Depois de alguns meses pelo Brasil afora, o Campeonato Brasileiro de Rally voltou ao estado de São Paulo em uma prova muito disputada

TEXTO: DONI CASTILHO

FOTOS: DONI CASTILHO, VIRGÍLIO CRUZ, NELSON SANTOS JR E FERNANDO JS.

São Manuel, interior de São Paulo, recebeu os competidores do Rally Serra Azul, entre os dias 11 e 13 de outubro, para 109 km de trechos cronometrados de pura diversão. Afinal, dia de 12 de outubro foi o Dia das Crianças – e uma das melhores formas de se divertir e vivenciar a infância novamente é praticar algo que se gosta. Em dois dias de disputas, os 65 veículos inscritos, 49 UTVs e 16 motos, completaram os 306 km de percurso, divididos entre 109 km de trechos cronometrados e 44 km de deslocamentos, no sábado e domingo.

O Rally Serra Azul foi disputado embaixo de muito sol e calor e, é claro, muita poeira! As disputas foram eletrizantes, com equipes enfrentando todos os desafios: terra batida, areia, lombas, mudanças de direção e curvas acentuadas, tudo sempre cercado por plantações de cana de açúcar das fazendas da região. Na disputa de motos, sagraram-se campeões o trio da Yamaha, Bruno Leles, na geral, e na categoria Production, para completar o pódio, Ricardo Martins e Jomar Grecco, na Super Production.

Depois de dois dias de prova, apenas 21 segundos de diferença separaram Bruno Leles e Ricardo Martins, o que mostra que a disputa entre os pilotos da Yamaha foi até o último metro de prova. “A briga foi boa! Ricardo andou na frente, ontem, mas estávamos bem próximos. E hoje, já sabíamos que o terreno estaria bem diferente, por todo mundo já ter passado no mesmo percurso. Particularmente, gosto de terrenos mais técnicos. Tinha bastante buraco e cava, deu para se divertir. Nos radares, continuamos bem próximos, no modo “racing”, mas consegui tirar a diferença e garanti o título da prova”, afirmou Leles, de Uberlândia (MG).

Nos quadriciclos, o campeão foi Richard Amaral (Suzuki). “Na segunda especial, achei que seria mais complicado, devido a um capote que levei na especial de ontem – a mão ainda está um pouco inchada. Mas fiz uma disputa bem segura. Consegui andar junto com as motos ponteiras e completar novamente entre os quatro primeiros na geral. No mês que vem, estaremos no Rally Rota Sudeste, em Lençóis Paulista”, comemorou o piloto de Suzano (SP).

Nos UTVs, a vitória na geral ficou com o piloto Bruno Varela (Can-Am), na Geral e na categoria Elite, em segundo e terceiro, ficaram Otávio Leite (Can-Am) e Maurício Rocha (Can-Am). “Estou muito feliz! No sábado, alguns imprevistos me tiraram a chance de garantir a primeira posição, mas, hoje, foi perfeito – uma prova totalmente limpa e espetacular. Consegui manter um ritmo consistente, ganhar o dia e tirar a diferença que tinha na geral para sair daqui vitorioso. Tivemos uma prova muito prazerosa e bem organizada”, disse o paulista de Barueri.

Destaque, também, para a dupla Fábio Pirondi/Flávio Bisi #149, que foi campeã na UTV Double. Mas a vitória não foi fácil, como relata Bisi. “Quebrou a homocinética no começo da Especial e ficamos em 4×3, o que prejudicou um pouco a pilotagem. Ainda assim, quase mantivemos o tempo de ontem e acabamos em segundo no dia. Mas isso não prejudicou a nossa vitória e estamos muito felizes”, afirma Pirondi, que venceu sua segunda prova consecutiva em sua primeira temporada no rali. “Que aula de rali tive com Flávio! Evoluo a cada prova e cada vez mais amo este esporte”, completa o piloto de Americana (SP).

“Tivemos uma prova um pouco conturbada, devido ao problema com a homocinética. A prova estava mais travada devido aos facões, muito areião e ao dia estar mais quente. Tivemos que segurar um pouco para não arrebentar a correia, mas, no final, tudo deu certo e vencemos. Gostei da prova e estou muito satisfeito com o resultado”, diz o navegador mineiro. No acumulado dos dois dias, a dupla fechou em 3h04m42s, com quase 5min na frente do segundo colocado.

