Três casais brasileiros viajaram para a Europa com uma única meta: rodar de moto pelos Alpes italianos, austríacos e suíços. A bordo de scooters BMW GT 650 alugados na Itália, eles enfrentaram muita neve, frio e curvas que desafiaram a habilidade dos pilotos. Confira o relato nas palavras dos próprios viajantes!

TEXTO E FOTOS: EDNA TERESA PATTACINI CONSENTINI E JARBAS MACHADO CONSENTINI

Finalmente chegou o grande dia! Depois de cinco meses de programação e reuniões intermináveis, estávamos prontos para a viagem dos nossos sonhos. Partimos do Brasil no dia 16 de setembro de 2014 rumo a Paris e, de lá, embarcamos em um voo para Milão, onde pegaríamos as motos e começaríamos a “tocada”. Fomos em três casais – Jarbas e Edna, Francisco e Ana Claudia, Luis e Francis. Chegamos a Milão no mesmo dia e nos hospedamos no Ibis Milano Centrale (havíamos feito a reserva pela internet – diária do hotel: 124 euros).

Na manhã seguinte, após tomarmos o café da manhã, fomos até a Stazione Centrale, onde pegamos o metrô, linha verde, até Romolo. Descemos e fomos a pé até a locadora H. P. Motorrad, onde pegaríamos as motocicletas: três scooters GT 650 da BMW custaram 530 euros por cinco dias de aluguel, incluindo capacete, casaco e luvas. Fizemos à parte a locação de um GPS da marca BMW, ao preço de 10 euros por dia, o qual nos guiou com perfeição por Itália, Áustria e Suíça. Fomos informados que o consumo médio de cada motocicleta era de aproximadamente 5 litros por cada 100 km rodados e a capacidade do tanque de 14 litros. Ficamos atentos para não ficarmos sem combustível, pois as estradas onde iríamos rodar, quase todas, serpenteavam pelos Alpes e era difícil encontrar postos de abastecimento.

Nosso objetivo era pilotar pelos Alpes – italianos, austríacos e suíços. O primeiro abastecimento de benzina (como a gasolina é chamada por lá) foi ainda em Milão, próximo à locadora, onde tivemos uma pequena primeira dificuldade: não sabíamos que os postos de combustíveis funcionam com auto-atendimento. Ao longo da rodovia para Bormio encontramos muitas plantações de maçãs. A estrada é muito bonita! Rodamos 209 km até chegarmos a Bormio, na região de Sondrio. Saímos à noite para jantar e conhecer o local, que por sinal é muito lindo, com construções antigas, bem típicas da Europa, com ruazinhas estreitas, muito frio e muita neblina.

Pilotando no gelo

No dia seguinte iniciaríamos a subida do Passo Dello Stelvio, uma estação de esqui no alto dos Alpes, localizado no Tirol do Sul. Trata-se de uma estrada estreita com cerca de 60 curvas de 180 graus que contornam os Alpes Orientais. A estrada, que atravessa o parque, foi construída em 1820 e é a estrada mais alta da região, com 2.757 metros de altitude, considerada uma das 10 mais perigosas do mundo.

Para o motociclista a adrenalina transforma todo perigo em uma aventura inesquecível! Para nós não foi diferente. Cada curva nos levava a centenas de metros montanha acima, até que começamos a pilotar com muita neve nas laterais da estrada, apenas com o leito da pista sem neve, o que nos deu mais segurança. Quando chegamos ao topo da estrada, a marcação era de 2.760 m de altitude.

Último dia

Depois de uma noite bem dormida e de viver intensas emoções, conhecer lugares e particularidades das regiões em que passamos, era hora de um café da manhã, que foi muito bem acompanhado de um omelete coberto com bacon caseiro. E se pensávamos que já tínhamos tido toda a noção de andar de moto nos Alpes, e que a neve ficaria da mesma forma, foi um mero engano, pois com o passar do tempo, as “montanhas” de gelo só iam aumentando.

Pensamos que o percurso de Resia até Milão seria de cerca de 376 km e, depois disso, fim de passeio de moto nos Alpes. E assim, pegamos a estrada. Muitos ciprestes, muita lenha na beira da estrada que serpenteava o rio (de uma cor cinza muito diferente de tudo que já vimos). Passamos pela fronteira com a Suíça sem nenhuma fiscalização e fomos em direção a Saint Moritz e Zernes, região com muitos vilarejos. Cruzamos com o famoso trem vermelho, que um dia pretendemos ter a oportunidade de conhecer. Subimos as montanhas com muita neblina e neve para todos os lados. A mão congelava e tivemos dificuldade para filmar e fotografar. E assim continuamos na estrada, pois tínhamos de chegar a Milão antes das 17h, para entregar as motos.

Cruzamos com muitos motor homes em viagem. Passamos em um Auto Grill, onde abastecemos pela última vez. Na estrada chegando a Milão pegamos um trânsito intenso, mas conseguimos chegar na H. P. Motorrad às 16h30 para devolver as máquinas alugadas. Faltava acertar a quilometragem da moto, pedágio e GPS. E assim concretizamos um sonho!”.

Obs.: Os valores citados na matéria são de 2014, portanto, não devem ser usados como base para viagens atuais.

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