On The Road Brasil – Rio Grande do Sul – Três irmãos

Rio Grande do Sul

Eles foram ao Rio Grande do Sul conhecer a mais italiana das cidades brasileiras. E, de quebra, curtiram as emoções do Moto 1000 GP

Texto e fotos: Rui Bittencourt

”Viajar é investir em felicidade”, diz um sábio ditado. Cientes disso, três irmãos catarinenses – Rui, Nei e Genôvensio Bittencourt – planejaram uma viagem por cidades do Rio Grande do Sul. Ali, conheceram o município mais italiano do país, Antônio Prado. Saiba mais no relato de Rui Bittencourt.

PARA A ESTRADA!

De ouvidos atentos, captei o ronco suave da BMW 650 do meu irmão, Nei, parceiro de longa data e sempre pontual. Notei que o dia se tornara cinza, com nuvens carregadas no céu. Uma neblina cobria Florianópolis (SC) – e o que era uma fraca garoa se tornou uma chuva forte, obrigando-nos a reforçar nossas proteções.

Eu e minha Tiger 955 estávamos prontos para a estrada. O destino: a partir da capital catarinense, rumaríamos para o Estado do Rio Grande do Sul. A bordo de três motos, eu e dois irmãos conheceríamos a italianíssima Antônio Prado – onde foi rodado o filme “O Quatrilho” – e, depois, iríamos para Santa Cruz do Sul, onde, no autódromo de mesmo nome, assistiríamos às corridas da terceira etapa do Moto 1000 GP. Antes de chegarmos à estrada, mantendo uma tradição nossa, eu e Nei fizemos uma parada no Largo São Sebastião, para uma breve oração.

Já na Rodovia BR-101, a visibilidade era péssima. Mas nos animava o fato de que eram boas as perspectivas de melhora, à medida que íamos em direção ao sul. Rodamos pouco e paramos para um check-up geral e para um café. A situação exigia cuidados extras na pilotagem, principalmente pelo embaçar das viseiras. Refeitos, tocamos direto para Tubarão (SC), onde encontraríamos nosso outro irmão, Genôvensio, ou apenas “Venso”, e sua Honda Hornet 600. Assim, o trio “Bike Brothers” estaria completo!

RUMO AO SUL

Com média de velocidade de 110 km/h, nossa viagem começou a render. Em um instante, eu, Nei e Venso passamos pelas placas indicativas das cidades catarinenses de Criciúma, Sombrio e Araranguá. Não demorou e cruzamos a ponte sobre o Rio Mampituba, rapidamente chegando ao Rio Grande do Sul – um belo estado, com gente receptiva e educada e ótimas estradas. Vale lembrar que a Rodovia BR-101 está quase toda duplicada, com alguns gargalos em Laguna e na região de Capivari de Baixo.

Naquela primeira perna, rodamos 282 km a partir de Florianópolis, parando em um posto de serviços com lanchonete em Dom Pedro de Alcântara. A partir de Terra de Areia, pilotamos pela RS 453, de asfalto novo e com limitadores de velocidade, além de simpáticas barraquinhas à beira da estrada (com nomes atrativos e que vendem vários produtos regionais). No caminho, surgiram curvas espetaculares, visuais de cair o queixo e um verde exuberante insinuando-se em meio aos cortes do asfalto.

Já que fazíamos “Touring”, paramos várias vezes para fotografar a paisagem. Subindo cada vez mais, passando por dois túneis e um enorme viaduto. Já a partir de Tainhas, no planalto, em direção a Caxias do Sul, o nome da rodovia segue o mesmo, mas sua qualidade muda completamente. Fica a dica: por ali, pilote sempre alerta, pois são muitos os buracos traiçoeiros.

Passamos um viaduto sob a BR-116, circundamos a grande Caxias do Sul pelo norte e, em um cruzamento, tomamos a direita pela Rodovia RS-122, em direção a Flores da Cunha. Na sequência, chegamos a Antônio Prado, nosso primeiro destino.

ANTÔNIO PRADO

“Prado” é como chamam carinhosamente esta que é a cidade mais italiana do país. As curvas da estrada que levam até lá passam por vales e montanhas. Surgem, também, altas pontes, rios imponentes e muitos parreirais. Um belo portal, feito de pedra, dá as boas-vindas aos visitantes. Nele está escrito: “Benvenutti a Antônio Prado”. Obviamente, paramos para tirar fotos, já que há tempos queríamos conhecer aquele lugar.