O próximo desfio será o Rally Rota Sudeste, em Lençóis Paulista (SP), nos dias 9, 10 e 11 de novembro, válido para o Campeonato Brasileiro de Rally Baja (CBM) e Cross Country (CBA).

CLASSIFICAÇÃO FINAL DO 5º RALLY SERRA AZUL

MOTOS E QUADRICICLOS

1) 10 Bruno Leles, Yamaha YZ 450fx, Use Motos Yamaha Racing Blue, (1) MPDA, 2h59m42s

2) 4 Ricardo Martins, Yamaha WR 450, Yamaha, (1) MSPD, 3h00m03s

3) 21 JomarGrecco, Yamaha WR 450, Yamaha O2bh Racing, (2) MSPD, 3h04m42s

4) 29 Richard Amaral, Suzuki LT-R 450, Amaral’s Racing, (1) QDA, 3h13m17s

5) 25 Valmir Polaco, Honda CRF 250F, (1) MNAC, 3h24m04s

UTVS

1) 102 Bruno Varela, Can-AmMaverick X3, Varela Rally Team, (2) UPE, 2h52m18s

2) 137 Otávio Leite, Can-AmMaverick X3, Transmáquinas Racing, (1) UPR, 2h54m13s

3) 105 Maurício Rocha, Can-AmMaverick X3, Quadrijet Racing/ Utv Off Road Brasil, (2) UPE, 2h54m46s

4) 104 André Hort, Can-AmMaverick X3, MH Racing, (3) UPE, 2h55m41s

5) 154 Richard Fliter, Can-AmMaverick X3, Casarini Racing, (2) UPR, 2h55m43s

RESULTADOS COMPLETOS:

http://www.chronosat.com.br/2019/cc/serraazul/

FILHA DE PEIXE, PEIXINHO É!

Mais uma integrante da nova geração de pilotos é apresentada ao rali. Desta vez, trata-se de Nicole Domingues, filha mais nova do piloto Edu Piano, que estreou nos ralis com apenas 13 anos, a bordo de um UTV pela categoria Start. “É muito gratificante, com quase 30 anos de off-road, ver minha filha estrear aos 13 anos, depois que meu filho começou a andar há alguns meses. Para mim, será uma emoção muito grande, confesso que estou mais ansioso do que ela. Esse é o meu presente de Dia das Crianças para Nicole, faz tempo que ela queria participar de um rali”, diz, orgulhoso, o multicampeão dos ralis (que, entre os títulos, já conquistou oito no Rally dos Sertões, entre carros, caminhões e UTV).

Desde o início da temporada, Nicole faz alguns treinos leves com o pai, quando não está se dedicando aos estudos (ela cursa o oitavo ano do Ensino Fundamental). “Meu interesse pelo rali vem desde pequena, quando via meu pai correr e, a cada ano, foi aumentando”, diz a destemida Nicole, que também adora fotografar.

A estreia não poderia ter sido melhor para ela, que saiu em êxtase após ter completado sua primeira Especial. Com apenas 13 anos, ganhou o presente que mais queria no Dia das Crianças: competir em um rali (e ainda por cima, com o pai, Edu Piano, navegando). “Foi maravilhoso! Gostei de tudo, principalmente dos saltos, que davam um friozinho na barriga. Depois que larguei, não senti calor e nem sede, pois era muita concentração e meu pai foi bem tranquilo, me dando dicas e me ajudando muito, principalmente nas curvas, onde tive mais dificuldades”, diz a piloto.

Acostumada a ver a coleção de troféus do pai, Nicole, agora, conquistou o seu. “Ela andou super bem, sem nenhum susto. Obviamente, ainda tem muito a evoluir, mas isso faz parte. Por ter sido a primeira vez, foi bem demais”, avalia Piano.

“Foi legal demais. É um esporte mais bruto, mas gosto de aventura e me apaixonei pelo rali”, conclui Nicole, que não vê a hora de disputar a próxima prova. E como diz o ditado popular: filho de peixe, peixinho é!

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