A Harley-Davidson Fat Boy foi testada e aprovada por um de nossos leitores, que passa agora suas impressões de pilotagem sobre essa máquina. Confira!

TEXTO: PAULO FRANCHETTI

FOTOS: DIVULGAÇÃO

O relato

Finalmente consegui testar a nova Harley-Davidson Fat Boy. E foi fácil encontrar uma palavra para descrevê-la: FENOMENAL! A palavra me surgiu em meio a outras que aqui não devo publicar, porque expressavam a minha surpresa boa, embora sejam de baixo calão. De fato, eu ficava dizendo PQP e outras coisas do naipe, em entusiasmo a cada acelerada violenta.

Não sou um motociclista nada especial, sou o comum da loja. E, por isso mesmo, creio que as minhas impressões possam ser compartilhadas com outros como eu – pilotos médios, que têm a moto como diversão – e, nesse sentido, é até possível que a minha avaliação possa ser útil, por mais simples que seja.

Dito isso, vamos aos fatos:

Suspensão: Quando peguei a moto, esse era o meu principal interesse, pois é a parte totalmente nova. O motor eu já conhecia, embora da linha touring. Mas a suspensão eu nunca tinha experimentado.

Regulagem: Andei um pouco e achei que a moto estava frouxa na traseira. E aí foi a primeira alegria: a gente consegue regular a suspensão sem descer da moto. Basta parar, colocar no descanso (ou não) e girar a regulagem. Primeiro coloquei no 2,5. Não ficou bom para os meus quase 90 kg, então encostei de novo e pus no 3.0 (vai até 5), e a moto ficou lisa, perfeita, firme nas curvas de alta da D. Pedro, e suficientemente macia para o pavimento brasileiro. Ficou realmente fantástica a suspensão, pela combinação da capacidade de absorção das irregularidades do asfalto sem perder a rigidez do chassi! Nada a ver com as canequinhas das Dynas ou com o amortecedor das antigas Softails.

E as curvas ficaram ainda melhores por conta de a moto já não raspar as pedaleiras. De fato, nas anteriores Softails (tive uma De Luxe), quase que bastava a gente olhar para a curva para a pedaleira raspar. Agora, há muito mais margem de inclinação, de modo que só duas vezes senti a pedaleira raspar – e apenas no pino ali colocado para ser arranhado mesmo, preservando o cromo e evitando aquele aspecto de meia lua roído que a gente se acostuma a ver nas H-Ds. Nas curvas, o pneuzão traseiro se comportou bem, e não parecia tão grande – pelo contrário. A motocicleta ficou leve e quando cheguei de volta, vi que o pneu foi usado sem resistência até quase o limite, tendo a moto raspado quando restava ainda um centímetro de banda. Tanto em baixa, na Av. Mackenzie, quanto em alta na D. Pedro, a moto foi perfeita. Sem exagero, a melhor H-D que pilotei até agora!
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O motor: Aqui está a cereja do bolo! Podia ser uma cereja maior. Digo: eu podia ter testado uma Fat com motor 114. Mas já com o motor 107, a moto é uma brutalidade de torque! Antes de testar, conversava com o um amigo e ele me dizia que tinha pilotado a 114, e a impressão era de que estava numa esportiva. E outro conhecido também me transmitiu o depoimento no mesmo sentido. Eu não disse nada, mas não acreditei muito. Mas agora, sei que é verdade: eu já senti isso na 107, imagine na 114!

A verdade é que o motor tem um rendimento assustador: a gente anda em qualquer marcha (menos a sexta) a 60 km/h. E em qualquer marcha ela tem, a 60 km/h, capacidade de aceleração. Na Av. Mackenzie, eu ria sozinho dentro do meu capacete e fazia comentários para mim mesmo, me divertindo em terceira marcha, em acelerações fantásticas. E depois, na D. Pedro, o motor inteiro se revelou: eu podia continuar ali por algumas horas, apenas pelo prazer de sentir os dois enormes pistões batendo cadenciados, o ruído dos escapamentos originais (que são semiesportivos), e a forte recuperação da velocidade, no torcer do cabo. E é verdade: o motor não vibra nada. Mas a cadência dos cilindros em V é pura Harley-Davidson!

Andei em várias velocidades e sempre tive boa resposta. Em 6ª marcha, a 120 km/h, o motor gira a 2600 rpm. Ou seja, com folga, pois ele corta a 5400. A 140 km/h estamos com 3100 rpm. E a 160, a 3600 rpm. Em qualquer dessas velocidades, o motor está confortável e responde imediata e convincentemente ao acelerador, sem necessidade de reduzir.

Finalizando: Quase não há mais o que falar, mas não posso deixar de comentar a posição de pilotagem, que me pareceu ótima: o enorme guidão em formato de chifre pode não ser tão confortável em manobras apertadas de baixa, mas para andar na pista não tem igual. A moto, no geral, parece muito mais leve que as anteriores Softails. O banco é firme, mas não é duro, e os instrumentos são eficientes. Também, é claro, para desencargo de consciência, testei os freios em várias situações e aqui vai outro elogio para a suspensão, pois a frente é firme, não afunda, e a traseira continua o traçado, dada a sua notável rigidez.

De modo que só me resta concluir reafirmando que o adjetivo que me ocorreu, logo nas primeiras aceleradas e nas primeiras curvas, é mesmo o mais indicado para descrevê-la. E eu acrescentaria outros: essa moto é fenomenal, harmônica e poderosa. E bela! Tem tudo para ficar na história e substituir, com muitas vantagens, a sua mítica antecessora.

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