Viagem com cerca de 14.000 km

Mãe e filho viajaram 14 mil km pelo Brasil. De moto!

TEXTO E FOTOS: MÁRCIO SILVEIRA

Márcio Silveira herdou dos pais o gosto pelo Motociclismo. Prova disso é que, ainda no ventre da mãe, Ana Márcia, ele já rodava pelas estradas, assimilando “por osmose” este estilo de vida. Depois de muitas experiências sobre duas rodas, ambos uniram-se no que, hoje, consideram ter sido uma das melhores decisões que já tomaram.

DOSE DUPLA
Recentemente, Márcio, decidiu que era o momento de conhecer alguns lugares diferentes do Brasil – obviamente, de moto. Perto do final do ano, com todo o planejamento pronto, ele foi surpreendido por Ana Márcia, que lhe comunicou: ela seria sua garupa nesta aventura!

A dupla partiu de Florianópolis (SC) em uma BMW R1150GS equipada com top case e malas laterais, pronta para encarar as estradas e intempéries brasileiras. Objetivando conhecer de Vitória (ES) para o norte, dividiram o trecho até lá em duas etapas e realizaram uma “perna” com mais de 1.200 km de distância. O restante da viagem, a dupla dividiu em trechos mais curtos e com paradas de mais de um dia, aproveitando toda a beleza do litoral brasileiro. “Nosso país, diferentemente de destinos muito procurados pelos motociclistas locais, como Argentina e Chile, oferece atrativos incríveis em trechos bem mais curtos, exigindo mais tempo de viagem, mas oferecendo mais a quem os explora”, diz Márcio.

A dupla iniciou a saga em Florianópolis

PARA O NORTE!
Seguindo para o norte, após se deliciarem com a moqueca de camarão capixaba nos dois dias que permaneceram em Vitória (ES), eles desfrutaram do que de melhor oferece o sul da Bahia, como Trancoso, Porto Seguro e Itacaré, aonde chegaram logo após passarem por Ilhéus. Ambos apreciaram o mirante com a vista mais bela do Brasil. A dupla contemplou um maravilhoso litoral coberto de coqueirais, paisagem constante até o extremo nordeste do litoral brasileiro. Por ser Verão, tudo era muito movimentado – e, aí, se percebe outra diferença das viagens por países vizinhos: nossas estradas têm um “mar” de veículos, o que exige muita precaução. O trecho com o pior pavimento foi encontrado ao sul
de Minas Gerais.

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Para chegar à Península de Maraú, que abriga maravilhosas praias, eles utilizaram um Land Rover Defender alugado. O percurso, com areia fofa e diversas partes alagadas, seria impossível de transpor com a pesada BMW. Para complicar, chegando de volta a Itacaré, o câmbio do automóvel apresentou problemas, restando apenas uma marcha-ré. Foi assim, andando para trás, que eles chegaram são e salvos a Itacaré! Depois da parada, rodando mais alguns quilômetros, curtiram Salvador e toda sua história, mas não deixaram de se aventurar a bordo de um catamarã para conhecer Morro de São Paulo, um pouco ao sul da capital baiana.

A dupla decidiu comemorar o novo ano de forma diferente: acelerou para a mística e acolhedora Chapada Diamantina, onde percorreu diversas trilhas, cachoeiras, cavernas e montanhas no entorno da belíssima cidade de Lençóis.

NOVOS LUGARES
Rumo ao nordeste, eles conheceram Aracaju (SE) e Maceió (AL). Nesta cidade, navegaram de jangada por um mar cristalino. Depois foi a vez de rumarem para Recife (PE) e João Pessoa (PB). Na capital da Paraíba, curtiram o tradicional pôr-do-sol ao som do bolero de Ravel, na praia fluvial do Jacaré, onde se encontra o ponto mais oriental da América do Sul, no Farol do Cabo Branco. Tudo ia bem e a dupla pilotou mais alguns quilômetros para o norte, sempre destrinchando as belezas brasileiras. Passaram pela famosa Praia da Pipa e Tibau do Sul, já no sul do estado do Rio Grande do Norte.

Chegando à capital potiguar, Natal, a dupla foi providenciar reservas para ir até Fernando de Noronha. Nos dias de espera, todos os pontos turísticos de Natal foram explorados e uma lavagem geral e merecida foi feita na GS. Na sequência, foram ao aeroporto, onde deixaram a GS no estacionamento com todo o equipamento nas malas. Apenas uma mochila com roupas selecionadas foi separada e embarcaram no avião, que os levou para a ilha paradisíaca.

Os dias passados ali foram fantásticos e eles optaram por alugar uma Honda Tornado, para explorarem metro a metro uma das maiores belezas do mundo e a praia mais bonita do Brasil, a Baía do Sancho. Fizeram um mergulho na praia do Atalaia. “É incrível a visibilidade no mar de Noronha – mergulhando, parecemos estar em um aquário repleto de peixes, arraias e até tubarões”, diz Ana Márcia. Retornaram de avião para Natal e a BMW os aguardava no aeroporto.

A companheira desta viagem foi a BMW R1150GS

MAIS ESTRADA
De Fortaleza (CE), seguiram diretamente para Jijoca de Jericoacoara, pararam em um posto de gasolina com estacionamento, trancaram as malas e selecionaram algumas roupas, ao mesmo tempo em que uma Chevrolet D20 passava, perguntando se seguiriam
para Jericoacora. Com a resposta positiva, embarcaram na caçamba para uma aventura por fofas dunas, até chegarem ao paradisíaco e isolado povoado. Depois, no trecho entre Jijoca (CE) e Barreirinhas (MA), cidade base para explorar os Lençóis Maranhenses, aceleraram por 1.300 km em um dia cansativo, mas recompensador, pois os lugares desta região são de rara beleza. Seguiram, depois, para São Luiz (MA) e pegaram uma enorme balsa para Belém (PA), aonde chegaram 35 dias após a partida de Florianópolis.VOLTA
A volta foi pela região central do Brasil, percorrendo toda a famosa estrada Belém-Brasília, com uma parada na acolhedora Pirenópolis (GO). Depois, foi hora de voltar a acelerar. Já no Paraná, encararam as muitas curvas do trecho chamado de “Rastro da Serpente”, chegando a Florianópolis seis dias após a saída de Belém.

A MOTO
A motocicleta, uma BMW R1150GS, foi uma excelente companheira e, durante a viagem, foi realizada somente uma substituição de óleo do motor, pastilha de freio e pneu traseiro. Nenhum problema mecânico ocorreu. A gasolina “batizada” que ela bebeu pela estrada, principalmente no nordeste, apenas causou um pouco de “batida de pino”, mas, em momento algum, a moto deixou de funcionar ou exigiu manutenção.

IMPRESSÕES

Depois de passarem por tantos lugares, cidades, praias, parques, montanhas, mirantes, lagoas e dunas, mãe e filho perceberam que, excetuando-se Fernando de Noronha, uma ilha realmente fora do comum, o que mais os marcou foram os lugares incomuns e exóticos, e não as grandes capitais. Foi uma experiência inesquecível.

 

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