Um olhar diferente do Rio de Janeiro: A bordo de um Scooter pilotamos por lugares inusitados

O Rio de Janeiro é, sem dúvida, um lugar de grande beleza. Mas a bordo de um scooter é possível descobrir muito mais dessa incrível cidade

Texto: Egon Jenckel
Fotos: Trinity Ronzella

O Rio de Janeiro não ganhou o apelido de “Cidade Maravilhosa” por acaso: com um charme que encanta turistas do mundo inteiro, o destino combina lindas praias e belezas naturais com a oferta cultural e de lazer de uma grande cidade. Não faltam lugares para se conhecer nesta incrível metrópole: o Cristo Redentor, símbolo da cidade, e que parece cuidar dela do alto do de seus 709 metros acima do nível do mar, é um lugar imperdível. Junto a ele surge o Pão de Açúcar e seu famoso bondinho. Isso sem falar das não menos famosas praias, como Ipanema, Leblon, Copacabana e outras de igual fama e beleza. Surgem ainda lugares como a Lagoa Rodrigo de Freitas, a Floresta da Tijuca, o Maracanã. Enfim, o Rio de Janeiro parece não ter fim, tantas são suas atrações.

ALGO NOVO NO AR

Apesar de saber dos encantos da “Cidade Maravilhosa”, resolvemos buscar algo diferente. O Rio de Janeiro, como qualquer outra grande capital brasileira, enfrenta sérios problemas no trânsito. Muitas horas são perdidas em engarrafamentos diariamente, atrapalhando o dia-a-dia da população e dos turistas. Em princípio, o transporte público deveria ser uma alternativa, mas não é. O taxi enfrenta o mesmo problema dos outros veículos para chegar aos pontos de maiores interesses, que não são poucos! Então, não temos alternativa, certo? Errado!

No Rio de Janeiro existe agora a opção de alugar um scooter e cruzar a cidade. E, melhor, você poderá contar com um guia especializado que o acompanhará nos passeios.

HAPPY MOTO

Localizada no Leme, a poucos minutos do aeroporto Santos Dumont, a Happy Moto foi a empresa que pensou em facilitar o deslocamento dos turistas que passam pelo Rio. Trata-se de um serviço já existente em cidades como Barcelona, Paris, Lisboa, Roma, Nápoles, Marrakesh, Bangkok, Hong Kong e Taiwan. E para que tudo ande bem, a frota dos scooters tem idade média de um ano e os veículos passam por revisões em oficina autorizada a cada 4.000 quilômetros. Essa frota é composta de scooters de 110cc e de 50cc e, para alugá-los, o cliente precisa ter no mínimo 21 anos e apresentar habilitação de moto ou carro (dependendo do modelo escolhido), cartão de crédito e identidade. A diária (24 horas com seguro) custa R$ 124,00 (valor referente à edição #165 da Moto Adventure) e pode ser negociada para mais dias. Os scooters têm opcionais como GPS com roteiros da cidade já gravados e capacete também para o garupa. Para grupos de mais de três pessoas, a Happy Moto oferece também “city tours” guiados com guias experientes no trânsito carioca e longa lista de pontos a serem visitados.

ACELERANDO

Nosso tour começou já no aeroporto Santos Dumont, onde o guia já nos aguardava com scooter e capacete. Logo nos juntamos a mais duas pessoas: Victor, da Argentina e Pepa, da República Checa. O roteiro foi escolhido para fugir da maioria dos pontos turísticos tradicionais da cidade, pois queríamos ver um Rio de Janeiro diferente. Em todos os pontos pelos quais passamos a quantidade de informações que nos foi passada era enorme e realmente valeu a presença do guia.

PASSEIO INUSITADO

Do aeroporto seguimos diretamente ao Lisetonga Hostel (10 minutos do aeroporto). Deixamos mochilas por lá e seguimos para a Urca. Atravessamos Botafogo, sempre com a vista do Cristo Redentor. Em seguida passamos em frente ao Parque Lage e Jardim Botânico, antes de entrar no túnel que liga a Lagoa a São Conrado. Pouco depois surgiu o lado inusitado deste passeio: seguimos para um mirante na Rocinha – temida favela anos atrás, mas que hoje, pela frequência de turistas que encontramos pelo caminho, se tornou mais um ponto turístico da Cidade Maravilhosa. A vista da Lagoa Rodrigo de Freitas, do Jockey, da Escola Americana, do Leblon e de Botafogo é impressionante. Fora isso, é impossível chegar de carro neste lugar graças às suas ruas estreitas e falta de locais para estacionar.

