Mais que um simples caminho, Estrada Parque é um zoológico a céu aberto

Texto: Egon Jenckel/Trinity Ronzella
Fotos: Trinity Ronzella

Inicialmente, a Estrada Parque surgiu de uma trilha aberta pelo Marechal Cândido Rondon, que projetou uma linha telegráfica naquele percurso para fazer a ligação com Corumbá (MS), no final do século XIX. A casa do telégrafo foi construída onde, hoje, fica o Porto da Manga (que, através de uma balsa, até 1986, era a única ligação por terra entre Miranda e Corumbá). Depois surgiu a BR-262, que fazia essa ligação com a travessia por balsa pelo Rio Paraguai. No presente, a estrada se encontra em ótimas condições e a travessia se dá por uma ponte em forma de arco, pela BR-262. Mas a Estrada Parque quase não mudou. Cortando o Pantanal, atravessa vários “pantanais”: Miranda, Abobral, Nhecolândia e Paraguai. O caminho continua por estrada de terra e areia, às vezes, alguns metros acima do nível da água e em outras, quase no mesmo nível. Em algumas épocas do ano, é praticamente impossível sua travessia.

No percurso todo por terra (de 120 km) do Buraco das Piranhas até Corumbá, há mais de 60 pontes de madeira, além de uma ponte de concreto (recentemente construída sobre o Rio Miranda), várias pousadas, campings e hotéis-fazenda. E uma travessia de balsa pelo Rio Paraguay.

MUITO PARA VER

A estrada atrai turistas devido ao alto índice de animais que podem ser avistados pelo caminho. E toda esta gente sonha ver uma onça pintada – habitante da região, ela “passeia” pela estrada com certa frequência, mas sem hora e local marcados. Para avistá-la, é preciso sorte e paciência. Além disso, inúmeros jacarés, capivaras, ariranhas, cervos, antas e quatis costumam dar o ar da graça, assim como pássaros de diferentes cores, espécies e tamanhos (tuiuiu, garça, gavião, martin-pescador, arara, colhereiro, curicaca e cabeça-seca, que rompem o silêncio da mata com suas sinfonias de cantos). Se você esccolher a época certa, o show é garantido!

COMEÇA O TOUR…

Partindo de Miranda (MS) no sentido de Corumbá (MS), após rodar aproximadamente 110 km, você chegará ao Posto da Polícia Militar Ambiental “Buraco das Piranhas”. Na rotatória, siga para a direita e saia do asfalto: é o início da Estrada Parque. Dali em diante, não há o que errar: basta seguir em frente e ir curtindo o visual.

A primeira surpresa estará 7 km à frente. Uma nova ponte de concreto em forma de arco sobre o Rio Miranda contrasta com o visual rústico de toda a estrada. Depois dela, virão dezenas de pontes de madeira, juntamente com entradas de fazenda, pousadas e acampamentos.

Depois de rodar 43 km, você chegará à Curva do Leque, onde encontrará um bar que pode servir de ponto de apoio para água e alguma coisa para comer. Ali, siga para a esquerda. Transcorridos aproximadamente 17 km, você estará às margens do Rio Paraguai. Na outra margem, o Porto da Manga, que, mediante pagamento, pode ser alcançado por meio de uma travessia de balsa.

Destino de muitos pescadores brasileiros, o Porto da Manga tem uma infraestrutura voltada ao turismo da pesca, que garante o sustento de várias famílias. É outro ponto que pode servir de apoio para hospedagem e alimentação. Mas não conte 100% com isto: é só uma opção em caso de necessidade, uma vez que, nas temporadas, normalmente não há vagas!

A partir daí, serão aproximados 60 km até a cidade de Corumbá. No caminho, há um acidente geográfico: o Maciço do Urucum! Considerada uma das maiores reservas de manganês do mundo, é em sua transposição (em aproximados 1000 metros de altitude) que temos uma das mais belas vistas da planície pantaneira, com altitude média acima de 100 metros. Aproveite a vista! Em seguida, é só rumar para a cidade de Corumbá (MS), que faz fronteira com a Bolívia.

Lembrando que a melhor temporada para se percorrer a estrada é de julho a setembro. Antes, por conta das chuvas, é grande a possibilidade de as estradas estarem submersas.

DICAS

* Informe-se a respeito das condições da estrada antes de sair, pois o tempo anda imprevisível.

* A balsa do Porto da Manga não funciona 24 hs. Para fazer a travessia, é preciso chegar durante o dia

* Vá em baixa velocidade, pois os animais cruzam a pista com frequência

* Calcule, a partir de Miranda, uma autonomia de (no mínimo) 250 km para chegar a Corumbá

* Para melhor aproveitar a região, considere dormir ao menos uma noite pela Estrada Parque. Há boas opções de hospedagem

* Reserve as pousadas antes de sair, para não correr riscos desnecessários

* As pousadas na Estrada Parque oferecem pensão completa e passeios variados

ONDE FICAR

Corumbá: Pousada Beija Flor (www.pousadabeijaflor.altervista.org)

Miranda: Pousada Águas do Pantanal (www.aguasdopantanal.com.br)

Estrada Parque: Pousada Xaraés (www.xaraes.com.br)

Pousada e Camping Santa Clara (www.pantanalsantaclara.com.br)

COMO CHEGAR

Saindo de São Paulo, serão aproximadamente 1330 km: Siga a Rod. Pres. Castelo Branco até o final e pegue a Rod. Eng. João Baptista Cabral Renno. Depois, continue pela Rod. Orlando Quagliato  para Ourinhos. A Rod. Raposo Tavares leva para Assis e Presidente Prudente e Epitácio, já na divisa. Cruze a divisa de estados SP/MS sobre o Rio Paraná e siga para Bataguassu, Nova Alvorada do Sul e Campo Grande. Antes de entrar em Campo Grande, siga o anel viário à esquerda para Terenos, Aquidauana e Miranda. 110 km depois de Miranda, na rotatória, começa a Estrada Parque.

*Matéria publicada na edição #156 da revista Moto Adventure.

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