Casal realiza viagem de moto pela Europa – Parte 1

Viajar de moto pela Europa é uma oportunidade de pilotar por belas estradas, conhecer novas culturas e vivenciar momentos únicos

Texto: Thales Monteiro
Fotos: Susana Monteiro / Thales Monteiro

Thales e Susana Monteiro sempre viajaram de moto. Assim, após algumas viagens pela América do Sul, decidiram cruzar o oceano e procurar novas paisagens no Velho Mundo. Veja como foi a viagem do casal.

LUA DE MEL

Com 35 dias disponíveis, comemoramos nossa lua-de-mel viajando de moto pela Itália, Eslovênia, Croácia, Bósnia Herzegovina, Servia, Bulgária, Turquia e Grécia. Nosso roteiro deu a volta no Mar Adriático, passando por quase todos os países da Europa Meridional. Demos, também, uma “esticadinha” de quase 2 mil km na Ásia, cruzando o mar Bósforo em direção à Capadócia. Com uma moto e todo equipamento de camping conosco, utilizamos de muitos meios de hospedagem. Desde campings a um luxuoso hotel-caverna na Capadócia. Experimentamos todos os tipos de comida e fizemos boas amizades.

MILÃO E VENEZA

Desembarcamos em Milão (Itália) e usamos três dias de nossa viagem para conhecer a cidade, locar a moto e comprar mapas. Passeamos por praças, restaurantes e pontos turísticos. Ficamos hospedados em um excelente “B&B”.

Subimos na moto na hora do almoço e fomos rumo a Veneza. Seguimos pela autoestrada, onde tivemos a primeira surpresa. Em determinado momento, tivemos que parar diante de uma cancela, na qual uma máquina “gritava” em italiano “inserire biglietto”. Que bilhete era aquele, afinal? Os carros começaram a buzinar atrás de nós e a máquina “berrou” outra frase – agora, nos pedindo o cartão de crédito e nos cobrando 80 Euros. A cancela se abriu e fomos embora. Mais tarde, ficamos sabendo que, ao entrar na autoestrada, é necessário pegar um bilhete (que é devolvido na saída). Assim se calcula o valor do pedágio pela distância que se percorreu. Porém, como não estávamos com o “dito cujo”, fomos cobrados por toda a extensão da rodovia.

Entrando em Veneza, deixamos a moto em um estacionamento e pegamos um barco que nos levou ao próximo hotel em que nos hospedamos. Veneza foi incrível! Fizemos todos os passeios turístico possíveis em dois dias. Subimos na moto e seguimos para a região da Ístria.

ESLOVENIA, CROACIA E BOSNIA HEZERGOVINA

Nossa passagem pela Eslovênia foi rápida, porém, interessante. Vimos no Guia Michelin que havia uma estrada vicinal levando até a Croácia e decidimos partir por ali. Passamos por vilarejos pequenos, nos quais as pessoas saíam de suas casas para ver o casal de estrangeiros sobre uma moto. Paramos muitas vezes para fotos e chegamos à fronteira com a Croácia. Com o passaporte azul em mãos, dissemos ao oficial da fronteira (em Inglês) que éramos turistas do brasil e que gostaríamos de visitar seu país. Sorrindo e muito educadamente ele nos disse que estávamos em uma fronteira secundária e que a entrada oficial para turistas ficara a 90 km daquele ponto. Demos a volta e, quando entramos na Croácia, já anoitecia. Foi quando avistamos uma placa com o desenho de uma cama e uma garrafa de vinho. Era o que precisávamos! Subimos um morro por uma estradinha vicinal que nos levou a uma pequena vila, que parecia “parada no tempo”. Encontramos alguns homens conversando e perguntamos, novamente em Inglês, se havia alguma pousada na vila. Eles se entreolharam e nada disseram. Tentamos em espanhol e em italiano. Nada! De repente, um homem se manifestou: “hotel… my wife… wait”. Entendemos que sua mulher tinha informações sobre o hotel e esperamos. Quando a esposa dele chegou, pudemos conversar em Inglês. Ela tinha tudo o que precisávamos: um apartamento limpo e mobilhado por 30 Euros, além de massa ao molho de tartufo e vinho. Acabamos ficando dois dias naquele lugar e conhecemos castelos e vilas medievais. Foi naquela região – conhecida como Ístria – que conhecemos Branko e Nevenka, casal esloveno muito simpático que, um dia depois, nos preparou um almoço em sua casa em Liubliana.