Daí seguimos para nosso próximo destino: a Vista Chinesa, que foi construída por chineses que vieram para o Brasil com o objetivo de desenvolver a cultura do arroz, mas acabaram trabalhando na construção de estradas.

Depois, e mais acima, chegamos à Mesa do Imperador, feita como ponto de parada e piquenique da Família Real. Por lá é comum a presença de macacos-prego. Em seguida fomos para o Alto da Boa Vista e entramos no Parque da Floresta da Tijuca. Conhecemos a Cascatinha do Taunay e o Museu do Açude, que era uma das residências de Raymundo Ottoni de Castro Maia, responsável pela revitalização da Floresta da Tijuca. Vale lembrar que Castro Maia ficou conhecido como “One Dollar Man”, por ter cobrado esse valor para fazer a revitalização do lugar. Seu museu relaciona o patrimônio cultural ao natural com obras de arte em um ambiente muito agradável.

MUITO MAIS

A seguir pilotamos para o Mirante Dona Marta, uma excelente opção para quem já conhece a vista do Cristo Redentor e não quer enfrentar filas.

Dali começamos a descer para Santa Teresa e as construções antigas, os trilhos de bonde e ruas de paralelepípedos nos remetia ao passado. Após uma íngreme ladeira estávamos ao lado dos famosos Arcos da Lapa (aqueduto do século XVIII) e, em seguida, poucos metros à frente, a Escadaria de Selarón, obra do artista chileno Jorge Selarón que mudou para sempre o visual da Rua Manuel Carneiro. Ainda tivemos tempo de passar ao lado do Palácio do Catete. Continuamos pilotando e, entre a Lapa para a Zona Sul, passamos pela Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, antiga capela imperial onde, dentre outros, D. Pedro II e Princesa Isabel foram batizados.

Ao final, conhecemos o Palácio da Guanabara. Lá vimos as famosas palmeiras imperiais, adoradas pelo Imperador D. Pedro II e que adornam as entradas deste palácio. Foi um passeio incrível, com muita informação, histórias, belas paisagens, muita natureza e, o mais importante, feito com segurança. Enfim, descobrimos um Rio de Janeiro ainda mais belo.

LUGAR INCOMUM

Ao viajar para o Rio de Janeiro e alugar seu scooter não se assuste com a localização da Happy Motos. Ela fica localizada entre as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) Babilônia e Chapéu Mangueira. Esse primeiro impacto pode ser tenso, mas depois de um tempo dá para se notar o significado da pacificação em determinados pontos do Rio de Janeiro. Por lá você poderá caminhar tranquilamente pelas vielas, nas quais crianças brincam ao anoitecer e motos pernoitam nas ruas.

Fora isso a Happy Moto tem uma curiosidade que chama a atenção: seus scooters são classificados por nome. Esses nomes são escolhidos por pessoas comuns que pagam um valor para colocar os nomes nos veículos. A verba dessa ação é 100% destinada a melhorias no bairro que sedia a empresa. Assim, esse dinheiro já auxiliou na conexão com a rede de esgoto de algumas casas, que corria a céu aberto. Auxiliou ainda na construção do mosaico “Mural Babilônia” feito pelos artistas Plebe e X-Dog, ambos de Praga. Isso sem falar na compras de lixeiras, revitalização das ruas com pinturas e grafites.

DICAS

Nos caminhos da Floresta da Tijuca, pilote sempre atento, pois quatis e macacos-pregos são frequentemente vistos. A câmera fotográfica é item obrigatório para registrar as belas paisagens.

Em alguns lugares as ruas são de paralelepípedo e têm trilhos, portanto, cuidado ao cruzar por eles, faça sempre na diagonal e bem devagar.

Se possível, faça o tour com um guia, pois se ganha tempo e muita informação.

ONDE FICAR

Lisetonga Hostel

Ladeira Ari Barroso, casa 15, Leme.

www.lisetongahostel.com

ONDE COMER

Cafecito

Rua Paschoal Carlos Magno, 121, Santa Teresa.

Bar do David                                                                                               

Ladeira Ary Barroso, 66 – Chapéu Mangueira, loja 3 – Leme.

LOCAÇÃO DE SCOOTER

Happy Moto

Ladeira Ari Barroso, casa 15, Leme.

Funciona das 9h00 às 19h00, todos os dias.

www.happymoto.com.br

*Matéria publicada na sessão Weekend da edição #166 da revista Moto Adventure

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