A cidade é, de fato, muito bonita. As ruas, em sua maioria, são calçadas com pedras, ganhando um ar nostálgico e interiorano. Dentro da cidade, seguimos em fila indiana, apreciando o belo casario, até chegarmos ao Hotel Piemonte, onde fomos muito bem-atendidos. Na sequência, fizemos um tour por Antônio Prado.

No Restaurante e Lancheria Portão, logo ficamos íntimos do garçom, “Don” Giovani, e da cozinheira, Maria, que nos preparou um prato italiano saboroso. Aliás, àquela altura, não éramos mais um trio, mas um quarteto. É que Diogo Mokva, nosso amigo (a bordo de uma Honda CB 1000R), veio juntar-se a nós.

Vale ressaltar que a arquitetura italiana preservada de Prado é um show. É imperativo conhecer as típicas construções com ornamentos “bordados” (em madeira ou metal). Interessantes, também, são as plaquetas colocadas nas casas de madeira, que identificam antigos proprietários. Antônio Prado foi a última colônia italiana criada pelo Governo Imperial, em 1866.

ADRENALINA

Depois de um bom café, tiramos fotos nas ruas e demos adeus a Antônio Prado. O próximo destino era Santa Cruz do Sul, onde assistiríamos a uma corrida de motos. Retornamos para a Rodovia RS-122, até o cruzamento com a RS-453.

O rumo, agora, era o oeste. Seguimos via Montenegro, sempre curtindo as boas estradas, para chegarmos a Santa Cruz do Sul. Lá aconteceria a terceira etapa do Moto 1000 GP de Motociclismo Nacional, com as presenças do grande piloto Alexandre Barros e de seu filho, Lucas, de apenas 16 anos. Sem mencionar o piloto baiano Daniel “Mariposa” Mendonça, do qual nos tornamos amigos em Curitiba (PR). Todos acelerariam suas maravilhosas BMW S 1000RR. Uma vez em Santa Cruz do Sul, seguimos para o Hotel Charrua. Há muitos alemães naquele município, fundado em 1877.

CATEDRAL

Logo nos encaminhávamos para o Autódromo de Santa Cruz do Sul, onde pegamos nossas credenciais, solicitadas junto à Grelak Comunicação. Tiramos fotos com Alex Barros, que, apesar de cansado, atendia a seus inúmeros fãs, vindos de cidades de todo o país.

Fomos, então, passear no centrinho da cidade, onde apreciamos sua belíssima catedral, de estilo neo-gótico. No dia seguinte, às 06h30, já estávamos na rua, novamente, clicando o centro e adentrando a Catedral de São João Batista (que me emocionou, de tão bela). O resto do dia foi praticamente dedicado às corridas. Permanecemos no autódromo até quase a última corrida, mas o fato de Alexandre Barros não correr nos desanimou.

Regressamos ao centro para apreciar as barraquinhas de uma feira de artesanato. Nosso amigo Diogo partiu à tarde. Eu e meus irmãos aproveitamos para jantar.

DE VOLTA

No dia seguinte – uma segunda-feira – começamos nossa volta para casa. Optamos por seguir um roteiro alternativo. Enfrentamos engarrafamentos em Canoas, na periferia de Porto Alegre, mas logo estávamos abastecendo as motos no posto Graal do início da “Freeway” e, dali para frente, a viagem fluiu às mil maravilhas.

Saíramos de Santa Cruz às 07h00 e, por volta das 13h00, fizemos uma visita à nossa “Vó Ruth”, já em Tubarão (SC). Do alto de seus 89 anos, vendo seus “pimpolhos” emergirem da estrada totalmente paramentados, ela disparou: “onde os três estão indo?” A risada foi geral. “Não estamos ‘indo’, estamos ‘voltando’! Viajamos para o Rio Grande do Sul”, respondemos.

Encaramos mais uma hora e meia de estrada, deixamos Venso em casa e, logo, eu e Nei adentrávamos Florianópolis. No total, rodamos 1.400 km.

Ortodontista, fotógrafo e motociclista, Rui Bittencourt vive em Florianópolis. Acesse o blog do viajante:

www.ruibittencourt.com.br

*Matéria publicada na edição #143 da revista Moto Adventure.

DEIXE UMA RESPOSTA