On the Road – Paraguai – Companheiros de estrada

Fazer uma viagem de moto ao Paraguai não é algo comum. Mas esta experiência rende boas histórias – além de boas amizades

Texto e fotos: Marcelo Migliano

Marcelo Migliano é de São Paulo (SP) e, a bordo de sua H-D Sportster XL 883, está sempre em busca de belas viagens, sejam estas próximas ou distantes de sua cidade. Recentemente o motociclista soube de um tour para o Paraguai e não pensou duas vezes: colocou a moto na estrada e foi conferir “in loco” esta aventura. Saiba mais no relato de Marcelo, a seguir.

FORA DO COMUM

É comum motociclistas exaltarem suas viagens para o exterior, ainda mais se estes tours forem pelos EUA, Europa, Argentina, Chile e Uruguai. Confesso que também me sinto atraído por tais destinos. Porém, quando soube de um passeio de Campo Grande (MS) até Assunção, no Paraguai (organizado pelo Harley Owners Group Chapter Campo Grande, da concessionaria Rota 67), fiquei intrigado. Por ser de São Paulo, imaginei se haveria tempo suficiente para me juntar à aventura, que aconteceria em poucos dias. Então, de uma semana para outra, contatei a concessionária e recebi as devidas instruções. Lembrei das orientações que lera anteriormente em “Moto Adventure”, fornecidas por um colega motociclista que viajara sozinho ao Paraguai. Sabia dos dramas de se aventurar em um país que não é o preferido dos motociclistas brasileiros. Estava lançado o desafio e, com as recomendações do HOG de

Campo Grande (RG com foto recente, carteira de habilitação, documento do veículo em meu nome e Segura Carta Verde / Seguro contra Terceiros), rumei para a estrada.

RUMO À FRONTEIRA

Parti um dia antes, pois encontraria o pessoal (cerca de 20 motos) na fronteira Brasil-Paraguai. Isto porque eles saíram de Campo Grande (MS) e eu parti de São Paulo (SP). Para mim, foram 1200 km até Ponta Porã.

Para este trecho, sai à tarde de São Paulo e dormi em Presidente Epitácio (SP). Depois, segui rumo ao Mato Grosso do Sul. Fui pela Rodovia BR-267, que me levou até Nova Alvorada do Sul. Os últimos 100 km de estrada foram os mais difíceis. Lutava contra o vento que passava pelo motor e queimava minha perna esquerda. A paisagem era de grãos, além de muitos ipês amarelos pela estrada.

ENCONTRO

Reuni-me à turma do Mato Grosso do Sul na quinta-feira. na hora do almoço, no Cassino Amambay Hotel (em Pedro Juan Cabalero, Paraguai). Chegamos juntos, sob um sol escaldante e ventos laterais que nos fizeram pilotar inclinados. Fizemos o check-in no hotel e saímos em turma para almoçar na Casa China, hipermercado de compras paraguaio que tem uma ótima praça de alimentação. Como fazia um belo dia, todos curtiram muito as motos, inclusive, com compras de acessórios para as máquinas. Já que eu estava sem passaporte, segui para a aduana e ali peguei uma folhinha emitida à mão, demonstrando que eu estava registrado no computador da imigração local. Vale citar que é muito importante relatar a saída do Paraguai – caso contrário, em uma próxima vez, será cobrada uma multa para você entrar no país. Já à noite, jantamos no hotel e fizemos uma visitinha ao cassino.

NOVAS PAISAGENS

Na sexta-feira, logo cedo, saímos em 20 motos e três carros. Foi uma viagem tranquila. Seguimos de Pedro Juan pela Ruta 5 até Ybi Yaú. Trecho de paisagens bucólicas, com muito verde, asfalto bom e pecuária. Do lado direito da estrada, passamos pela entrada do Cerro Cora National Park. Depois, já no vilarejo de Yby Yaú, notamos os primeiros sinais de urbanização. Saímos para a Ruta 3. Até ali, passamos por muitos postos de polícia paraguaios. Lembrando que a Policia Paraguaia compreende a Polícia Nacional, a Polícia Caminera (equivalente à nossa Polícia Rodoviária) e a Policia dos Distritos.  Ao sermos parados na rodovia, tínhamos a instrução de não sairmos para o acostamento, a não ser que se tratasse da Policia Nacional ou Caminera. Se fosse a Polícia Local, no acostamento estaríamos sob sua jurisdição distrital. Na Ruta 3, seguimos por um longo trecho até San Estanislao. Fizemos paradas e abastecemos a cada 170 km, em média. Ao longo da Ruta 3, percorremos vários trechos em comboio. No Paraguai, muitas motos de baixa cilindrada frequentam as estradas e, de costume, andam livremente pelo acostamento. Quando parávamos na rodovia, por conta do trânsito, as motos pequenas ultrapassavam as nossas pelo acostamento e em alta velocidade. Nem capacete o pessoal usava!

CAPITAL DO PARAGUAI

Mais próximo de Assunção, o frio chegou e passamos por um lugar com o sugestivo nome de “Emboscada”. Uma vez na capital, pedimos auxílio de um táxi, que nos conduziu junto a um trânsito pesado até o hotel reservado, o Los Alpes, de Santa Rosa. Aproveitamos a estadia e saímos no sábado para passear de moto em Assunção, mesmo sob o frio e a garoa. Aproveitamos para conhecer uma loja da H-D Klein Motos e, de noite, visitar o bar de harleiros RL 6. Conhecemos, também, duas churrascarias e fomos bem recebidos pelos amigos do Paraguai, todos aficionados pela marca Harley-Davidson. Lembrando que os motociclistas paraguaios se preparam para um encontro anual de H-D, a ser realizado em maio de 2014.

VOLTA

Na volta, partimos de madrugada de Assunção, embaixo de chuva e sob um frio de 6º C. Estávamos mais preparados, pois compráramos mais agasalhos e roupas de baixo. Pilotamos em velocidades mais altas, talvez pela pressa ou pelo frio, que congelava as pontas dos dedos. Chovia pouco e o vento da tempestade parecia nos empurrar. Foi uma experiência motociclística diferenciada. Passamos pela imigração de Pedro Juan para deixar o país e fizemos outra paradinha na Casa China. Pouco depois, já estávamos de volta ao Brasil e, no trecho até Campo Grande, pilotamos em boas velocidades. Chegamos à concessionária H-D Rota 67 já ao anoitecer. Pernoitei em Campo Grande e parti para São Paulo no dia seguinte, pela estrada Via Três Lagoas.

Neste passeio, percorri 3570 km entre São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraguai. Foi mais uma bela viagem, com alegria redobrada, pois conheci o pessoal do HOG de Campo Grande, que, em todos os momentos, manteve aquele espírito de equipe e de companheirismo. É assim que colegas se tornam amigos!

*Matéria publicada na edição #155 da revista Moto Adventure.

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