Pilotando no exterior – Parte 2

Dicas de pilotagem e de comportamento em outros países

Texto: Equipe Trips & Tips e Nenad Djordjevic
Fotos: Arquivo

Que tal viajar de moto pelas Américas? Pode não ser fácil, mas também não é impossível. E certamente será inesquecível!

AMÉRICA CENTRAL

Uma dúvida comum entre os viajantes: é possível ir de moto até a América Central? De fato, a resposta é não; mesmo existindo uma ligação terrestre entre as Américas chamada “Estreito de Darien”, é uma regiao pantanosa com possíveis conflitos militares – portanto, o mesmo que “não há passagem!”

Transporte da moto pode ser feito a partir da costa norte colombiana em barcos sem linhas regulares. Dentre os relatos encontrados, ressaltamos os cuidados relativos à segurança, mal-entendidos nos combinados ou mesmo a longa espera para conseguir embarcar. A opção de transporte aéreo entre as capitais Bogotá/Colômbia e Ciudad Panamá/Panamá pode ser mais onerosa, porém, oferece conforto e praticidade. Em ambas as capitais, há empresas qualificadas que fazem os trâmites burocráticos com desenvoltura.

Na América Central as rodovias se mostram em bom estado. Com exceção das capitais, há pequenas vilas e cidades ao longo das rodovias. O controle de velocidade é rígido e existem radares móveis com bloqueios policiais praticamente a cada curva. A polícia se mostrou, em vários casos, exemplar, portanto, não cometa infrações de trânsito e não terá problemas.

Combustível, alimentação e hospedagem equivalem muito aos encontrados na América do Sul, tanto em qualidade quanto em custos. Ao longo de toda a América Central – Panamá, Costa Rica, Nicaragua, Honduras, El Salvador e Guatemala –, o aspecto negativo fica, sem dúvida, por conta das fronteiras e aduanas. São clássicos os relatos sobre os transtornos existentes nas fronteiras destes países – demora, burocracia, cobrança de taxas infundadas ou agentes aduaneiros inconvenientes. Incentivamos, no entanto, focar sua viagem nos aspectos culturais e naturais da região, que, certamente, ofuscarão os momentos perdidos nas aduanas.

MALHA RODOVIÁRIA

A malha viária desses países é interessante, por oferecer alguma diversidade para cada perfil de viajante. Pela costa, a viagem será mais cênica e rápida. A distância fica menor e o relevo plano incentiva o rendimento do deslocamento. Quem escolher seguir pelas capitais encontrará algum relevo sinuoso entre as serras existentes e maior movimento comercial de caminhões. Existem, ainda, caminhos alternativos pelo interior destes países, que acessam sítios arqueológicos, antigas vilas destruídas por vulcões, regiões agrícolas e muitos outros aspectos exóticos e culturais. Independentemente do roteiro, tenha um bom GPS carregado com os mapas atuais, pois a sinalização das rodovias não é o forte naquela região.

Em se tratando de estradas, a América Central apresenta algumas peculiaridades: geralmente não existem acostamentos praticáveis e há muitas pequenas escolas às margens da rodovia. Portanto, respeite os limites de velocidade, que variam “quando existem estudantes na via”. A polícia monitora constantemente a rodovia e faz abordagens para conferir documentos. Reforçamos a sugestão de seguir à risca as leis de trânsito, para não ter imprevistos com a fiscalização.

No aspecto “segurança”, a recomendação é clássica. Nunca prolongue a viagem até a noite e esteja atento ao horário de atendimento comercial sempre que precisar de qualquer recurso nas cidades menores: Tudo fecha no fim da tarde, incluindo postos de combustível e restaurantes. A vida noturna no interior desses países não é muito convidativa.

Ao longo dos países da América Central, o Dólar americano é aceito sem problemas, porém, a taxa de câmbio será irregular, o que incentiva a fazer a opção pelas moedas locais. Procure uma instituição legal para efetuar o câmbio, pois os cambistas ilegais certamente vão tirar vantagem na negociação!

A documentação exigida para transitar na América Central é a mesma conhecida por aqui. Nenhum país exige visto, sendo o passaporte válido o suficiente. Tenha a Carteira Internacional de Vacinação de Febre Amarela, habilitação original e a PID – Permissão Internacional para Dirigir.

Os trâmites da importação temporária da moto podem ser peculiares em cada fronteira – mas, em todas, o CRVL da moto é o principal. Recomendamos que a moto esteja quitada e em seu nome, para facilitar o processo. Caso contrário, tenha as autorizações do proprietário e da financeira. Em todas as fronteiras, agentes aduaneiros – a maioria, crianças – oferecerão ajuda nos trâmites alfandegários. Combine o preço antecipadamente e peça ajuda a um deles. Caso contrário, se tentar dispensá-los, irão boicotar seu processo naquela aduana.

*Matéria publicada na edição #133 revista Moto Adventure.

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