Mais ao sul – Litoral paulista

Litoral Sul Paulista

As boas surpresas de Iguape, Ilha Comprida e Cananéia, destinos pitorescos do litoral paulista

Texto: Egon Jenckel/Trinity Ronzella
Fotos: Trinity Ronzella/Rachel G Santos

No litoral sul de São Paulo, a Mata Atlântica alia-se a valiosos eco-sistemas, compondo um paraíso da biodiversidade. Para preservá-lo e defendê-lo, foram criados, entre Peruibe e Cananéia, parques de proteção ambiental, estações, entidades e projetos pertinentes, que mantém tudo isto a salvo. Neste trecho surgem, ainda, antigas cidades, com seus casarões e igrejas coloniais, testemunhas de um tempo de colonização e da busca pelo ouro. Uma época em que indígenas, sesmeiros, espanhóis, portugueses, bandeirantes e aventureiros cruzaram aquelas terras e ali assentaram os primeiros povoados locais.

Ver isto de perto é muito fácil: a Rodovia Regis Bittencourt (BR-116) é a principal ligação da região ao sul do país e, também, a São Paulo (SP). Vale citar que o melhor caminho entre a capital paulista e a região é por meio da Rodovia dos Imigrantes. E depois, Padre Manoel da Nóbrega e Prefeito Casemiro Teixeira.

Você pode chegar a Iguape, Ilha Comprida ou Cananéia em qualquer tipo de moto, pois todas estas cidades são servidas por boas estradas a partir da Régis Bittencourt. No entanto, para descobrir suas facetas mais aventureiras, siga com uma moto on/off-road.

ROTEIRO TRANQUILO

A partir de São Paulo (SP), somando ida e volta, serão aproximadamente 600 km divididos em pista dupla, simples, estrada de terra e 30 km (aproximadamente) pela praia.

Saindo de São Paulo pela Rodovia dos Imigrantes, ao final, siga para a Praia Grande, Mongaguá e Itanhaém. Você estará na BR-101. Depois de Mongaguá, a próxima cidade é Peruíbe. Até aqui, a estrada corre paralela ao mar. A partir de Peruíbe, serão mais 40 km até a BR-116, que liga São Paulo a Curitiba. Entrando na BR-116, no sentido de Curitiba, serão apenas 18 km até a saída 401 para Iguape, Juréia e Ilha Comprida. E depois, em pista simples, mais 55 km até Iguape.

De Iguape à Ilha Comprida, é só atravessar a ponte (pedagiada) e seguir. Ao final, entre à direita na Av. Marginal Candapui Sul e à esquerda na Av. São Paulo – ela acaba na Av. Beira-Mar. Entre à direita e siga por mais 18 km, com muitas lombadas. No final, você estará em uma estrada de terra. Depois de entrar na terra, escolha um dos vários acessos que o colocarão na areia da praia e siga à direita. Serão 30 km até você encontrar uma placa informando que é preciso sair da praia. Faça-o e siga pela estrada de terra, até a balsa que leva a Cananéia. São aproximadamente 4 km de boa estrada.

O QUE VER?

O objetivo deste roteiro não é explorar um só lugar, e sim, fazer um tour pela região e visitar pontos interessantes de cada cidade. Assim, você passará por Iguape, cidade fundada em 1538, cujo centro apresenta casarios antigos e reformados, uma bela igreja e a vista do Mirante do Cristo (perto do pedágio).

Já Ilha Comprida tem, por principal atrativo, um roteiro que pode ser feito através da praia. Vale citar que a praia de Ilha Comprida é uma das poucas na qual a circulação de carros e motos é permitida. Assim, abuse disto e, com consciência e prudência,curta a pilotagem em meio a dunas, trilhas, riachos, bares e pousadas. Mas, lembre-se: sempre com cuidado e atenção!

Cananéia é a terceira cidade do roteiro. Por lá, tudo é muito conservado e o centro oferece várias opções de bares, lojas e pousadas, além da beleza da arquitetura dos séculos XVIII e XIX. Destaque para a Igreja, construída em 1577.

PILOTAGEM NA PRAIA

No trecho deste roteiro feito pela areia da praia, alguns cuidados devem ser tomados: procure saber o horário da maré cheia, pois há o risco de você não conseguir passar com a maré muito alta. Na dúvida, em Ilha Comprida, você passará em frente a um posto do Corpo de Bombeiros, onde poderá obter informações a respeito.

Esse trecho de praia é usado, normalmente, como estrada, apesar de ali haver banhistas, ciclistas e outros veículos em ambos os sentidos. O agravante é que não há placas – e muitos ainda abusam da velocidade! Siga com cuidado pela parte mais “dura” da areia, pois, se entrar na areia “fofa”, as manobras serão mais difíceis. Em certos momentos, “surgem” pelo caminho pontos com areia, riachos e animais mortos, além de galhos e troncos. Então, vá devagar e aproveite o passeio com segurança.

VOLTA

A volta pode ser feita pela Rodovia Régis Bittencourt ou pelo mesmo caminho da vinda. A diferença reside no movimento de caminhões,  intenso na Régis, ou de carros, pelo litoral. As distâncias se equivalem.

DICAS

– No trecho de areia, vá com atenção: o movimento de pedestres, ciclistas e carros é grande nos finais de semana.

– Abasteça em Ilha Comprida (por segurança).

– Ao parar a moto na praia, certifique-se de colocar uma superfície rígida para apoiar o descanso do veículo. Do contrário, este afundará na areia e a moto poderá cair.

SURPRESA!

Nos 30 km de praia, além de muitos troncos e objetos trazidos pela maré, avistei pinguins, focas e até uma imensa tartaruga – todos mortos. Em certo momento, também avistei o que, a princípio, julguei ser outra foca, mas que – para minha surpresa – era um filhote de baleia Jubarte. Parei a moto ao lado de uma moça que a observa e perguntei se a baleia estava viva. Era difícil saber, pois seus movimentos poderiam ser ocasionados pelo vai-vem das ondas. Eventualmente, constatamos que estava viva, sim, mas que precisava urgentemente regressar ao mar. Subi na moto e fui buscar ajuda. Um grupo se reuniu ao redor da baleia e começamos a empreender esforços para devolvê-la ao oceano. Porém, ela era muito pesada! Foram quase 30 minutos de luta para conduzi-la a águas mais profundas – um objetivo que, por fim, alcançamos. Com água pela cintura, eu a acompanhei durante parte do trajeto, pois parecia um pouco desorientada, além de apresentar ferimentos no corpo e na cauda. Para os que participaram da inusitada “aventura”, foi incrível ver aquele belo animal retornar ao seu habitat.

*Matéria publicada na edição #154 da revista Moto Adventure.

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