On The Road Brasil – Foz do Iguaçu (PR) e Penedo (RJ) – Convite oportuno

Foz do Iguaçu

Duas motos BMW e todas as despesas pagas. Quem recusaria um convite desses para realizar uma aventura entre Foz do Iguaçu (PR) e Penedo (RJ)?

Texto e fotos: Fernando Hungria Nalesso

Quando você pilota uma moto, sempre surgem surpresas. Pode ser uma viagem a um destino diferente, um convite para juntar-se a amigos para um churrasco perto de sua casa… Muitas vezes, também, surgem propostas para lá de interessantes. Foi o que aconteceu com o motociclista Fernando Hungria (o mesmo que fez uma Expedição pela América do Sul a bordo de uma Honda Biz). Confira, nas palavras de Fernando…

O INÍCIO

“Imagine receber o convite de um amigo dizendo o seguinte: “estou com algumas motos BMW em Foz do Iguaçu (PR) e elas precisam ser levadas a Penedo (RJ). Os custos da viagem serão todos pagos. Tem como me ajudar?” Li o e-mail e fiquei algum tempo pensando. A proposta era tentadora e seria uma oportunidade para eu encarar alguns dias de moto e estradas.

As motos citadas no convite eram todas BMW 650GS, de propriedade de uma empresa que organiza viagens e expedições de moto pelo mundo todo. Um grupo de motociclistas, vindo do Peru, havia terminado sua viagem em Foz do Iguaçu (PR) e um outro grupo iria iniciar, um mês depois, outro tour em Penedo (RJ). Por isso essas motos teriam que ser levadas à Serra Fluminense – e foi então que o proprietário da empresa de moto-turismo enviou um e-mail com a proposta citada. Com alguns dias de folga no trabalho, decidimos, eu e meu irmão, encarar essa tarefa. Pegamos um voo até Foz do Iguaçu, onde nos encontramos com “Mauricio”, funcionário da empresa na América do Sul. Ele nos mostrou as motos e nos forneceu toda a documentação e orientações a respeito das duas motos escolhidas por nós. Com um jipe que normalmente apoia as expedições pela América, ele seguiria alguns dias depois. E assim combinamos de nos encontrarmos em Itapetininga (SP).

A ROTA

Nossa ideia não era seguir direto de Foz do Iguaçu até Itapetininga (SP), pelo contrario: queríamos aproveitar e rodar um pouco por aí, sem muita correria. Decidimos que seguiríamos primeiro no sentido sul/sudeste, depois cruzando o Paraná e Santa Catarina na horizontal, sentido oeste/leste, e só então subiríamos para Itapetininga, onde moramos, e faríamos uma pausa de uma semana. Depois seguiríamos para Penedo (RJ).

Ainda de madrugada, saímos de Foz do Iguaçu no sentido de Cascavel e rodamos cerca de 120 km por pista duplicada e em ótimas condições até Santa Tereza do Oeste, onde o dia já amanhecia e a estrada, embora simples, encontrava-se em boas condições. O céu estava claro, mas isso não durou muito: descendo totalmente em direção a São Miguel d’Oeste, surgiu um forte nevoeiro que já tomava conta da estrada, nos obrigando a rodar lentamente.  Em São Miguel d’Oeste seguindo pela Rodovia BR 282 e começamos a cruzar o Estado de Santa Catarina, sentido leste, em direção a Lages, passando pela região metropolitana de Chapecó, formada por Pinhalzinho, Xanxerê e Ponte Serrada.

Com a intenção de pernoitar em Lages no primeiro dia, seguimos pela BR 282 pilotando sob nevoeiro, chuviscos e um pouquinho de sol. Esta estrada, além de muito bonita, tem trechos gostosos, com longas curvas sobre o planalto e lindas vistas. Mas também existem trechos bem restritos, com curvas mais fortes e bastante trafego de caminhões e óleo na pista.

