A última fronteira – Alasca

Uma viagem fantástica a um território inóspito: o Alasca, com suas paisagens deslumbrantes

Texto: Nuno Leotte
Fotos: Nuno Leotte/Premium Adventures

O Alasca figura naquela lista “básica” de lugares míticos para os quais, algum dia, todo viajante gostaria de ir. Não é uma longa viagem, mas, nem por isso, é menos interessante ou desafiadora. Ao contrário: em sete dias de aventura sobre duas rodas, são percorridos cerca de 3.500 km, dos quais 70% são feitos por estradas de terra. Com partida e chegada em Anchorage, fiz esta viagem até Prudhoe Bay, norte do Alasca, onde está o maior centro de extração de petróleo local.

VASTIDÃO

O Alasca é um dos 50 estados dos EUA, e o mais amplo em extensão territorial. Supera, em tamanho, o Texas, a Califórnia e Montana, juntos. Também é o mais escassamente povoado do país. Se fosse independente, o Alasca seria o 17° maior país em extensão territorial. Faz fronteira apenas com o Canadá, território de Yukon e província da Colúmbia Britânica. A região foi comprada do Império Russo, em 1867, graças à insistência do então secretário de Estado norte-americano, William Henry Seward, por US$ 7,2 milhões. À época, Seward foi criticado por outros políticos e ridicularizado pela maioria da população, uma vez que muitos acreditavam que o Alasca não passava de uma região coberta de gelo imprestável e que só servia como morada de ursos. Mas descobertas de grandes reservas de recursos naturais atraíram milhares de pessoas à região, que se tornou mais populosa.

O Alasca, devido à sua grande extensão, tem climas diferentes, que variam de região para região. No geral, apresenta invernos longos e frios e verões amenos e curtos, com dias muito longos – daí o termo “sol da meia noite”.

O censo de 2000 estimou a população do Alasca em 626.932 habitantes. A economia é concentrada, especialmente, na exploração de recursos naturais – como o petróleo e os minerais. Mas a pesca (de caranguejo e salmão) e o turismo também são setores de extrema importância.

TRANS-ALASCA PIPELINE

Foi desenhado e construído com a finalidade de transportar o petróleo extraído para o norte, em Prudhoe Bay até ao Valdez Sul do Alasca. Tem 1.300 km de comprimento, cruza três cadeias montanhosas e atravessa mais de 800 rios ou cursos de água. Sua construção teve início em 1975 e terminou em 1977, custando US$ 8 bilhões. Para perceber a magnitude e a importância dessa obra extraordinária, é preciso dizer que esta “pipeline” fornece cerca de 20% de todo o petróleo consumido nos EUA e rende US$ 24 milhões por dia, US$ 1 milhão por hora!

UM BELO TRAJETO

Para encarar uma viagem de moto pela imensidão do Alasca, é necessário muito planejamento e experiência. Assim, procurei a Premium Adventures, empresa especializada em moto-turismo que leva turistas de diversas nacionalidades (com total segurança e tranqüilidade) a Prudhoe Bay, no Alasca. A empresa organiza tudo o que você imaginar. Os desafios desse tour são vários: a instabilidade das condições meteorológicas (possibilidade de chuva e frio, mesmo no Verão), as condições das estradas – sendo, estas, 70% de terra – e a quantidade e variedade de vida animal encontrada (ursos, alces, caribus etc.).

Com os TKC 80 montados e motos viradas para o norte, a viagem segue (no primeiro dia) de Anchorage até Sheep Mountain. É um trajeto bonito (grande parte dele é feita em asfalto). Os pontos altos do dia são a passagem pelo Hatcher Pass em estrada de terra, uma visita ao glaciar Matanuska e Lake Louise. Ao anoitecer, você segue para os alojamentos oferecidos por esse tour (no caso, a meio caminho entre o luxo e a simplicidade). Vale lembrar que, em lugares como Anchorage, Fairbanks e Denali National Park, existe, de fato, uma oferta hoteleira variada. Mas, como é de se esperar, quanto mais remoto o destino, mais limitada é a escolha.

