Na terra do café – Espírito Santo do Pinhal (SP)

Espírito Santo do Pinhal

As trilhas de Espírito Santo do Pinhal, no interior paulista, reservam muitos desafios aos viajantes

Texto: Egon Jenckel/Trinity Ronzella
Fotos: Trinity Ronzella

Espírito Santo do Pinhal é carinhosamente chamada de “Pinhal”. Suas origens remontam ao tempo dos índios Caiapós, que habitavam a região nordeste do Estado de São Paulo e que viviam em pequenas aldeias, caçando, pescando e cultivando milho e mandioca. Eles também fabricavam a igaraçaba (urna funerária) para enterrar seus mortos.

No final de 1700, as Entradas (expedições de caráter oficial que visavam a conquista da terra e a consolidação do domínio português) e as Bandeiras (expedições particulares empreendidas para capturar índios e descobrir jazidas de pedras e metais preciosos), ajudaram a povoar a região. A formação da cidade começou na primeira metade do século XIX, quando Romualdo de Souza Brito, vindo de Mogi das Cruzes, estabeleceu-se por ali, dedicando-se à agricultura com outros membros da família. Com a chegada de outros agricultores às suas terras, Romualdo e a esposa, Tereza Maria de Jesus, decidiram que, para acabar com as invasões, doariam as terras que eram disputadas para formar o patrimônio do Divino Espírito Santo. A partir da doação (de aproximadamente 40 alqueires) surgiu uma igreja e um povoado, que, com o passar dos anos, ganhou o nome atual (“Pinhal” é uma referência à grande quantidade de araucárias da região).

Por volta de 1850, o cultivo do café trouxe à região um número significativo de escravos para trabalhar nas lavouras. Logo, aquele era um dos principais focos de produção do Brasil. Por volta de 1929, porém, o café começou a perder força no município, também em função da quebra da Bolsa de Nova York.

Com base no censo de 2010, Pinhal tem, aproximadamente, 42 mil habitantes. E o café se mantém como sua principal cultura agrícola, seguido pela cana-de-açúcar e o milho (também há indústrias metalúrgicas e de confecção).

TRILHAS

Viajar para Espírito Santo do Pinhal é uma oportunidade de conhecer um pouco de nossa história e curtir as belas rodovias que levam até lá. Mas, para quem gosta de off-road, o destino é ainda mais atraente. Normalmente não se planta café em terrenos planos – logo, região de café é uma garantia de subidas e descidas, o relevo ideal para trilhas.

Para desbravar alguns destes caminhos, nos juntamos a um grupo de pilotos da região. O ponto de encontro ideal é a fachada da loja MZe Motos, na praça Treze de Maio, número 39, no centro. É só combinar com o José Fernando, que ele agiliza tudo. Entrando na cidade, siga para a Avenida Washington Luiz (com canteiro no meio) até a rotatória. Nela, há um posto. Siga pela esquerda do posto e você estará na Rua Barão de Mota Paiva. Continue até encontrar uma praça, ao lado direito. Siga em frente e, no fim da praça, à esquerda, você verá a Loja MZe Motos.

Para facilitar, agende tudo com antecedência e leve o guia Néco, trilheiro que conhece bem a região. Demos início ao passeio seguindo para a Trilha da Pedra do Lírio e a Trilha do Morro do Corezzola.

SOBE E DESCE

As saídas para as trilhas locais se dão por estradas vicinais. Quando você menos esperar, se verá em meio a uma plantação de café com uma subida de terra seca, com muitos galhos e bastante íngreme. Ali, as motos não conseguem aderência – logo, bastante técnica será exigida.

Depois da subida, o caminho cruza por plantações de café. Dependendo da época, você poderá aproveitar para experimentar um cafezinho direto do pé. Isso mesmo: é só pegar os frutos bem vermelhos, chupar e jogar a semente. É saboroso!

Continue a pilotar e você terá, pela frente, erosões, subidas e decidas. Após algumas trilhas de gado, chega-se a uma laje de pedra com um belo visual. Continue a acelerar em meio a uma mata fechada e você encontrará a paisagem mais bela da região. Aproveite para descansar e curtir o visual. Depois, acelere novamente. Deste ponto em diante, você vai encarar descidas cheias de pedras, barro, mato e tudo o que o trilheiro gosta. Pouco depois, avistará uma casa abandonada e um curral que demarcam o ponto onde pode-se beber a água pura que corre pela serra. Sobrevém uma longa descida, com muitas pedras e alguns trechos molhados.

MAIS AVENTURA

Depois, será hora de cruzar um milharal. Continue a acelerar e, em meio a muitas subidas e descidas, em determinado momento, você estará no alto de uma montanha. De um lado, estará Espírito Santo do Pinhal (SP) e do outro, Jacutinga (MG). Se optar por descer até Jacutinga, uma lisa descida o espera. Neste trecho, será difícil manter-se em pé, já que a descida é em meio à mata e, devido às sombras e ao tipo de solo, fica muito escorregadia. O uso do freio deve ser moderado – do contrário, é “chão” na certa! Uma vez em Jacutinga, experimente um prato da culinária local – mas não abuse, que há mais aventura à frente! Lembrando que o regresso pode ser feito por trilha, estrada de terra ou asfalto/terra.

AMIGOS

Durante esta reportagem, tivemos, como parceiros, os trilheiros Valter Franco, Valmir Vicente, Marcos Roberto Ferreira (Marquinho), Diego, Adriano Biazoto, João Carneiro, Ricardo Gino, Neco, Cristiano (Frango Veloz), Alexandre Mizukami, Luiz Carlos Polydoro, Rubian e Mortadela.

Para curtir as trilhas da região, entre em contato com José Fernando pelo telefone: (19) 3651-6095. Leve água e tente sair, no máximo, às 09h00, para aproveitar tudo o que a região oferece. Tente marcar uma parada no Restaurante Tijoleiro, em Jacutinga (MG). Ali é servida uma deliciosa leitoa à pururuca.

COMO CHEGAR

A partir da capital paulista, siga pela SP-348 (Rodovia dos Bandeirantes) até a SP-065 (Rodovia Dom Pedro I); e depois, SP-340 (Rodovia Governador Ademar Pereira de Barros e Rodovia Deputado Mario Beni). Acesse, então, a SP-344 (Rodovias Vereador Rubens Leme Asprino, Dom Tomáz Vaquero). Serão 202 km de viagem.

ONDE DORMIR

Pinhal Palace Hotel (19) 3651-2341

www.pinhalpalacehotel.com.br

ONDE COMER

O Celeiro (19) 3651-6748

Fica na estrada Pinhal/Albertina, Km 1 (funciona apenas aos domingos)

W Bassi (19) 3651-1871

Av. Oliveira Motta, 39 – Centro

Bar e Restaurante Tijolreiro (35) 3444-1026/9915-4721

Fica em Jacutinga (MG), na área rural, bairro de São Luiz. Funciona de terça a sábado e o melhor é reservar o almoço com antecedência. É um estabelecimento muito simples, mas os proprietários são excelentes anfitriões. E a leitoa à pururuca e o frango a passarinho com polenta são deliciosos!

*Matéria publicada na edição #151 da revista Moto Adventure.

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Espírito Santo do Pinhal

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