Viajamos de São Paulo ao Rio de Janeiro a bordo da nova Honda Gold Wing, uma moto confortável e cheia de atrativos tecnológicos

TEXTO: CEZAR AUGUSTO DE OLIVEIRA

FOTOS: EDGAR KLEIN

Sou motociclista há anos e já rodei com motos de todos os tipos e cilindradas, encarando os mais variados climas e terrenos. Portanto, dificilmente algo me surpreende. A nova Gold Wing da Honda, porém, me proporcionou uma experiência diferenciada. Rodei com esta máquina (equipada com motor 1.8, dupla embreagem, 126 cavalos, air bag e sete marchas, entre outros atributos) em um test ride de São Paulo ao Rio de Janeiro, uma aventura cujos detalhes contarei a seguir.

O plano era conhecer o Salão Moto Brasil, evento dedicado ao público amante das motos. A princípio, eu iria com minha motocicleta na companhia do amigo Ronaldinho, parceiro de muitas jornadas. Dois dias antes da partida, recebi uma ligação da reportagem de Moto Adventure convidando-me para fazer um teste da Gold Wing. Confesso que pensei por quase meio segundo antes de responder: “É claro”!

RECONHECENDO O TERRENO

No dia seguinte, me dirigi à sede da editora pilotando minha scooter Honda Lead e a troquei pela Gold Wing. Imaginem minha situação! A versão 2019 desta “nave” está mais “esbelta” – pude sentir como está mais leve (369 kg) e fina –, mas mantendo a mesma qualidade e conformo de sua antecessora. Chave no contato? Que nada! A máquina conta com sensor de presença. Pedal de câmbio e manete de embreagem? Esses elementos também não existem!

Ao ligar e dar partida, não houve como controlar a emoção que os 6 cilindros “assoviando” causaram. Mas, antes de sair, tive que conhecer os comandos que, cá entre nós, não são poucos. São diversas as possibilidades de direção, suspensão eletrônica e botões. Mas tudo é muito intuitivo e relativamente simples. Em poucos minutos, você já pega o jeito!

Hora de sair! A moto estava no automático, então, foi como pilotar uma megamoto. Já na rua, o conformo se fez sentir: ela é macia – muito macia! Com a cautela que a situação exigia, rodei por ruas do bairro e, depois, por avenidas, até chegar à minha casa. A qualidade do som também é incrível e, com um pouco mais de confiança, arrisquei pegar alguns corredores. A moto se mostrou bastante maleável, pois, uma vez que o centro de gravidade é baixo, é fácil dar uma guinada no guidão em baixa velocidade.

Ao arrumá-la para pegar a estrada, tive acesso às suas bolsas, ambas largas e bem vedadas (110 kg). Vale ressaltar que a mala traseira diminuiu de tamanho, mas é capaz de acomodar muitas bagagens.

NA ESTRADA

No dia 01 de junho (um sábado), bem cedo e com o típico frio de início de inverno, partimos pela Rodovia Ayrton Senna, onde a moto efetivamente mostrou a que veio. Já operei a coluna, razão pela qual me preocupo muito com ela, mas, com a Gold Wing, não senti nada: ela “flutuava” no asfalto frio, com o som aumentando de acordo com a velocidade. E ao fundo – bem ao fundo –, os escapamentos zuniam suavemente.

Para quem sai de São Paulo no sentido Rio de Janeiro, o trajeto é via Rodovia Presidente Dutra, após a Ayrton Senna, ambas com pedágio, mas bem sinalizadas e asfaltadas. Ao longo do caminho fomos cruzando com irmãos motociclistas que ficavam extasiados com a “nave”. Parada, então, ela virava atração turística! Paramos para fotos, pois sua autonomia é de mais de 350 km (21 litros no tanque).

Chegando ao Rio de Janeiro, tivemos que encarar um trânsito pesado e, novamente, ela se desvencilhou pelo corredor com glamour e elegância até a Cidade Olímpica, onde foi realizado o evento. No domingo (02 de junho), retornamos, saindo da capital fluminense por volta das 7h sob frio e promessa de chuvas pela estrada. Nada que nos assustasse, pois ela também conta com o modo “Rain”, no qual a moto fica preparada para chuva. Já bem familiarizado, resolvi experimentar tudo o que essa Honda tem a oferecer e joguei a direção para o modo “Sport”: loucura total!

A moto já baixa duas marchas e começa a “roncar”, brava, instigando-nos a acelerar. O torque se torna bruto, e a acelerada, inacreditavelmente violenta! Este modo definitivamente não é para iniciantes, pois a motocicleta fica bastante arisca. Compensa a retomada, que é abrupta e nos faz chegar a velocidades estratosféricas em segundos.

Quando chegávamos a São Paulo, a chuva nos obrigou a mudar o modo de pilotagem. A máquina, então, ficou bem suave, mais “na mão” e controlável. Frio? Sim, mas ela também possui aquecedor de manoplas e de banco. Então, bastou subir o para-brisa (que, aliás, tem um mecanismo muito prático) e curtir o bom e velho Rock´n’Roll.

Se você precisar manobrá-la, basta acionar a marcha à ré no punho esquerdo. Problemas com subidas? Ela tem assistente de rampa – e também espelha seu smartphone na tela de 7’’. Resumindo: a nova Honda Gold Wing vale cada centavo que custa (preço sugerido: a partir de R$ 159.681,00). Quem a adquirir terá uma motocicleta e tanto, em todos os sentidos.

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