OPATIJA, KRK E SPLIT

Após o almoço em Liubliana, pegamos a autoestrada e novamente cruzamos a fronteira com a Croácia. Paramos na simpática cidade litorânea de Opatija. Ficamos hospedados em um cassino e saímos para aproveitar a noite. No dia seguinte subimos na moto e serpenteamos pela costa do Adriático até atravessarmos para a Ilha de Krk, onde paramos em um excelente camping-resort em Nivice. Montamos a barraca ao lado da moto e de frente para a costa. O clima era agradável e foi possível tomar um banho de mar. Tiramos uma garrafa de vinho da mala da moto e, com ingredientes locais, cozinhamos e bebemos ao pôr-do-sol, admirando o mar limpo e translúcido. Na sequência fomos para Split, onde nos sentimos em um filme de James Bond: prédios históricos e luxuosos, fortificações antigas, carros e gente bonita. Alugamos um apartamento muito bacana e próximo à praia. Deixamos a moto estacionada e curtimos a cidade durante dois dias.

PARQUE DE “OUTRO PLANETA”

Depois de Split, fomos para o Parque Nacional de Plitvice Lakes. Parecia outro planeta: dezenas de cachoeiras formam um imenso lago. Mata densa e cheia de vida, além de uma superestrutura turística. Tiramos mais dois dias na região e aproveitamos as trilhas por cachoeiras, cânions e cavernas. As estradas já estavam cobertas por folhas vermelhas, amarelas e laranjas, características do outono europeu. Quando passavam carros ou motos, as folhas levantavam e tornavam a paisagem espetacular.

BÓSNIA HERZEGOVINA

Saímos da Croácia em direção à Bósnia e nossa primeira parada foi em Mostar. É claro que tínhamos na memória as imagens da guerra da Iugoslávia transmitidas pela TV. Quando vimos alguns edifícios com marcas de tiros, ficamos impressionados. Chegamos a Mostar em um feriado muçulmano, o “Eid al-Adha”, também conhecido como “Festa do Sacrifício”. Fomos muito bem-recebidos. Logo que encostamos a moto, no centro histórico de Mostar, fomos abordados por uma jovem que trabalhava no centro de informação turística. Ela nos ajudou a achar uma pousada e nos explicou que a festa que estava acontecendo duraria a noite toda e que haveria muita música. Saímos para jantar e aproveitar a cidade. Passamos por uma ponte que é uma atração turística local (por ter sido bombardeada durante três dias, até cair). Com o fim da guerra, a ponte foi reconstruída com seus pedaços originais (retirados do fundo do rio).

Subimos novamente na moto e seguimos para a capital da Bósnia. Sarajevo é uma cidade grande, que mescla modernos shoppings com edifícios históricos em ruínas. As avenidas são grandes e o trânsito é civilizado.  Fomos novamente para a parte histórica da cidade e nos hospedamos em um hotel muito charmoso, no centro. Caminhamos pelas ruas e, já que a bebida alcoólica não é bem vista pelos mulçumanos, fomos a uma casa típica tomar chá e fumar narguilé. No dia seguinte visitamos pontos turísticos, equipamos a moto novamente e seguimos para a Sérvia, onde tivemos uma surpresa na fronteira… Mas isso é assunto para a próxima edição.

Confira a Parte 2 do roteiro.

*Matéria publicada na edição #163 da revista Moto Adventure.

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