À frente do maior encontro de motociclistas da América Latina, Pedro Franco revela como o Capital Moto Week chega à edição de 2026 ainda mais estruturado, sem abrir mão da cultura biker que transformou o festival em uma referência internacional.
O Capital Moto Week deixou de ser, há muito tempo, apenas um encontro de motociclistas. Consolidado como o maior festival do gênero na América Latina, o evento chega à edição de 2026 ampliando sua estrutura para 400 mil metros quadrados na Granja do Torto, em Brasília, mas mantendo intacta a filosofia que o acompanha desde a primeira edição.
Para Pedro Franco, CEO do festival, o crescimento alcançado é motivo de orgulho, mas também de responsabilidade. Nesta entrevista ele trata deste e de outros assuntos relevantes para todos os amanetes do maior enocntro de motociclistas da América Latina.

Revista Moto Adventure: Pedro, o Capital Moto Week alcançou o status de maior encontro de motociclistas da América Latina e, a cada edição, parece ultrapassar seus próprios limites. O que representa, pessoalmente e profissionalmente, chegar a este momento de maturidade do evento?
Pedro Franco: É uma mistura muito grande de orgulho, gratidão e responsabilidade. Quando olhamos para tudo o que o Capital Moto Week se tornou, enxergamos uma história construída por milhares de pessoas: nossa equipe, os motociclistas, os motoclubes e motogrupos, os parceiros, os artistas, os fornecedores e o público que escolheu fazer parte dessa estrada.
Profissionalmente, chegar a esse nível de maturidade significa entender que já não produzimos apenas um grande festival. Nós movimentamos uma cadeia econômica, turística, cultural e social muito importante. Recebemos pessoas de todo o Brasil e de diversos países, geramos oportunidades e projetamos Brasília para o mundo.
Pessoalmente, é emocionante perceber que aquela paixão que nos colocou na estrada se transformou em um patrimônio afetivo para tantas pessoas. Mas maturidade não significa acomodação. Pelo contrário: quanto maior o Capital Moto Week se torna, maior é a nossa responsabilidade de continuar avançando, inovando e cuidando da experiência de quem confia em nossa entrega.

Revista Moto Adventure: A edição 2026 traz uma expansão importante da Cidade da Moto, que passa a ocupar 400 mil m² na Granja do Torto. Quais foram os principais investimentos realizados na estrutura e de que maneira essa ampliação vai melhorar a experiência de quem viaja milhares de quilômetros para viver o Capital Moto Week?
Pedro Franco: Essa ampliação não acontece simplesmente para que o festival fique maior. Ela acontece para que a experiência seja melhor. Quando falamos em 400 mil m², estamos falando de mais espaço para circulação, experiências, entretenimento, ativações e gastronomia.
Os investimentos foram pensados para ampliar a capacidade da Cidade da Moto com organização, segurança e conforto. Trabalhamos em melhorias de infraestrutura, acessos, áreas de permanência, sinalização, mobilidade interna, camping e glamping, atendimento, acessibilidade universal e operação.
Sabemos que muitas pessoas percorrem milhares de quilômetros para chegar ao Capital Moto Week. Para elas, o festival começa muito antes da entrada pelos portões. Começa no planejamento, na preparação da moto, no encontro com os amigos e na estrada. Nossa obrigação é fazer com que, ao chegarem a Brasília, encontrem uma cidade preparada para recebê-las.

Revista Moto Adventure: O Capital Moto Week deixou há muito tempo de ser apenas um encontro de motociclistas para se tornar uma verdadeira cidade temporária, com shows internacionais, experiências de marca, gastronomia, comércio, áreas de convivência e entretenimento. Como vocês conseguem equilibrar esse crescimento sem perder a essência e a cultura motociclista que deram origem ao evento?
Pedro Franco: Existe uma premissa que orienta todas as nossas decisões: a motocicleta e o motociclista sempre estiveram no centro das decisões do festival e da marca Capital Moto Week.
O festival cresceu, incorporou novas experiências, recebeu grandes marcas, ampliou sua programação e passou a dialogar com públicos muito diversos. Isso é positivo e faz parte da evolução da nossa evolução. Mas tudo precisa conversar com a nossa origem.
A cultura motociclista está na liberdade, na estrada, no companheirismo, na diversidade, na coragem e no respeito. Esses valores não estão apenas na programação ou na cenografia. Eles estão na forma como recebemos as pessoas e construímos nossas relações.
O Capital Moto Week pode receber uma família que está conhecendo o festival pela primeira vez, um fã de rock, um turista estrangeiro ou alguém que atravessou o Brasil em duas rodas. Todos são bem-vindos. Mas quem deu origem a essa história precisa continuar se reconhecendo nela.
Não vamos crescer para longe das nossas raízes. Crescemos a partir delas.

