O Enduro das Águas, competição que ocorreu na cidade de Curupira (PE), foi um sucesso de público e movimentou a região. Um dos destaques foi o piloto Tallys Nathan, de apenas 18 anos, que ganhou a prova abrindo uma bela distância para o segundo colocado

TEXTO E FOTOS: LUCIANA ÁVILA

A paisagem amarelada e árida, como aquelas que vemos nos filmes de seca no Nordeste, ganhou pinceladas coloridas. Eram as motos que chegavam nas primeiras horas da manhã de domingo, dia 25 de novembro de 2018, ao terreno preparado para receber um dos mais tradicionais eventos off-road da região. O Enduro das Águas teve sua 19ª edição na cidade de Cupira (PE), a 170 km de Recife.

A cidade, que tem uma população estimada pelo IBGE em pouco mais de 24 mil pessoas, foi em peso ver as provas de perto. Quando digo “em peso”, me refiro a quase toda a cidade, já que, segundo a organização, o público presente chegou a 20 mil pessoas. Um sucesso estrondoso para o município de Cupira, que, antes do Enduro, nunca teve vocação off-road.

Tudo começou em 1987, quando Albênio Teixeira – funcionário do Banco do Brasil que fora transferido de Alagoas para Pernambuco – resolveu chamar uma dezena de amigos para fazer uma competição de moto às margens do Rio Panelas, que corta a cidade. As provas sempre passavam pelas águas do rio – daí o nome “Enduro das Águas”. Aliás, preciso contar a vocês que Albênio Teixeira é o meu pai! Graças à sua paixão pelo motociclismo, também sou devotada a esse esporte. Competi em três edições do Enduro (duas vezes fiquei em primeiro lugar e outra vez, em segundo) e sou testemunha de como o evento marcou época na cidade.

PRIMEIRAS ARRANCADAS

As primeiras edições eram no estilo “Hard Enduro”, quando ainda não se falava dessa modalidade. Obstáculos naturais, com muita areia, pedras e, principalmente, lama. Era um sofrimento para os pilotos desavisados e uma grande diversão para quem assistia. Nos trechos de lamaçal, o festival de tombos era grande. A largada também impressionava, com mais de 100 motos passando pelo start gate ao mesmo tempo. Várias categorias largavam ao mesmo tempo em duas baterias de uma hora, cada.

Nossa família mudou de cidade, o evento mudou de mãos e ganhou estilo diferente. Entre 2013 e 2017, a competição não foi realizada. Este ano, sob o comando do Tita Cross, a festa voltou com força total e, agora, faz parte do calendário oficial de festas de Cupira. Na última edição, foram 12 categorias largando separadamente, divididas em baterias de 30 minutos.

O destaque foi Tallys Nathan (equipe Yamaha Geração), de apenas 18 anos. Bicampeão brasileiro (MX 2 junior), o piloto da Yamaha foi a sensação na categoria especial Força Livre do Enduro das Águas. Ele ganhou com 40 segundos de diferença em relação ao segundo colocado. Outro destaque foi a equipe Banda Calixto Team, dos pilotos Beto Ávila, campeão alagoano de Rally Prime, e Calixto Jr., campeão alagoano de Rally Baja. “Foi tudo do jeitinho que a gente merecia, estou muito feliz com tudo”, disse, orgulhoso, Tita Cross.

Para mim (que, atualmente, moro no Rio de Janeiro e não voltava ao Enduro das Águas há mais de 10 anos), pisar ali foi uma mistura de sensações. Adorei ver como esta festa continua a levar o ronco dos motores e alegria para a região, agora, com mais alguns atrativos, como as provas de Jeep Cross, que aconteceram no sábado. Também fiquei feliz em ver que certas coisas não mudam com o passar do tempo: a cara suja de lama dos pilotos, que sempre saem do Enduro de alma lavada.

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