteiro e o percorreu a bordo de motos Big Trail. E como o espírito dessas motos é a aventura, não podia ser feito um roteiro muito simples e fácil. Desta forma buscou-se algo com mais dificuldades, para que a viagem fosse lembrada como uma conquista. Assim, muita estrada de terra, longos trechos de areia, pilotagem à noite, travessias de água e lama, trilhas de gado e pastagem, foram os tipos de solo encontrados, isso tudo regado a muito sol, calor e bem longe de qualquer traço de asfalto.

Para deixar tudo mais bacana, durante o  trajeto, inúmeras foram as surpresas encontradas e surgiram animais como tamanduás-bandeira, cobras, tuiuiús, colhereiros, emas, tatus, porcos-monteiro, catetos, veados, capivaras, araras azuis,  jacarés, lobinhos, tucanos, dentre inúmeros outros animais e que foram avistados em seus habitats naturais e a poucos metros de distância.

UM DIA DA VIAGEM

Com motos Big Trail acima de 650cc e de diversas marcas, os motociclistas marcaram seu encontro e partiram de Campo Grande (MS). Primeiramente seguiram 150 quilômetros por vias asfaltadas e depois por estrada de terra, passando por pontes, bifurcações e estrada em manutenção. Depois disso entraram em um aterro, onde começou a aventura. Esse aterro é na verdade uma estrada de terra elevada, construída justamente para não ser engolida pela cheia do Pantanal. Esses aterros garantem o acesso a alguns lugares antes isolados pelas águas. Em outros lugares, somente é possível chegar de avião ou, quando as águas baixarem por completo.

A areia esteve presente em vários pontos deste aterro, em grande quantidade, muitas vezes obrigando os motociclistas procurarem lugares com mais vegetação e solo mais compactado, onde a água já havia secado e assim pilotarem com mais tranquilidade. Tudo isso sob um um céu limpo, sob muito sol  e poeira presente o tempo inteiro.

Depois de muitos quilômetros de aterro, chegou a hora de seguir por estradas que cortam as fazendas. Foram então aproximadamente 50 quilômetros nessas estradas que, apesar de planas, também eram marcadas por muita areia. Em meio a isso surgiam diversas áreas alagadas, as quais também tinham de ser transpostas. Eram pontos em que a água ainda não havia escoado por completo e formavam um banhado que cobria a estrada. Nem sempre era possível desviar e os motociclistas era obrigados a atravessar esses trechos com suas máquinas. A profundidade não era problema, pois os aventureiros sempre checavam e buscacam a parte mais rasa para evitar algum imprevisto. Mas a coisa não era tão simples assim, pois na maioria desses trechos, em seu fundo forma-se um barro que torna tudo mais difícil e escorregadio, tornando o atolar/desatolar uma atividade frequente.

ESPÍRITO DE EQUIPE

O espírito de equipe nessa hora foi fundamental para evitar desgastes físicos desnecessários e manter o grupo unido e só então seguir adiante.

Com os trechos de areia, somados às travessias de água e lama, o nosso ritmo da viagem diminuiu bastante e, depois de um belíssimo por-de-sol, a noite chegou… Mas faltavam ainda 14 quilômetros a serem percorridos até a pousada que acolheria o grupo nesse dia de viagem. Se já era difícil com a luz do dia, imagine à noite! Limitado ao facho de luz do farol, quando os motociclistas chegavam em uma área alagada o jeito era botar em uso as lanternas e, a pé, procurar os caminhos que desviavam da lama/água. Mas nem sempre era possível. Fora isso, saber que estavam no meio do Pantanal, à noite, caminhando em áreas alagadas e selvagens, depois de ver jacaré para todo lado durante o dia era, no mínimo, emocionante. Assim, com a adrenalina em alta e depois de muitas desatoladas, risadas, “conflitos de ideias”, cansaço, fome e sede, o grupo chegou ao seu destino, por volta das 22h. Lá foram recebidos com um belo jantar, seguido de um confortável banho e uma maravilhosa cama, para uma boa e merecida noite de sono.

Nos dia seguinte o grupo continuou sua exploração pelo Pantanal, seguindo rumo a uma nova localidade e pousada, explorando e vivenciando as belezas da região e também experimentando suas agruras. Mas sempre com muito bom humor. Desta forma, os dias se passaram rapidamente. Ao fim do tour alguns participantes deram sua opinião.

Carlos Eduardo Moraes, que viajou com uma BMW 1200 GS disse: “Adorei tudo!

Jamais teria a oportunidade de andar de moto no meio de cobras, jacarés, capivaras e tuiuiús. Cansei, pedalei, ralei, mas venci, claro que graças a todos os companheiros que davam força uns aos outros. Já estou pronto para próxima aventura!”. Outro motociclista, Everson Morais, que viajou a bordo de BMW F800 GS falou: “A viagem foi maravilhosa e certamente não precisarei usar a imaginação para falar de uma aventura para meu filho! Valeu cada quilômetro rodado”, declarou.

