Viagem de moto pelo norte da Austrália – Parte 1

Norte da Austrália

Tour de moto pela Oceania explora o norte da Austrália, de Cairns a Cape Tribulation

Texto e fotos: Leonardo Hasenclever

A edição (#172) publicou dicas necessárias para um tour de moto na Austrália, um país que desperta curiosidade em todos os interessados em viagens, natureza exuberante e paisagens sócio-ambientais diversas. Distante do Brasil – são cerca de 12 horas de diferença de fuso horário – a Austrália é um país continental, como o Brasil, muito interessante e bonito. Há tantas particularidades que a Austrália é um destino cada vez mais procurado por turistas do mundo inteiro.

E foi em busca dessa diversidade que o motociclista Leonardo Hasenclever, de Brasília (DF), teve a oportunidade de realizar uma pequena viagem pelo norte australiano, partindo de Cairns e seguindo rumo ao norte pela rodovia costeira (Captain Cook Highway) até o final definitivo do asfalto – numa localidade chamada Cape Tribulation. Daí em diante ele seguiu até o Cabo York, só por estrada de terra. E esta é a rota que ele nos mostra abaixo.

FLORESTAS INTACTAS

Cairns é uma cidade do Estado de Queensland situada a cerca de 1.700 km de Brisbane, sua capital, e 2.400 km de Sydney, principal cidade da Austrália. A cidade, como a maioria do país, é limpa, muito bem cuidada e vigiada, com policiais por todos os lados, e rodeada por uma natureza exuberante. É quase inacreditável a vista que se tem do centro da cidade e do porto das montanhas, a poucos metros de distância do outro lado do rio, completamente coberta de florestas tropicais úmidas intactas, sem qualquer marca de desmatamento. A cidade tem uma boa infraestrutura de ciclovias e o turista mais animado pode alugar uma bike e conhecer as dezenas de praias ao redor. No meu caso, preferi subir mais longe, de motocicleta, mas existem várias opções para se conhecer a região.

Saindo de Cairns, rumo ao norte, roda-se pela Captain Cook Higway, que leva diretamente a Cape Tribulation – Cape Trib, que é como chamarei meu destino daqui para frente, com passagem por Smithfield e Palm Cove. Essas localidades distam poucos quilômetros da praia, mas com possibilidades de, em vários momentos, subir a mirantes para observar o visual. É incrível!

Nesses pontos mais elevados é possível situar-se tanto em relação à cidade de Cairns como em relação ao relevo da região. A vista da cidade deixa claro como ela está situada numa área de floresta tropical úmida, densa, alta e verde, muito verde. O entorno de Cairns é todo de matas.

De Palm Cove a Port Douglas a estrada é magnífica. Curvas, subidas e descidas bem ao lado das praias. É possível sentir grãos de areia levados pelo vento das praias ou, às vezes, a areia até chega à rodovia. Vários pontos de parada muito bem sinalizados estão à disposição dos viajantes. Daí segue-se na direção da região conhecida como Daintree, onde está o parque nacional homônimo. Neste trecho passa-se por fazendas, pequenas vilas, tudo muito interessante e digno de uma paradinha aqui e ali para experimentar frutas e outras delícias.

TERRENO MONTANHOSO

Depois chega-se ao rio Daintree, onde surge uma balsa e depois dela a coisa muda de figura. Entra-se num terreno montanhoso, costeiro, coberto pela floresta tropical da Austrália, conhecida como a mais velha floresta do mundo. A estrada é chocante! Placas avisam os motoristas da frequência de animais silvestres na pista e pequenas cachoeiras literalmente cruzam a estrada. Boa chance de parar, tirar o capacete e refrescar a cabeça que, nestas horas, deve estar cozinhando sob o calor úmido dos trópicos. Uma, duas, três… As primeiras são novidade e despertam singular interesse, mas logo se percebe que é uma técnica construtiva de estradas que foi largamente utilizada neste trecho, talvez pela enorme quantidade de pequenos cursos d’água descendo as montanhas rumo ao mar. Estes cursos d’água, ao serem cruzados pela estrada, correm sobre o próprio leito da estrada, não havendo passagem subterrânea, manilhas ou pontes. É muito legal.

No ponto mais alto da estrada há chance de estacionar num mirante muito bem cuidado e equipado – simples, mas muito eficaz! – e admirar a estonteante paisagem de florestas e o delta do rio Daintree. Coisas simples, como o pôster de identificação dos locais sob sua vista, fazem toda a diferença. Turismo com autonomia, segurança e informação. Desce-se a montanha e entra-se numa região repleta de lodges, cabines e pequenas pousadas onde se cultivam inúmeros tipos de frutas e, pasmem, cacatuas voam aos bandos de centenas e são o terror dos fazendeiros, pois destroem suas plantações em busca de alimento. É lindo!

Existem vários acessos a diferentes praias. Nestas, desertas, as placas dão as informações sobre as possibilidades e limites para uso e recreação. Algumas têm frequência de crocodilos de água salgada e requerem muito cuidados. Os bichos são enormes – até 7 metros – e agressivos quando na época da reprodução. Águas-marinhas também abundam a costa e, por isto, é comum chegar-se numa praia e não haver ninguém, mesmo com toda facilidade de acesso e infraestrutura para visitação.

Confira a Parte 2 da aventura.

*Matéria publicada na edição #173 da revista Moto Adventure.

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