Conheça a história do norte-americano Tim Burke, que largou o emprego e resolveu fazer da fotografia e das viagens de moto pelo mundo seu novo estilo de vida

TEXTO: ROSA FREITAG
FOTOS: TIM BURKE

“Para começar, pare de falar e comece a fazer”. A frase atribuída a Walt Disney é o lema de Tim Burke, um norte-americano apaixonado por motociclismo e fotografia, que há um ano pediu demissão do ótimo cargo que tinha na área de aviação, vendeu tudo, comprou uma BMW R1200 GSA e foi realizar seu sonho de viajar pelo mundo.

Ele conquistou muitos fãs no Instagram e Facebook– @timburkephoto. Cada foto postada acompanha um bom texto com reflexões ou informações úteis sobre o local, instigando a querer abraçar o mundo viajando de moto. Eu o acompanhava há alguns meses, e em abril ele postou agradecimentos à equipe de uma concessionária BMW em Florianópolis (SC), por trocou a embreagem da sua moto em cortesia – eram seguidores das suas aventuras! Tim pretendia comprar as peças e consertar a moto em algum hostel, e ficou impressionado com a generosidade, já que o gasto causaria um alto impacto em seu orçamento de viagem, podendo até encurtá-la.

Moto e foto

Fazer fotos artísticas para perpetuar as emoções das aventuras de moto é complicado, tanto pelo aspecto da produção como pela fragilidade do equipamento. Mas Tim Burke gosta do desafio de produzir uma boa imagem em condições de pouca luz, ou com tempo ruim, se desdobrando para buscar o melhor ângulo e fazer uma composição criativa. Tudo isso para contar uma história sobre o ambiente e os sentimentos envolvidos sem precisar de legenda.

Ele quer registrar as cenas do jeito que gostaria de guardá-las na memória. Não usa equipamentos caros e sofisticados, e o espaço para transporte na motocicleta é limitado. Em um topcase revestido, leva uma Nikon D750 com a lente de fábrica e outra para fotografia noturna. O flash do celular resolve.

Vida na estrada

Tim admite que ter um emprego e uma cama te esperando em casa todas as noites é algo valioso. Ele amavao emprego, mas a prioridade da vida era conhecer o mundo. Economizou por 10 anos, vendeu todos os seus pertences e vive estrategicamente sem uma renda fixa. Faz trabalhos como freelancer para hostels e hotéis, mas é difícil atualmente encontrar quem pague um fotógrafo pelo seu produto profissional.

Ele mantém o gasto diário em torno de 40 a 50 dólares na América do Sul. Seu estilo de vida é muito simples e as viagens não são “férias” – nada de passeios de helicóptero. Gosta de ficar em hostels, pelo baixo custo e pela socialização, e também acampa. Preocupa-se o tempo todo com a segurança e a vulnerabilidade dos equipamentos de fotografia e do computador, pois além de serem os itens mais caros que possui, abrigam as suas memórias. Leva um bom kit de primeiros socorros, um kit de purificação de água e barrinhas de cereal. O dispositivo Garmin Inreach envia sua localização por GPS para a família acompanhar, e também serve para solicitar resgate de emergência.

Aventuras no Brasil

Burke acha que o Brasil, assim como o México e países da América Central, tem má reputação entre os motociclistas americanos, mas são medos sem fundamento. Ele não pretendia vir ao Brasil porque o visto custaria uma fortuna e era burocrático para obter. Mas, há pouco tempo, isso mudou, e foi possível obter o visto online por U$ 44. Então mudou os planos e encontrou no Brasil as pessoas mais generosas e receptivas de todos os lugares em que esteve.

Em sua exploração da Cidade Maravilhosa, um incidente daqueles que torcemos para não acontecer: ele resolveu conhecer um morro, em busca de boas oportunidades para fotos. Foi parar em um beco e,ao manobrar a moto, teve armas apontadas na cabeça. Queriam saber quem ele era, o que estava fazendo ali e se era policial – não foi assaltado. Em um flash, ele conheceu o submundo que está acima do poder da polícia e o conflito social que assola a cidade. Mas isso não o fez concluir que o Brasil é perigoso e deve ser evitado. Tim conta que em Chicago, sua cidade natal, há gangues violentas, e lamenta que uma cidade tão linda como o Rio de Janeiro tenha esse problema. Foi até Búzios e iniciou o retorno rumo ao Sul.

Em São Paulo, aceitou meu convite para participar do passeio Free Spirit Night Race, que ocorreu em uma noite de segunda-feira gelada de maio. Fez uma foto das mais de 150 motos em frente ao Estádio do Pacaembu e seguimos em um passeio urbano até a Vila Maria, no bar Nação Nordestina. Ele curtiu o forró ao vivo e as comidas regionais e muitos motociclistas, admirados ao saberem que ele veio rodando desde Seattle, foram cumprimentá-lo. Na hora de voltarmos para casa, foi ele quem guiou um grupo até a Marginal Tietê, usando o Google Maps no celular! Uma noite memorável, que proporcionou o melhor que São Paulo pode oferecer como metrópole multicultural.

Na manhã seguinte já partiu para Curitiba, pois em duas semanas quer despachar a motocicleta de Buenos Aires, na Argentina, para os EUA. Só que nesse dia começou a greve dos caminhoneiros. Mas, por mais alarmante que seja uma situação, tudo se eterniza em arte com uma boa foto!

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