Weekend – Serra da Mantiqueira

Prepare a moto e vá à Serra da Mantiqueira. Bons roteiros de fim de semana o esperam!

Texto e fotos: Thales Monteiro

Com a vida atribulada nas grandes cidades, qualquer “escapadinha” para andar de moto é válida. Contudo, os roteiros próximos das capitais – como São Paulo (SP), por exemplo –, estão cada vez mais “lotados”. Mas há opções diferentes – muitas delas, com vocação off-road. É o caso do chamado “Circuito Serras Verdes”, ao sul de Minas Gerais. Com lugares integrados à natureza, belas cachoeiras, paisagens panorâmicas e outros atrativos, a Serra da Mantiqueira tem roteiros inesgotáveis para um fim de semana.

SERRA

A etimologia da palavra “Mantiqueira” vem do Tupi, significando “gota de chuva/serra que chora”. É fácil perceber que, por lá, há muitas nascentes, rios e cachoeiras. O maciço da Serra da Mantiqueira tem aproximadamente 500 km de extensão e começa perto da cidade de Bragança Paulista (SP), seguindo para o leste e delineando as divisas dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, até a região do Parque Nacional de Itatiaia (onde adentra Minas Gerais até a cidade de Barbacena). A partir daí, uma continuação pode ser considerada, pois a mesma desvia-se para o norte até a Serra do Brigadeiro, ao leste de Minas Gerais, chegando a aproximar-se do Parque Nacional do Caparaó. O ponto culminante é a Pedra da Mina, com 2 798 metros, na divisa dos estados de Minas Gerais e São Paulo. Seu ponto de transposição mais baixo é a Garganta do Embaú, por onde passaram os Bandeirantes durante suas incursões no interior de Minas Gerais. Este maciço guarda belas rotas on e off- road. No último caso, há caminhos com diferentes níveis de dificuldade. Alie a isto o fato da Mantiqueira guardar áreas em terras altas, entre 1.000 e quase 3.000 metros de altitude. Assim, fica mais fácil achar um caminho por uma crista ou contornar o leito de um rio, descobrindo uma cachoeira atrás da outra. Além disso, sítios e pousadas oferecem boas refeições e diversão. Também há vários produtores rurais na região, oferecendo frutas e legumes orgânicos, embutidos, queijos, doces e cachaças.

ROTEIRO

Para conhecer a região, nossa dica é: a partir da capital paulista, pilote aproximadamente 150 km até a cidade mineira de Cambuí, via Rodovia Fernão Dias. Siga até a saída 896 (Cambuí, acesso norte). Passe por cima da Fernão Dias e siga a placa para a Crista da Mantiqueira. 5 km depois, saia à direita na estrada de terra, no sentido da cachoeira da Usina. De lá, siga por mais 35 km de estrada não-asfaltada até Bom Repouso (MG).

BOM REPOUSO

Para os dias de calor, Bom Repouso oferece belíssimas cachoeiras, com quedas deslumbrantes, trilhas entre as montanhas e mirantes a 1.800 metros de altitude (com visão panorâmica dos contrafortes da Mantiqueira).

Ali também há excelentes lugares para caminhadas, trilhas de motos, ciclismo e cavalgadas. Outros esportes de aventura, como voo livre e escalada, também podem ser praticados. Mas, se a cidade tem esse lado radical e mais “adrenado”, também possui um outro que faz juz ao nome “Bom Repouso”. Afinal, é uma cidadezinha bucólica, ideal para quem quer desfrutar de momentos de paz nas montanhas. E já que a natureza foi generosa com a cidade, há mais de 368 mananciais de água, entre eles, a nascente do Rio Mogi Guaçu, que originou um projeto de preservação ambiental fantástico (patrocinado pela Petrobrás). Fora isso, surgem mais de 30 cachoeiras espalhadas pelas redondezas. Já caminhando pela região central da cidade, você poderá apreciar a arte do crochê: há mais de 2 mil crocheteiras no município, que criam peças exclusivas para serem vendidas em todo o país. Além do crochê, o artesanato é rico e variado. Com sua história repleta de cultura e tradições, Bom Repouso revive a memória de seus antepassados, resgatando eventos, festas tradicionais, religiosas e folclóricas (que acontecem ao longo de todo o ano).

Ainda em Bom Repouso, pergunte pela estrada de terra que leva à Munhoz (MG), passando pelos bairros de Campo Alegre e Ponte Segura. Serão cerca de 40 km sem pavimento. Até Campo Alegre, existe a possibilidade de uma rota bem mais off-road, com muita pedra solta. Basta perguntar pelo caminho mais difícil que leva à Torre do Celular. A partir de Munhoz, rode mais 56 km por estrada asfaltada e siga até Bragança Paulista (SP).

BRAGANÇA PAULISTA

Nesta altura da viagem, você estará bem próximo de São Paulo (SP), pois Bragança Paulista dista apenas 99 km da capital paulista. A cidade é uma das onze estâncias climáticas do Estado.

Ao chegar lá, siga para o Lago Taboão, cartão-postal da cidade que, além da vista maravilhosa, tem pista de Cooper em suas margens e é cercado por bares e restaurantes. Se quiser rodar um pouco mais, siga rumo à represa Jaguary, formada pelos rios Jaguary e Jacareí. Por lá, surgem 50 km quadrados de água límpida, circundada por montanhas e natureza exuberante, o que transforma o local em um ponto de encontro dos participantes de esportes náuticos, Pesca e Natação. Bragança Paulista também oferece passeios para quem quer conhecer a história da cidade. No Museu Municipal Oswaldo Russomano, mais de três peças compõem o acervo cultural e histórico da cidade. Dentre os objetos estão: louças, instrumentos musicais, objetos da antiga estrada de ferro e obras de arte sacra. No Museu do Telefone, 60 peças comprovam a contribuição do município à história da Telefonia. O prédio (um patrimônio cultural) foi construído em 1907.

Dica: entre os meses de agosto e setembro, acontece o Festival da Linguiça, famosa iguaria local. Conhecida nacionalmente, a linguiça bragantina é notória por ser produzida artesanalmente e em família, usando receitas que são passadas de geração para geração. A fama é tamanha que transformou a estância na Capital Nacional da Linguiça.

TODOS OS NÍVEIS

Por serem suscetível às intempéries, as estradas e trilhas da região mudam de dificuldade frequentemente. Informe-se, antes de entrar em um trecho off- Road, sobre as condições do caminho. Há muitas opções de percurso entre Bom Repouso e Munhoz, com dificuldades e paisagens diversas. Converse com os motociclistas da região sobre essas opções, escolha a mais adequada para o seu nível de pilotagem e veículo e divirta-se!

SERVIÇOS

Toda a região é servida por hotéis, pousadas e guias de turismo. Para saber mais, acesse: www.portalserrasverdes.com.br.

MOTO LEVE E ADEQUADA

A escolha para esta aventura foi a Honda CRF 250L. Leve, com boa suspensão para o uso off-road e pneus adequados, ficou muito fácil transpor os obstáculos do caminho. Bastava olhar para frente, subir nas pedaleiras e acelerar. Nada deteve a moto. No asfalto, foi possível andar no limite da via, sem problema. O único ponto que requer atenção é a autonomia. Com um tanque de 7,7l e um consumo na faixa de 22 km/litro, o abastecimento a cada 120 km é imprescindível. Uma vez na terra, quanto mais leve estiver a moto, mais fácil e segura será a pilotagem. Portanto, leve apenas o necessário.

*Matéria publicada na edição #160 da revista Moto Adventure.

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