Qual é o melhor roteiro a se percorrer de moto? E que destino não pode faltar em sua lista de viagens?

O destino nem sempre precisa estar traçado quando se quer pegar a estrada de moto – e percebemos que ele pode ser somente uma desculpa para se rodar. Por outro lado, destinos remotos nos incentivam ao planejamento da viagem e a tudo de bom que a acompanha, como a rota e a distância a percorrer e os lugares a visitar dentro do tempo e orçamento disponíveis (além das incríveis paisagens e experiências que nos aguardam pelo caminho).

Há referências bem famosas, como o clássico “Sem Destino” (Easy Rider, 1969), escrito por Peter Fonda, Dennis Hopper e Terry Southern, que lançou Jack Nicholson ao estrelato. O filme é sobre dois motociclistas que pilotam motos Custom e buscam a liberdade enquanto percorrem o sul dos EUA. Um exemplo menos psicodélico e mais recente é apresentado pelo ilustre aventureiro Miragaia René Angelino em seu livro de 1995, “Minha Moto, Eu e a América”. Durante 90 dias, ele percorreu 45 mil km da América do Sul sobre uma Honda CBX750 (em uma época sem as facilidades atuais, como GPS, celular e internet). Uma viagem de moto feliz é aquela na qual permitimos que o destino se transforme em uma recordação inesquecível!

REALIDADE

Chovia a toda hora, o que tornava a pilotagem insuportável, não só pelo piso molhado comprometer a segurança, mas, também, pelo jogo de paciência a que nos submetemos durante as inúmeras paradas para vestir e tirar a capa impermeável. Não há dúvidas sobre a importância da capa de chuva para nos manter secos – não somente preservando a cordura da jaqueta e calças, como nossa saúde. Compartilho a opinião de que pilotar de capa de chuva quando a estrada já secou é o maior inconveniente.

A ideia era cruzar o sertão baiano a partir de Feira de Santana. Atingir nosso destino naquele dia só seria possível se não tivéssemos que parar tantas vezes naquela interminável manhã chuvosa na estrada. Descobrimos que, apesar de irregulares, chuvas caem no agreste mais do que no sertão. Foi quando escutei as palavras de minha esposa no intercomunicador: “Só paro para tirar a capa quando as nuvens sumirem do horizonte”. Daí, percebi que não valia a pena brigar contra a natureza – e dei ouvidos à minha sábia companheira de viagem.

Nada como um destino ser esticado para transformar o percurso em algo mais prazeroso e desfrutar de belas paisagens e curvas emocionantes. Assim, aproveitamos várias oportunidades para ir ao Rio de Janeiro (substituindo a Rodovia Dutra pela Rio-Santos) explorando mais de 500 km de praias e contornando a belíssima Mata Atlântica. As dúvidas sempre pairam no ar: paramos por aqui, em Ubatuba? Desafiamos as pedras pé de moleque de Paraty para nos hidratar? Ou descansamos aqui em Angra?

O próximo destino? Que tal Ushuaia? Talvez, Foz do Iguaçu? É claro que já considerei destinos mais arrojados, como o Marrocos, a Costa Amalfitana e o Himalaia, reduzindo um pouco para San Diego, California. Oaxaca e México. Ou então, Campo Grande (MS). Uma longa lista, como deve ser!

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