On The Road – Viagens dos sonhos – Alpes

Motociclistas brasileiros curtiram as incríveis estradas, cidades e paisagens dos Alpes

Texto: Natal José Dias
Fotos: Hilda Dias, Fernando e Natal José Dias

Natal José Dias é um motociclista com muita experiência em viagens pelo Brasil e pelo exterior. Seja para ir a um encontro, seja em uma longa jornada, Natal não abre mão da oportunidade de colocar sua máquina na estrada. Conhecer os Alpes sempre esteve em seus planos, um sonho que ele finalmente realizou no fim de 2012. A seguir, confira o relato do viajante.

O INÍCIO

Programei esta viagem aos Alpes para outubro de 2012 e contei com a importante colaboração da equipe da Harleytours. Viagem, estadia, aluguel da motocicleta, roteiro, apoio e um grupo de mais 19 motociclistas, além de carros de apoio, integraram o tour. Deixamos o Brasil e seguimos em um voo direto para Zurique (Suíça). Um ônibus já nos aguardava, fazendo um translado para a cidade de Thun (Suíça), onde pegaríamos nossas motos na manhã do dia seguinte.

Thun é uma comunidade do Cantão Berna, com cerca de 42 mil habitantes e que fica no sopé dos Alpes Suícos. É cortada pelo Rio Aar, que embeleza a cidade, e suas alamedas acomodam inúmeros restaurantes. Lá, a dica é curtir o entardecer degustando uma boa cerveja e petiscos. Não deixe de visitar, ainda, o Castelo Medieval do século XII e o Museu de Armas e Armaduras.

No dia seguinte, pegamos nossas motos. As marcas eram variadas e nosso grupo podia escolher entre BMW, Harley-Davidson e Honda. Eu e minha esposa, Hilda, optamos por uma Harley-Davidson 2011 Softail Heritage, de 1.600cc. Pouco depois, já estávamos na estrada. Nosso objetivo era a cidade de Konstanz, na Alemanha, cruzando o Passo Susten, com 1.857 metros de altitude. Optamos por rodar fora das autopistas para desfrutarmos da paisagem do interior da Suíça, bem como de sua comunidade rural, organizadas em vilas.

Ladeamos o lago Thun por uma excelente e sinuosa rodovia que cortava túneis escavados nas rochas e sombreada por gigantescas árvores nativas.

Iniciamos a subida da montanha. As curvas em forma de ferraduras, as sequências em “s” e os penhascos exigiam do grupo de pilotos (e garupas) atenção e maestria, já que o trânsito nos dois sentidos comprimia as motos ora contra os paredões, ora contra os penhascos.

Aos poucos, os picos nevados foram surgindo. Rodamos alguns quilômetros pela autopista e chegamos a Konstanz (Alemanha) ao cair da noite. Ao todo, rodamos aproximadamente 370 km. À noite, participamos da tradicional Oktoberfest.

DIA ESPECIAL

Konstanz tem aproximadamente 82 mil habitantes e é servida pelo Rio Rhein. Uma dica é visitar a Ilha Mainau, com seus famosos jardins, restaurantes e o luxuoso Castelo Reichenau, tombado pelo Patrimônio da Humanidade – hoje, um complexo de museu e lojas de souvenires. Circulam pelo castelo muitas pessoas trajadas com vestes da época. As Igrejas, museus e ruas estreitas não podem ser esquecidas, assim como uma visita ao porto (para se conhecer a famosa estátua Impéria). Depois de passearmos pela cidade, seguimos viagem e tivemos um dia especial, pois rodamos por quatro países: Alemanha, Suíça, Áustria e Itália. Cada fronteira tem suas especificidades (a italiana foi a que mais tempo nos segurou).

Enfrentamos, no mesmo dia, sol, garoa e forte neblina, que nos acompanhava à medida que avançávamos pelas fazendas e estradas vizinhas (que mais pareciam caminhos, de tão estreitas e belas). Esta região se caracteriza pelas pequenas comunas, com criação de gado de leite e cultivo de legumes, verduras e cereais. Nota-se constantemente um cheiro forte de produtos para controle sanitário em todas as fazendas. Dica: para circular nas autoestradas e vias rápidas da Áustria, é necessário adquirir o selo de trânsito, um seguro especial à venda nas lojas de correios, seguradoras, estações de serviços e postos de fronteiras. A velocidade nas autoestradas que percorremos vai além dos 130 km/h. Feito isto, iniciamos a subida dos Alpes no lado austríaco, com destino ao lado Italiano, cruzando os Alpes pelo Passo Sella. Caracterizada por grandes formações de pedras, curvas fechadas, subidas íngremes, “oitos” e gravata borboleta, a montanha mostra suas cicatrizes do total desgelo que sofreu no último verão. Contam os moradores que, a cada ano, a neve dura menos, o que prejudica as atividades das estações de esqui. A descida para a o lado Italiano, com destino a Cortina D’Ampezzo, foi de tirar o fôlego. Perduraram as mesmas formas de curvas, agora, em descida em faixas com trânsito nos dois sentidos. Fomos brindados com um longo trecho de curvas mais alongadas, túneis escavados na pedra e faixas de mata nativa até a chegada, ao anoitecer, à aconchegante cidade, com não mais de 6 mil habitantes, uma famosa estação de esqui e por ter sediado as Olimpíadas de Inverno de 1944 e 1956. Rodamos cerca de 450 km.