Revista Moto Adventure: Os motoclubes sempre foram um dos pilares do Capital Moto Week. São mais de 1,8 mil grupos vindos de diversas regiões do Brasil e de outros países. Como é o trabalho de relacionamento com essa comunidade e qual a importância dela para a identidade do festival?
Pedro Franco: Os motoclubes e também motogrupos não são apenas convidados do Capital Moto Week. Eles são parte da construção e da identidade do festival. São os nossos moradores!
Esse relacionamento acontece durante todo o ano, por meio de diálogo, escuta e presença. Precisamos compreender as necessidades de quem está na estrada, acompanhar as transformações dessa comunidade e manter canais permanentes de aproximação.
Eles carregam valores muito importantes, como fraternidade, respeito, solidariedade e companheirismo. São grupos com histórias, tradições e identidades próprias, que encontram no Capital Moto Week um grande ponto de convergência.
Quando vemos coletes de diferentes cidades, estados e até países convivendo dentro da nossa Cidade da Moto, entendemos a dimensão desse movimento. O festival se torna um território de reencontros, novas amizades e celebração das diferenças.
Sem estes clubes e grupos, o festival poderia até ser um grande evento, mas não seria o Capital Moto Week.

Revista Moto Adventure: Uma das experiências mais marcantes do evento é o camping, onde muitos motociclistas passam dias vivendo intensamente o espírito do festival. Quais são as novidades e a estrutura preparada para receber quem escolhe transformar o Capital Moto Week em uma verdadeira casa sobre duas rodas?
Pedro Franco: O camping representa uma das experiências mais autênticas do Capital Moto Week. Quem se hospeda dentro da Cidade da Moto não vem apenas para assistir a um show. Vem para viver o festival durante 24 horas, criar vínculos e compartilhar histórias. É a experiência completa de viver na nossa cidade.
Como já acontece em encontros motociclísticos em todo o Brasil, o nosso tradicional Camping Viking mantém essa experiência mais livre e raiz, com espaços completamente gratuitos, enquanto o Complexo Camping Ville oferece uma alternativa para quem procura uma estrutura já preparada, por meio de reserva, com espaços para montar barracas ou estruturas já prontas equipadas para chegar e descansar. Isso diminui a bagagem e aumenta o conforto.
A expansão constante da Cidade da Moto também nos permite aperfeiçoar essa operação, com mais organização, áreas de apoio, segurança, serviços e melhores condições de permanência.
Queremos que o motociclista que viajou durante dias encontre no festival um lugar onde possa descansar, cuidar da sua moto, reencontrar os amigos e se sentir em casa. Mesmo que essa casa tenha rodas, barracas e muito rock ao redor.

Revista Moto Adventure: O line-up de 2026 reúne mais de 100 shows, incluindo nomes nacionais e internacionais. Qual é a filosofia por trás da curadoria musical do Capital Moto Week e como o rock continua sendo um elemento fundamental na construção da identidade do evento?
Pedro Franco: O rock é a trilha sonora da estrada, a nossa trilha sonora. E faz parte da identidade do Capital Moto Week desde o início. Ele representa liberdade, atitude, contestação e autenticidade. São valores que também estão muito presentes no motociclismo.
Nossa curadoria busca reunir grandes nomes nacionais e internacionais, artistas consagrados, novas gerações e a força da produção regional. Mais do que montar uma sequência de shows, queremos construir uma jornada musical ao longo dos dez dias de festival.
Também entendemos o rock como um universo amplo. Ele dialoga com diferentes estilos, gerações e movimentos. Essa pluralidade permite que o público tenha grandes encontros, faça descobertas e viva experiências que talvez não encontrasse em outro lugar.
Não é uma mera coincidência que o nosso line-up de 2026 reúna diferentes gerações do rock, colocando no mesmo festival artistas que ajudaram a construir essa história, nomes que mantêm o gênero vivo há décadas e novas bandas que apontam para o futuro. Esse encontro mostra que o rock não pertence a uma única época: ele se renova, atravessa gerações e continua inspirando novos públicos. É a prova de que essa estrada já é longa, mas ainda tem muito caminho pela frente.
O line-up precisa ser grandioso, mas também precisa ter alma. O artista pode subir ao palco diante de milhares de pessoas, mas o que realmente importa é a conexão que acontece entre aquela música, aquele público e aquele momento.

