Que conforto! – Performance

Regulagens e boa postura melhoram a relação do piloto com sua moto

Texto: Nenad Djordjevic
Fotos: Trinity Ronzella

Boa parte dos motociclistas desconhece os recursos que suas motos têm para melhorar o posicionamento e a ergonomia. A maioria delas possui regulagens em seus comandos operacionais para um melhor acerto da interação do piloto com a máquina. Não são tão amplas quanto em um carro, mas, ainda assim, permitem ajustes que fazem diferença no final de uma longa viagem. Como as motos normalmente são pilotadas por um único indivíduo, essas regulagens são fixas e a maioria não pode ser executada sem ferramentas. Por conta disso, boa parte utiliza a moto e se adapta a ela com suas regulagens originais – quando ainda oferecem uma gama de soluções para melhorar a ergonomia do usuário.

Os punhos que sustentam os comandos do freio dianteiro e embreagem são, na maioria das motos, fixos ao guidão através de uma espécie de abraçadeira, e presos com um parafuso. Antes de serem apertados, permitem alguma amplitude rotacional para um bom ajuste do ângulo que formarão com a mão do piloto. O ideal é que esteja na presença de seu mecânico de confiança para executar esta e outras regulagens, pois, certamente, este profissional poderá orientá-lo quanto à amplitude ou viabilidade da ação. O que se busca nessa regulagem angular é um posicionamento neutro da mão sobre o comando, formando o menor ângulo possível da mão com o antebraço, quando os dedos estão estendidos sobre o manete que será operado. Quanto mais reta estiver, menor será a chance de um estrangulamento das veias que promovem a circulação sanguínea nessa região. Um bom ajuste nesta área permite livre  circulação, evitando a sensação de “formigamento” nos dedos, comum em trechos longos ou em motos com guidão em altura superior à linha do coração. Já em motos esportivas, esse fenômeno é mais facilmente associado a uma postura corporal errada, ficando o piloto excessivamente apoiado nas manoplas e estrangulando a passagem do sangue nesta região.

ESTABILIDADE E CONTROLE

Na parte inferior, os pés também podem vir a ter melhor estabilidade e controle se a moto possuir regulagens para a alavanca de câmbio e pedal do freio traseiro. Normalmente, as alavancas de câmbio possuem regulagem através de varetas rosqueadas, enquanto outras podem ter apenas regulagem por encaixe no eixo estriado do câmbio. Seja qual for, busca-se por um posicionamento mais natural do pé em situação de pilotagem. Isto quer dizer que, quando o piloto estiver sentado na moto com o pé colocado sobre a alavanca de câmbio em posição de atuação, o ângulo que seu pé forma através da junta do tornozelo com a perna deve ser o mais neutro possível, preferencialmente, próximo a um ângulo de 90°. Como dito anteriormente, esse posicionamento mantém a melhor circulação sanguínea na região.

O pedal do freio é um pouco diferente, nem sempre permitindo esse tipo de ajuste – mas, em motos onde permite, deve ser ajustado em altura seguindo os mesmos parâmetros da alavanca de câmbio. A busca é por neutralidade no posicionamento dos pés.

Tanto as mãos quanto os pés devem encontrar uma posição que ofereça simetria, para não ficar com a impressão que um pé ou mão esteja mais baixo que o do lado oposto. Isto garante mais estabilidade corporal em cima da moto.

AMPLITUDE TOTAL

Muito do conforto também se relaciona com a consciência situacional e relaxamento durante a pilotagem. Para melhor controle do que se encontra à nossa volta, é preciso que os espelhos estejam regulados de modo a oferecer o máximo em amplitude. Para regulá-los, sente-se na moto em posição de pilotagem, usando o capacete. Regule os espelhos primeiramente no eixo vertical, afastando-os de você – e depois, os trazendo em sua direção, até que, na parte interna dos espelhos, fique visível apenas um pedaço de seu próprio corpo (normalmente, o braço ou o ombro). Nessa posição você estará cobrindo o máximo da visão que tem atrás de si. No plano horizontal, ajuste a altura do que vê atrás de maneira que a linha do horizonte se encontre, aproximadamente, no meio do espelho, oferecendo a visão de parte do chão e do céu. Uma vez ajustados, identifique o objeto que consegue ver na extremidade externa de ambos os espelhos e rotacione a cabeça para o lado, até que possa identificar esse mesmo objeto. Repita a ação algumas vezes para memorizar o quanto precisa rotacionar a cabeça para cobrir todo o lado que o espelho não cobre. É importante estar de capacete, pois este também restringe parte de sua visão. Executando esse exercício, sempre que virar a cabeça para o lado com a mesma amplitude, você terá certeza de ter coberto tudo ao seu redor.

ESTEJA PREPARADO!

Nosso corpo influencia significativamente o movimento, exigindo disposição e prontidão para executar diferentes movimentos que visem obtenção de melhor equilíbrio. Para tanto, é preciso estar preparado – antes de pilotar, faça uma série de alongamentos para os braços, dedos, ombros, pescoço, quadril, costas, pernas e pés. Se possível, busque orientação profissional para não lesar nenhum músculo. Um bom alongamento coloca o corpo em estado de prontidão, evitando o cansaço e a consequente fadiga muscular. Durante a pilotagem, procure manter as costas retas, os braços relaxados, as pernas firmes na estrutura da moto e os pés bem plantados nas pedaleiras ou plataformas. Nas motos com pedaleiras, sempre que a situação permitir, os pés devem ser recolhidos para uma posição em que a junta dos dedos, e não o centro do pé, incida sobre a pedaleira. Dessa forma obtém-se melhor apoio, mas perde-se a presteza operacional, por estar afastado do comando. Daí a postura ser reservada para situações onde se tem razoável certeza de que o comando não será utilizado com frequência.

A combinação desses elementos permite uma atuação mais eficiente sobre a moto, reduzindo o cansaço e prolongando o prazer da pilotagem. Experimente!

*Matéria publicada na edição #103 da revista Moto Adventure.

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