VEGETAÇÃO DE VERÃO

No segundo dia, a viagem prossegue de Denali Highway ao Deanali National Park. Neste trecho, surge uma paisagem de cortar a respiração: lagos, montanhas nevadas e a vegetação de Verão cobrem a maior parte do território. Esses primeiros dias já são suficientes para percebermos o que os aventureiros (e amantes da natureza) buscam no Alasca. Já no terceiro dia, o GPS deixa de ser necessário, pois a referência para navegação passa a ser o Trans-Alasca Pipeline – que acompanha os viajantes até Prudhoe Bay. Esta estrada de terra, chamada Dalton Highway, foi construída para possibilitar a implantação da “pipeline” – e ambas as obras, extraordinárias, correm lado a lado por mais de 800 km, até Deadhorse.

PARADA OBRIGATÓRIA

Uma das paradas obrigatórias antes da chegada a Coldfoot é o monumento que simboliza a linha do Círculo Polar Ártico, no paralelo 66º. Ali acontece uma seção de fotos “obrigatórias”, afinal, todos querem registrar sua passagem pelo local. A viagem, então, prossegue até Coldfoot. Assim que se chega lá, temos uma sensação de conquista. Ao anoitecer, depois de um bom banho quente, somos brindados com um jantar ao estilo americano (para repor as energias e comentar as experiências vividas).

SEMPRE AO NORTE

Na continuação do trajeto para o norte, em direção a Deadhorse, a chuva, o frio e o nevoeiro são constantes. Deadhorse é a cidade ao fim da linha junto ao Oceano Ártico. É, também, a cidade do petróleo, do frio e do sol da meia-noite. Ela só existe pelo petróleo. Embora, ali, trabalhem diariamente mais de 3 mil pessoas, o último recenseamento, no ano 2000, revelou uma população residente de apenas… cinco pessoas! Ali, dada a natureza extrema e perigosa do trabalho, os turnos de produção e descanso duram duas semanas. Além disso, durante a maioria do ano, com exceção dos três meses de Verão, as temperaturas são baixíssimas, chegando aos 50 graus negativos. Nessas condições, e para não correr o risco de congelar os motores, os carros de trabalho (picapes e veículos pesados) ficam disponíveis 24 horas por dia. Todos são equipados com sistemas de aquecimento de motor. É um lugar de trabalho – e só de trabalho! Não há qualquer atividade possível, além da extração de petróleo. Bebidas alcoólicas são proibidas na cidade e quem infringir a regra, mesmo fora do horário de trabalho, é imediatamente despedido e deportado. Pode parecer estranho – mas é muito interessante conhecer Deadhorse.

VOLTA

No dia seguinte, é hora de voltar a Anchorage. Por incrível que pareça, há um grande contraste entre os dois trajetos. Para o norte, encontramos chuva, lama, nevoeiro e frio. Ao sul, o sol, estrada seca, temperaturas amenas e vida animal em abundância. Aliás, quando o sol aparece (e permanece!), um incrível efeito se produz nas pessoas que fazem essa viagem: todos se animam. Pilotar pelo Alasca é, realmente, uma experiência memorável. É a “última fronteira” – e uma garantia de grandes aventuras.

MÁQUINAS

Enquanto os pilotos descansam, o pessoal de apoio da Premium Adventures cuida da manutenção das motos, o que é um fator fundamental, devido às condições de terreno. Além da lavagem a jato de água (para retirar vários quilos de lama acumulada), algumas motos têm suas pastilhas de freio substituídas (a lama causa um desgaste anormal). A linha GS, da BMW, está preparada para enfrentar esse piso e as adversidades de uma viagem assim. Outro ponto positivo é a autonomia “extra” da GS 1200 Adventure, que faz dela a mais adequada para esse roteiro.

Mais informações:

E-mail: info@premiumadventures.tur.br

Tel.: (11) 2534-2300

*Matéria publicada na edição #135 da revista Moto Adventure.

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