Revista Moto Adventure: O Capital Moto Week também se consolidou como uma vitrine estratégica para a indústria motociclística, reunindo fabricantes, marcas de equipamentos, acessórios e serviços. Como você avalia o papel do evento no desenvolvimento do mercado de duas rodas no Brasil e na América Latina?
Pedro Franco: O Capital Moto Week reúne, em um mesmo ambiente, a indústria, o comércio, os apaixonados por motocicletas e pessoas que estão começando a se aproximar desse universo. Essa combinação transforma o festival em uma plataforma estratégica para todo o mercado de duas rodas.
Aqui, as marcas conseguem apresentar produtos, tecnologias e conceitos diretamente para um público altamente interessado e participativo. Mais do que exposição, existe experimentação, relacionamento e troca de informações.
O consumidor conhece lançamentos, compara soluções, conversa com especialistas e compartilha sua percepção. Ao mesmo tempo, as empresas conseguem compreender melhor os desejos e as transformações dessa comunidade.
O festival também ajuda a ampliar a cultura motociclística, movimentando setores como turismo, hospedagem, alimentação, vestuário, equipamentos, manutenção, acessórios e serviços.
Nosso papel é contribuir para que esse ecossistema cresça de maneira sólida, responsável e conectada com as pessoas que realmente vivem o motociclismo.
Revista Moto Adventure: Um evento desta dimensão envolve não apenas entretenimento, mas também responsabilidade ambiental e social. O CMW tem se destacado por iniciativas de sustentabilidade e inclusão. Como esses pilares foram incorporados à filosofia do festival e como eles evoluem a cada edição?
Pedro Franco: Sustentabilidade e inclusão não podem ser ações isoladas ou discursos que aparecem apenas durante o festival. Elas precisam fazer parte da maneira como planejamos, produzimos, contratamos, nos relacionamos e avaliamos nossos resultados.
Por isso, estruturamos nossos compromissos em diferentes frentes, como o CMW Por Todos, CMW Por Elas, Lixo Zero, Carbono Positivo, Academia de Produção Inteligente, Vila do Bem e as ações de relacionamento com a comunidade da Granja do Torto, a comunidade que recebe o festival.
Buscamos ampliar a acessibilidade, qualificar profissionais, fortalecer a participação das mulheres, reduzir impactos ambientais, destinar corretamente os resíduos, compensar emissões e gerar oportunidades para as comunidades próximas.
Sabemos que ainda existe muito a ser feito. O mais importante é compreender que esse é um processo permanente de evolução. A cada edição, avaliamos o que avançou, onde precisamos melhorar e quais novos compromissos devem ser assumidos.
Revista Moto Adventure: Em um mundo cada vez mais digital, onde as relações acontecem pelas telas, o Capital Moto Week parece valorizar justamente o encontro presencial, a estrada e a convivência entre pessoas que compartilham a mesma paixão. Qual você acredita ser o grande segredo dessa conexão emocional que o evento desperta nos motociclistas?
Pedro Franco: Acredito que o segredo está no sentimento de pertencimento.
No Capital Moto Week, as pessoas não vêm apenas para consumir uma programação. Elas vêm para fazer parte de alguma coisa. Vêm reencontrar amigos, contar histórias de estrada, conhecer pessoas, mostrar suas motos, ouvir música e viver momentos que não cabem completamente em uma tela.
A tecnologia é importante e nos aproxima durante todo o ano, mas nada substitui o abraço, a conversa ao lado da moto, o som de milhares de motores chegando juntos ou a emoção de uma música cantada por uma multidão.
A estrada também transforma a experiência. Quem percorre centenas ou milhares de quilômetros não chega da mesma forma que saiu. Cada viagem traz desafios, descobertas e histórias.
Talvez seja por isso que sempre dizemos que não somos o destino, somos estrada. O Capital Moto Week é um ponto de encontro, mas a verdadeira experiência é tudo o que acontece até chegarmos lá e tudo o que levamos conosco depois.
Revista Moto Adventure: Depois de tantos anos de crescimento e de consolidar o Capital Moto Week como uma referência internacional, qual ainda é o sonho de Pedro Franco para o futuro do evento? Existe um próximo degrau que você gostaria de alcançar?
Pedro Franco: Quem vive na estrada sabe que o mundo é gigante! O nosso sonho é continuar levando o Capital Moto Week cada vez mais longe, sem deixar para trás aquilo que nos trouxe até aqui.
Queremos ampliar a presença internacional do festival, fortalecer Brasília como um dos grandes destinos mundiais do motociclismo e fazer com que cada vez mais pessoas conheçam a dimensão cultural, econômica e social desse movimento.
Ainda temos muitas estradas para percorrer. E isso é o mais bonito. Mesmo depois de tudo o que construímos, continuamos com a mesma inquietação de quem sabe que pode avançar mais.
A gente não para. A gente avança!
Quer que eu gere isso também como um arquivo Word (.docx) já formatado para envio/publicação?




