Roteiro: Pilote pelas Terras Altas da Mantiqueira

Cachoeiras, montanhas e araucárias circundam pequenas estradas de terra que cruzam parques e lindas paisagens no sul de Minas Gerais

Texto: Celso Renato A. da Silva
Fotos: Celso Renato A. da Silva, Marco Mendes e Alberto Piva

Terras Altas da Mantiqueira é a denominação dada a um circuito turístico que reúne oito municípios do sul de Minas Gerais: Aiuruoca, Alagoa, Itamonte, Itanhandu, Passa Quatro, Pouso Alto, São Sebastião do Rio Verde e Virgínia. Coberta por vegetação de Mata Atlântica, a região tem atraído cada vez mais turistas que buscam desfrutar do “clima europeu” que o circuito oferece (temperaturas entre 5 graus negativos e 27 graus positivos), paisagens deslumbrantes, comidas típicas de regiões frias, culinária mineira, belas cachoeiras e prática de esportes radicais.

DIVERSÃO GARANTIDA

Para descobrir um pouco desse circuito, montamos um roteiro que tem início na cidade de Aiuruoca e término em Bocaina de Minas. O percurso tem aproximadamente 100 km, com 90% em terra. Para chegarmos até Aiuruoca, a partir de São Paulo, optamos pela Rodovia Presidente Dutra, e iniciamos a nossa subida para a Mantiqueira pela cidade de Cruzeiro (SP). Essa estrada, que faz a ligação da rodovia Presidente Dutra ao nosso destino inicial, já seria um roteiro maravilhoso, pois sua serra possui paisagem deslumbrante e pista sinuosa com grande parte do asfalto em excelentes condições e uma engenharia de primeiro mundo. Suas curvas estão com inclinação positiva, o que aumenta muito a segurança e o prazer de pilotagem. Vale citar que todo esse trecho acontece através de estradas asfaltadas e com boa sinalização.

PEQUENA CIDADE

Aiuruoca é uma cidade pouco conhecida, mas com atrativos que fazem a viagem valer a pena. Está localizada em região com paisagens exuberantes, muitas cachoeiras, trilhas, montanhas e bosques de araucárias. O município faz parte também do circuito turístico Montanhas Mágicas de Minas e da Estrada Real. Tem áreas preservadas no Parque Estadual do Papagaio, no famoso Vale do Matutu e também na Serra da Mantiqueira. Essa bucólica cidadezinha do sul de Minas Gerais, com pouco mais de 6.000 habitantes, vive sob a influência da pecuária leiteira, embora suas origens remontem à corrida do ouro nas Minas Gerais. Seu relevo montanhoso e acidentado é composto por inúmeras nascentes, corredeiras, cachoeiras, vales e trechos ainda preservados da Mata Atlântica. Assim surgem mais de 80 cachoeiras e ribeirões.

O Pico do Papagaio (a 2.100 metros de altitude) é o símbolo e o principal atrativo de Aiuruoca e, ao chegar ao seu topo, o visitante irá deslumbrar- se com uma indescritível vista panorâmica, pois lá de cima avista-se o Pico das Agulhas Negras, ao sul, a Chapada das Perdizes, ao norte, e inúmeras elevações e cidades próximas, como Baependi, Alagoa, Itamonte e Pouso Alto.

ROTEIRO

Iniciamos o percurso por uma estrada de terra ampla, que permite o fluxo de qualquer tipo de veículo e uma boa velocidade de deslocamento: a estrada Aiuruoca- Alagoa, que possui paisagem formada por morros e muitos pastos. Além disso, ela é acompanhada praticamente em todo o seu percurso pelo Rio Aiuruoca. O primeiro ponto com moradias é o vilarejo de Campina, que não possui nenhuma estrutura de suporte para os turistas, mas, como é característico no interior de Minas, tem uma bonita igreja em uma praça. Após a parada para fotos seguimos pela estrada até Alagoa, cidade que possui pequena infra-estrutura para turismo. Atravessamos a cidade e prosseguimos pela estrada Alagoa-Itamonte. No início desse trecho, a pista surge com calçamento em bloquetes de concreto e, na sequência, novamente terra. E conforme vai se aproximando do Parque Estadual da Serra do Papagaio os pastos são substituídos pela vegetação primária e o piso da estrada passa a ser mais rústico, com pedras e facões, exigindo maior habilidade e atenção.