OESTE CATARINENSE

Geograficamente, o Oeste Catarinense situa-se entre a Rodovia BR 116 e a fronteira com a Argentina. É uma região marcada pela diversidade cultural, onde as tradições austríacas estão presentes em tudo. De Lages, saímos para o segundo dia de estrada. As previsões eram de chuvas fortes e frio. Deixamos a BR 282 e passamos a rodar pela SC 438. Devido à minha insistência em tirar fotos, minha máquina molhou e só consegui registrar um pouco das belas paisagens com um celular. Seguimos passando por São Joaquim, Bom Jardim da Serra e a famosa Serra do Rio do Rastro até Orleans, onde passamos a rodar por vias mais interioranas, seguindo pelas SC 438, 407, 481, 408 e 411, cruzando cidades como São Ludgero, Braço do Norte, Rio Fortuna, Anitapolis, Angelina e outras. Contornamos boa parte da região rural e cidades coloniais. A chuva forte (que caía há algum tempo na região) deixara muitos desmoronamentos de barreiras pela estrada e os rios estavam bem cheios. Com a luz do dia indo embora, resolvemos pernoitar em Brusque e conhecer um pouco mais daquela cidade.

CULINÁRIA

O prato típico da região é o marreco com repolho roxo, herdado da culinária alemã. A cidade até criou a Festa Nacional do Marreco (Fenarreco), que acontece em outubro, juntamente com a Oktoberfest de Blumenau. A festa tem como prato principal o marreco, mas o chope, as danças típicas, a música e a alegria são complementos fundamentais desse enredo.

Também devido à herança cultural alemã e italiana, a cidade se destaca por suas padarias e docerias, com seus bolos, cucas, tortas, pães e geléias. Algumas contam com Café Colonial, que atraem turistas de várias partes do estado.

ROTA CHARMOSA

No terceiro dia de estrada, o sol voltou a aparecer. Saímos de Brusque e seguimos pela Rodovia SC 486 e SC 470 passando por Blumenau e Massaranduba. Depois seguimos no sentido de Jaraguá do Sul. Em Joinville pegamos um trecho da BR-101 até Garuva, já em terras paranaenses. Dali seguimos por outra bela estrada até Guaratuba, onde se cruza, em uma balsa, para Caiobá, cidade do litoral paranaense.

De Caiobá segue-se pela única estrada por ali, a PR-508, até a BR-277, que liga Paranaguá a Curitiba. Mas o legal, mesmo, é pegar a saída para Morretes e Antonina e curtir a charmosa Estrada da Graciosa, a PR-410, e sair na BR-116 já perto de Curitiba

Esta região da Estrada da Graciosa é um lindo trecho, onde todas as divisas estaduais são formadas por acidentes geográficos. Ao norte e oeste formam-se os espigões das serras dos Órgãos, da Graciosa, do Marumbi e da Farinha Seca. No sudeste surgem as serras da Igreja, das Canavieiras e da Prata. No sudeste aparece o Rio Arraial, a uma altitude de cerca de 800 metros. Além das belas paisagens, Antonina, Paranaguá e Morretes são cidades históricas, culturais e tem lindas estradas para se pilotar.

Depois de curtir tudo isso, voltamos para a Rodovia BR 116 e rodamos até a cidade paulista de Registro, onde deixamos a BR 116 para trás e passamos a seguir pela SP 139, passando por Sete Barras e subindo ate São Miguel Arcanjo, onde pegamos uma estrada municipal e chegamos a Itapetininga. De lá para a Serra Carioca encaramos a Rodovia Castelo Branco e, depois, a Presidente Dutra. Chegar a Penedo foi bem tranquilo.”

SERVIÇO

Nosso Verde Turismo (15) 3271-9401

Rua Pedro Marques, 720 – Centro – Itapetininga – SP

www.nossoverde.com.br

*Matéria publicada na edição #118 da revista Moto Adventure.

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