Mundo afora – Longas viagens

O que você realmente precisa saber se estiver disposto a passar muito tempo na estrada

Texto e Fotos: Marcelo Leite

Na seção “Mundo Afora”, abordaremos temas como: planejamento (rota, moto, orçamento, acessórios, ferramentas, saúde, lugares imperdíveis etc.), preparação (mecânica, documentação, travessia de oceanos etc.) e vida na estrada (manutenção, acampamento, navegação, segurança, mulher na estrada, off-road etc.).

PLANEJAMENTO

O ideal é tratar sua viagem como um grande projeto, ou seja: objetivos claros, duração, orçamento, recursos necessários, macro-rota, etc. Há dois fatores que serão determinantes em todas as suas demais definições:

1) O primeiro é “tempo”. Qual a duração estimada de sua viagem?  Seis meses, um ano ou cinco anos? Difícil? Então, que tal pensar em várias pequenas etapas de dois meses, como fazem muitos europeus? Você pode até usar suas férias! Por exemplo: comece pela Europa, desça até o Quênia, deixe sua moto guardada em segurança em Nairobi e, no ano seguinte, continue até chegar à África do Sul – e assim por diante! Tenho um amigo holandês que há cinco anos age desta forma. Ele já percorreu todo o continente americano e africano, só rodando nas férias.

2) O segundo fator é: “quem” vai com você? Você viajará em grupo, com garupa ou sozinho? Claro que sair em grupo é muito mais seguro e tem inúmeras vantagens, como dividir o peso dos equipamentos, a hospedagem e as experiências. Mas é muito difícil achar pessoas dispostas a sair para uma grande expedição no mesmo formato e período que você. Ir com garupa pode ser ótimo, mas é um grande desafio em termos de peso para a moto, condução em off-road e… Relacionamento! Saindo sozinho, você terá toda a liberdade do mundo e encontrará gente bacana na estrada para lhe fazer companhia em vários trechos! Principalmente nos mais difíceis! E este tipo de amizade costuma ser forte e durar a vida toda.

“PLANO DE ROTA”

Agora que você já definiu o tempo e a companhia, é hora de investir muito na elaboração de sua “macro-rota”. Claro que não é hora de se ater a detalhes como: cidades ou pontos de parada. Nesta fase, o que importa é montar um roteiro geral que leve em conta seus sonhos e os principais lugares que você adoraria conhecer. E também a existência de grandes barreiras e dificuldades. Eis alguns exemplos típicos de desafios: a BR319 (Porto Velho-Manaus) na época das chuvas; a Sibéria no inverno; a Austrália, pelo alto custo do transporte; os países cujas fronteiras terrestres estão fechadas (Argélia e Líbia). É claro que algumas barreiras podem surgir quando você já estiver rodando (por exemplo: em decorrência dos conflitos na Síria, a tradicional rota terrestre da Europa para o leste da África fechou quando eu já estava quase chegando lá…). Abuse da Internet, estude e busque o máximo de informações sobre os principais trechos da rota. Tente fazer contato com quem já fez o percurso. Defina estimativas de tempo para percorrer cada trecho. Monte um plano com estimativas de datas para cada etapa. Simule o que acontece em cada trecho em função do clima (no inverno, na Mongólia, a temperatura chega a 500C negativos!). Obviamente, a primeira versão nunca dá certo! Repita o processo até chegar a um plano de rota que seja confortável para você. Desenhe a rota em um mapa e cole na parede! Isto o ajudará a visualizar alternativas cada vez melhores. Na fase de planejamento de minha última expedição, levei meses até obter um roteiro definitivo que me livrasse do inverno por dois anos.

É um processo trabalhoso, mas, a partir deste ponto, você começará a sonhar todos os dias com o seu roteiro – e pouco a pouco achará uma solução para qualquer dificuldade que apareça. O Plano de Rota é um importante “primeiro passo”. Agora é preciso elaborar um orçamento, escolher uma moto, equipá-la e preparar-se até o dia da partida.

Falaremos mais sobre isto na próxima edição. Até lá!

*Matéria publicada na edição #149 da revista Moto Adventure

 

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