Vale lembrar que o Parque Estadual da Serra do Papagaio abriga um importante remanescente de Mata Atlântica do Estado e engloba importantes conjuntos montanhosos das Serras do Garrafão e do Papagaio, apresentando cerca de 50% da área com declividade acentuada e altitudes acima de 1.800 m. As encostas mais elevadas localizam-se no sul (Morro da Mitra do Bispo, com 2.149 m) e ao sudoeste (Pico da Bandeira, com 2.357m, na Serra do Papagaio). O parque se interliga, geograficamente, com a porção norte do Parque Nacional do Itatiaia.

A VIAGEM CONTINUA

Dentro do Parque Estadual pegamos a estrada Alagoa-Campo Redondo, no sentido Monte Belo. Conforme saímos do parque os morros de pastos ressurgem e, chegando a Monte Belo (um pequeno vilarejo), seguimos pela estrada Monte Belo-Santo Antônio. Ao chegar a este bairro, novamente encontramos alguma estrutura de suporte. Prosseguindo agora pela estrada Santo Antônio-Bocaina, encontramos a estrada de terra em bom estado, que permite condução tranquila até Bocaina de Minas, nosso destino final.

BOCAINA DE MINAS

De gente simples e acolhedora, a cidade está situada em meio às matas e às montanhas verdes da Serra da Mantiqueira. É um refúgio para os amantes da natureza que apreciam o contato direto com o ar puro das montanhas, o sossego do interior e as tradições de Minas Gerais. Seu característico relevo acidentado dá origem a cachoeiras e piscinas naturais capazes de deixar deslumbrado qualquer visitante. Nas imediações da cidade encontram-se várias cachoeiras, como a de Santa Clara, Alcantilado e Rio Grande, algumas pertencentes ao Parque Nacional do Itatiaia.

Para os amantes do off-road, não faltam estradas e trilhas que levam a belos recantos no município.

Uma curiosa lenda marca a história da cidade de Bocaina de Minas. Segundo ela, dois fazendeiros, proprietários de grandes extensões de terra na região onde hoje se situa o município, por volta de 1790, decidiram iniciar um povoado. Indecisos quanto ao melhor local para implantá-lo, resolveram sair a cavalo, cada qual de sua fazenda, e erguer uma capela no local onde se encontrassem. Assim fizeram e o povoado nasceu ao pé do Pico da Bocaina, na Serra da Mantiqueira.

Nessa viagem a moto utilizada foi uma Ducati Multistrada 2015, excelente para viagens longas com extremo conforto e apta a trafegar em estradas terra. Ela vem com os pneus Pirelli Scorpion Trail, que garantem a segurança em pisos secos.

Dicas: Passe pelo menos um dia inteiro em Aiuruoca para visitar as cachoeiras, piscinas naturais e mirantes.

Quando iniciar o roteiro saia com o tanque cheio, pois gasolina novamente somente no final do percurso.

ONDE FICAR

Em Aiuruoca:

Pousada Dudu (35) 9813-0020.

O proprietário dessa pousada é trilheiro e conhece várias opções de passeios pela região. Fica na rua Antônio Gonçalves, 101, Centro.

Estalagem Mirante (35) 9983-1400

Estrada Aiuruoca/ Alagoa, km 4

Em Bocaina de Minas:

Hotel Fazenda Moinho D’Agua (32) 3294-1297 / (24) 99983-9045.

www.moinhodagua.com.br

SERVIÇOS

Trail Trip (11) 99296-4677

Fale com Celsinho, que organiza trips on e off-road Brasil afora.

APOIO

ASW – Ducati

Matéria publicada na edição #179 da Revista Moto Adventure

 

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