Performance – Equilíbrio Delicado

Dicas para facilitar o trabalho de equilibrar a moto e melhorar a performance

Texto: Nenad Djordjevic Fotos: Arquivo/Donizetti Castilho

Ao manusearmos um objeto dependente de equilíbrio, como a moto, não nos damos conta – na maioria dos casos – de quantos aspectos têm de ser relacionados e tratados simultaneamente para que possamos promover continuidade no movimento, dotados de estabilidade.

Inicialmente, é preciso notar que qualquer moto é projetada por engenheiros de maneira a oferecer harmonia na distribuição de peças – e respectivos pesos –, de forma a manter a maior quantidade de massa possível, centrada. À medida que peças mais leves são incorporadas à moto, existe uma preocupação em que sejam massas iqualmente destribuidas entre direita e esquerda, bem como a frente e traseira, também. Qualquer excesso que tenha que estar concentrado em um ponto por necessidade delineia que uma massa proporcional seja colocada em posição oposta para promover o equilíbrio e gerar estabilidade, por não induzir qualquer tendência.

Mas essas massas são fixas, inalteradas, e a elas adicionamos peso e movimento quando acrescentamos o piloto. Frequentemente, não apenas o piloto, mas garupa e bagagem, também. Qualquer adição de massa deve seguir o conceito abordado tambem pelo engenheiro que projetou e construiu a moto, tentando se ocupar das mesmas preocupações e distribuir de maneira a interferir o quanto menos for possível.

Por esse motivo o uso de maleiros laterais é a forma mais apropriada para se carregar bagagens em motos – permite a distribuição entre lateral direita e esquerda, um centro de gravidade baixo, por estar o peso abaixo da linha do banco e fixação firme, permitindo que sua massa seja incorporada à da moto. Bagagens menores podem e devem ser acondicionadas no bagageiro ou banco do garupa, mas quando seu peso for relevante, deve-se levar em consideração distribuir o conteúdo também em uma mala de tanque, equilibrando parcialmente o peso com a traseira da moto.

Uma das coisas que poucos motociclistas se dão conta é a importância do peso do guidão – aquelas peças na extremidade das manoplas na maioria das motos. Basta que uma delas se solte ou se perca para ver a quantidade de desequilíbrio que causam. Outra maneira de atestar o mesmo é acrescentar peso em apenas um dos guidões, como uma sacola com um litro de leite. Não recomendo a experiência aos pilotos novatos e recomendo muito cuidado aos experientes, se tentarem fazê-lo. A pilotagem fica bastante comprometida e tendenciosa, exigindo a todo instante compensações por parte do piloto. A experiência acaba por ilustrar a necessidade da simetria na distribuição de pesos, mostrando como, de fato, podemos alterar a dirigibilidade apenas por acrescentar um acessório em local inconveniente.

Tenha em mente que alterações no guidão, como sua forma e dimensões, também acarretam uma pequena mudança no centro de gravidade – e podem modificar a pilotagem. Dependendo do propósito, pode até ser uma melhoria, mas ainda sou partidário da ideia de que os engenheiros que desenvolveram os produtos são bem mais capazes que meros usuários, como nós, para tomar tais decisões. Até alterações simples, como substituição dos espelhos retrovisores ou troca de manetes, podem alterar o comportamento da moto – boa parte não reconheceria essas mudanças, mas pilotos mais sensíveis e com apurado senso de equilíbrio poderiam facilmente perceber essas nuances.

Uma das coisas que mais interferem na boa manutenção do equilíbrio é o próprio piloto, com sua postura corporal. É importante que boa parte do corpo seja mantida de forma estável sobre a moto, evitando que a movimentação provocada pelo deslocamento se torne difícil de gerenciar. A melhor forma para a maioria dos modelos de motos é plantar bem os pés nas pedaleiras, usar o calcanhar como uma forma de trava para os pés ao pressionar levemente a estrutura da moto e os joelhos pressionando o tanque de combustível. Dessa forma, a parte superior do corpo é usada como massa oscilante em torno de um pivô central que, nesse caso, é representado pelo quadril. O tronco pode se movimentar tanto lateralmente quanto longitudinalmente, podendo neutralizar qualquer pequena mudança no centro de gravidade imposta pelo movimento, enquanto a parte inferior é mantida estável como sendo parte da estrutura da máquina. Com os braços bem posicionados e flexionados, poucas mudanças no centro de gravidade serão sentidas. Mas se, em contraposição, os braços forem utilizados de maneira a segurar o guidão mais rigidamente, qualquer abertura com os cotovelos, por exemplo, refletiria no comportamento equilibrado da moto.

Lembre-se sempre que, enquanto pilotamos, somos administradores de diversas energias e cabe-nos neutralizar forças para poder promover o equilíbrio. Usar todos os recursos disponíveis facilita o trabalho do piloto, garante um objeto mais estável para se lidar e, em última instância, torna a pilotagem mais prazerosa e menos cansativa. Pense nisso na próxima vez que carregar sua moto para viagem ou trocar um acessório. O perigo pode estar mais perto do que você imagina. Fique atento a todos os detalhes e curta seu “brinquedo” ao máximo!

Confira mais algumas dicas de performance.

*Matéria publicada na edição #118 da revista Moto Adventure.

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