VENEZA

Nosso comboio deixou para trás a linda Cortina D’Ampezzo e rumou para o litoral italiano. 270 km nos separavam da bela Veneza. Rodamos pelo Parque Naturale Regionalle Delle Dolomitti Friulani, com a paisagem dos Alpes às nossas costas e cruzando por pequenas vilas. Adentramos a autoestrada, reduzindo o tempo de nosso trajeto. Chegamos a Veneza às 15h00. Hospedamo-nos em Mestre, próximo da grande ponte com acesso a Veneza – terra de Vivaldi e um reduto dos apaixonados. Difícil acreditar que tal obra esteja sustentada por palafitas. Circulamos por suas ruelas, becos e pontes sobre canais. Um passeio de gôndola, comer pizza em pedaços e visitar museus e igrejas são itens obrigatórios em qualquer roteiro local. Uma dica é pegar o Vaporeto na Piazza Della Roma e seguir até o ponto final, na Ilha de Murano.

Em seguida, nosso destino era Sestri Levante. Rodamos por uma bela autopista, pois queríamos passar por Maranello, a casa da Ferrari. Curtimos muito o trecho de acesso a Maranello, com sua bucólica estrada e pequenas vilas. Um charme.

NICE

No dia seguinte, o destino era a cidade francesa de Nice. Fomos, então, rodar pela famosa “Costa Azurra”. Neste roteiro, não poderiam faltar um passeio por Mônaco e fazer, de moto, o famoso circuito. Confesso que o acesso à cidade (de ruas estreitas e curvas tortuosas), em cima de uma Harley-Davidson e com garupa, não é fácil. Além disso, um trânsito caótico nos recebeu “de braços abertos”. Mas valeu a pena rodar por lá e, depois, seguir para Nice, que conta com um bom comércio, restaurantes e com a prática de topless em suas praias. A dica é visitar, a pé, a parte velha da cidade, com seus casarões, viadutos, praças e jardins, retornando ao centro de bonde (que circula por toda a cidade).

Ainda em território francês, nossa próxima meta foi chegar à região de Provence, na pequena cidade de Mazan, com cerca de 4.500 habitantes (e protegidas por muros do século XIV. O caminho, de aproximadamente 400 km, é caracterizado por belas montanhas, muitas curvas e paisagem deslumbrante. Nas pequenas vilas pelas quais passávamos, a estrada transpunha pequenos becos e ruelas, nos levando aos tempos medievais. Hospedamo-nos em um castelo medieval e nosso quarto, com duas portas enormes, dava para um imenso jardim em forma de labirinto.

LUGARES CHARMOSOS

Seguimos viagem, agora, rumo ao norte da França, ainda cruzando por pequenos vilarejos e montanhas. Íamos para a mais charmosa cidade dos Alpes, Chamonix, em um percurso de 450 km. Vales ainda verdes e coloridos pelo outono emolduravam nossa passagem.

Chamonix fica no Mont-Blanc. Seus restaurantes, cafés e comércio são movimentados à noite, o que dá um charme especial à cidade. Após um belo pernoite, o dia amanheceu nublado e muito frio. Mesmo assim, rumamos para uma travessia do famoso Mont-Blanc.

Aos poucos, o sol foi vencendo a neblina e nos brindou com raios brilhantes, formando uma paisagem única. O verde contrastava com os picos nevados e os tons azulados das rochas. A passagem pelo Mont-Blanc, última das montanhas dos Alpes pela qual rodamos, é digna de recomendação a todos os moto-turistas.

Ao fim do Mont-Blanc, estávamos novamente na Suíça, com destino a Thun. Pouco mais de 200 km de autoestrada nos separava do fechamento do círculo que fizemos pelas montanhas europeias ao longo de 13 dias. Chegamos à concessionária após 2.753 km rodados. Efetuada a devolução das motos, eu e minha esposa embarcamos no famoso Trem Bala e seguimos para Paris (França). O epílogo perfeito para uma aventura memorável!

*Matéria publicada na edição #149 da Moto Adventure.

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