O Homem sempre buscou criar coisas que mudassem sua vida. Com a motocicleta, não foi diferente!

TEXTO: TEODORO VIEIRA

FOTOS: MAURA DE ANDRADE

Assim como diversos grandes inventos, a motocicleta foi o resultado de um processo evolutivo e tecnológico em busca da locomoção, com diferentes origens no século XIX. Os primórdios das duas rodas estiveram centrados na invenção alemã da “máquina de correr”, tradução livre de “Laufmaschine”, do Barão Karl Freiherr von Dreis e Otto Schillinger. Patenteada há 200 anos, com um design que se tornou popular na Europa como velocípede, mas que acabou ficando no limbo até meados de 1860. Enfim, outro inventor e ferreiro francês, Pierre Michaux, decidiu melhorar o desengonçado velocípede acrescentando-lhe pedais. Apesar de já se tratar de uma produção em massa, aquela “bike” de madeira ainda era tão desconfortável que chegou a ser apelidada de “chacoalha ossos”. Por falar nisso, ao longo das duas décadas anteriores ao surgimento da icônica Harley-Davidson, o filho de Michaux ainda conseguiu conectar um pequeno motor a vapor a uma dessas “bikes”, o que inspirou os demais inventores.

As “motos a vapor” até que funcionavam bem, não fosse pela baixa autonomia e pouca força. Foi quando, em 1885, dois brilhantes inventores alemães, Gottlieb Daimler e Wilhelm Maybach, produziram o primeiro modelo de motocicleta com motor a combustão com base em petróleo. Sim – a moto, chamada “Daimler Reitwagen” e montada em um quadro de madeira, foi desenvolvida antes do automóvel, com um motor de 264cc e 0.5hp, que chegou a 12km/h em um percurso de 3km, em Stuttgart. A partir de 1901, surgiram as grandes marcas atuais, como as inglesas Royal Enfield e Triumph, e as americanas Indian e Harley-Davidson. Ao longo desses anos, vieram as marcas italianas, como Benelli, Moto Guzzi e Garelli. Nas duas décadas seguintes, a BMW começou a produzir motocicletas, depois de motores de avião.

O filme “O Selvagem”, de 1954 e estrelado por Marlon Brando, marcou época no pós-guerra, enquanto a Honda se tornava a maior fábrica de motos do mundo, seguida por Suzuki, Kawasaki e Yamaha, já na década de 1970. Nesse mesmo período, surgiu a fábrica brasileira Amazonas Motocicletas Especiais, com motor de fusca de 1.600cc e 300kg. Nos anos 1980, vimos o surgimento das motos Agrale, focadas no enduro com os modelos SXT 16.5 e 27.5, Dakar e Elefantré 30.0, já em parceria com a italiana Cagiva. Logo em seguida, no final da década de 1990, a Kasinski montou motocicletas nacionais até o ano de 2009, quando foi vendida a um grupo chinês. No início dos anos 2000, vimos o surgimento da Dafra, em parceria com fábricas chinesas.

Como não se pode viver do passado, o ideal é construirmos nossa história na moto sempre e, obviamente, desfrutar de cada momento vivido em cima dela. Dessa forma, ao lembrarmos do contato com a maresia naquela estrada litorânea, ou do pôr-do-sol na volta para casa, saindo do trabalho, ou ainda, de uma paisagem deslumbrante da pista serpenteando a serra, percebemos as marcas gravadas em nossas memórias.

Definitivamente, a década de 1980 marcou época por diversos motivos. Entre eles, a descoberta da liberdade em duas rodas a partir de uma moto de trilha para a cidade, a Agrale SXT16.5, a qual chamamos de “Pretinha”. A mobilidade, economia e independência que ela proporcionava no dia a dia e em viagens curtas para a praia e o interior na companhia da fiel garupa e eterna companheira Maura era simplesmente indescritível. Depois da SXT16.5, veio a Elefantré 30.0, que oferecia mais conforto em viagens com uma pequena bolha, banco mais largo e partida elétrica. Ao longo dos diferentes períodos onde a família crescia, pudemos alternar entre motos de diferentes estilos: Honda CB450DX, Falcon NX400, Yamaha Ténéré, Dafra Riva 150, até chegar às BMW G650GS e F800GS Adventure. A oportunidade de pilotar máquinas alugadas em viagens longe de casa, ou fazer eventuais test rides, também proporcionam outras experiências bacanas. O importante é continuar fazendo história!

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