COMO FAZER

Ao montar um roteiro pelo Pantanal é indispensável a presença de um guia que conheça a região, para evitar estradas erradas, pois o tempo todo se anda em caminhos sem placas e com algumas bifurcações.

As motos devem ser equipadas com pneus de off-road e, de preferência, com pouca ou nenhuma bagagem, para ficarem mais leves. Espelhos e para-brisa podem ser retirados, pois podem ferir o motociclista em uma eventual queda. Um carro de apoio para levar combustível, bagagem e um ajudante é muito bem-vindo pois existem porteiras de vários tipos para abrir/fechar e se a moto atolar, é sempre bom ter mais alguém para entrar na lama e ajudar. O carro de apoio pode levar bebidas e comidas para os trechos de deslocamento, mantendo com isso a energia de todos em alta.

Uma boa pedida, principalmente na hora do sol quente, é dar uma pausa em alguma sombra que encontrar e repor a energia gasta, bem como dar uma trégua para as motocas esfriarem, pois a temperatura sobe muito.

CASA NO PANTANAL

Todo o percurso é feito dentro de propriedades particulares e, algumas vezes, se passa pela casa de moradores locais. Essas pessoas são muito solícitas e simpáticas, tendo sempre um tempinho para uma prosa muito agradável, acompanhada de uma roda de téréré, tipico na região. Normalmente saem crianças atraídas pela curiosidade de ver aquele “cavalo mecânico”, um choque de realidades.

DICAS

-Leve um kit de remendo de pneu e uma bomba para encher.

-Deixe no carro de apoio óleo de motor para uma eventualidade.

-Certifique-se que sua caixa de ferramentas tenha as chaves principais para um eventual uso, como a troca de óleo ou conserto de pneu.

-Antes de passar por água ou lama, vá a pé primeiro para avaliar o melhor caminho.

-Leve gasolina reserva.

-Uma bolsa para hidratação é fundamental durante o percurso.

A MOTO DESTA VIAGEM

Usamos a nova BMW R1200 GS Adventure nessa viagem. É uma moto que chama atenção pelo seu tamanho e visual mas, quando se está no comando dessa máquina, é onde nossos sonhos se realizam! Feita para a aventura, sua autonomia é uma tranquilidade e sua força uma grande ajuda. Passamos por areia, atravessamos água, entramos na lama, e a GS sempre firme. No deslocamento de asfalto o piloto automático foi de grande ajuda e conforto, juntamente com o fácil ajuste do para-brisas.

Muitos falam do tamanho dessa moto, que realmente é grande, mas, durante a pilotagem e passado o período de adaptação, é quando ela se mostrou “normal”, passando nos mesmos locais por onde passavam as “menores”.

As várias opções de pilotagem foram usadas de acordo com as necessidades, tornando a moto adaptável a qualquer situação de pilotagem e terreno.

Nesse roteiro, foi a única moto a fazer o roteiro de terra sem precisar de abastecimento, um grande diferencial para os aventureiros.

Sem dúvida, conviver com essa máquina dá a sensação de não ter limites, de poder alcançar qualquer ponto do planeta! Incrível!

ONDE FICAR

Em Presidente Epitácio (SP)

Pousada Orla do Sol. Tel. (018) 3281-3646.

www.orladosolpousada.com.br

Em Campo Grande (MS)

Bristol Exceler Plaza Hotel. Av. Afonso Pena, 444, Campo Grande (MS) . Tel.(67) 3312-2800.

www.bristolhoteis.com.br

No Pantanal

Hotel Fazenda Baía das Pedras

www.baiadaspedras.com.br

ONDE COMER

Em Campo Grande(MS)

Churrascaria e Costelaria Gaucho Gastão. Tel. (67) 3028-4326.

Rua Dr. Zerbini, 38.

www.gauchogastao.com.br

Guaraná Energia Natural. Tel. (67) 3382-5901.

Serve sucos, lanches e açaí. Fica na rua Sete de Setembro, 1834, Centro.

AGRADECIMENTOS

A todos que participaram dessa aventura inesquecível: BMW do Brasil, Rafa Goes, Fernandão, Beto, Dudu, Everson, Rafael, Renato, Rogério, Marcão e Índio.

GUIA E ORGANIZADOR DESTA VIAGEM

Peguestrada Tel. (11) 98339-4201

Para mais informações acesse: www.5os.com.br/peguestrada

SAIBA MAIS

Acesse www.motoadventure.com.br e saiba mais sobre viagem, assista aos vídeos e veja mais fotos.

*Matéria publicada na edição #165 da revista Moto Adventure.

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