Confira a terceira parte de uma aventura realizada em três dias que teve início em Aiuruoca (MG) e terminou em Conservatória (RJ)

TEXTO: CELSO RENATO A. DA SILVA

FOTOS: LUÍS FERNANDO GAMA

No terceiro e último dia de expedição, iniciamos nossa aventura aproximadamente às 09h, devido aos 350 km a serem percorridos, sendo que os 20% do percurso inicial era por terra, inclusive, com trechos de subida de serra atingido os pontos mais altos do trajeto, chegando literalmente às nuvens e sob uma garoa constante. Este trecho possui uma diversidade de paisagens, transformando a experiência em algo inesquecível. Mas o caminho por asfalto também não decepciona, uma vez que passa pela famosa “Serra dos Órgãos”.

O trecho aventureiro fica entre Trajano de Morais e Nova Friburgo, mais precisamente, o distrito de Lumiar, que requer ao menos um dia para ser explorado e desfrutado. O trecho asfaltado passa por Nova Friburgo, Teresópolis, Três Rios, Vassouras, Barra do Pirai e termina em Conservatório, distrito de Valença.

LUMIAR

O mais charmoso distrito de Nova Friburgo. O destino é perfeito para casais em clima de lua-de-mel, mas também é ideal para quem busca interagir com a natureza, ali formada por cachoeiras, rios, corredeiras e Mata Atlântica. O astral de vila permanece na pracinha, nas ruas calçadas em pedra, no som ao vivo dos bares e restaurantes no entorno do lago. No quesito serviços, há pousadas e restaurantes para todos os estilos – de opções bem simples às mais aconchegantes. As cachoeiras que se espalham pelos arredores (em especial, no bairro de Boa Esperança) são os destaques de Lumiar.

Uma das mais famosas é a Indiana Jones, que corre por um estreito cânion e termina com um escorrega natural. Para o melhor banho da região, siga para a cascata de São José, com 15 metros de quedas que formam uma superducha. As famílias marcam presença na Toca da Onça, com piscina natural e restaurante. Há, também, a cachoeira de Poço Feio, conhecida como “Praia de Lumiar”, que tem águas mansas. Já o Poço Belo pode ser acessado de carro. Quem não abre mão de praticar esportes radicais em meio à natureza privilegiada segue para a queda Paraíso Vertical. São 35 metros de puro cascading e muita adrenalina.

Já as turmas do rafting e da canoagem fazem do encontro dos rios Macaé e Bonito um cenário perfeito para curtir a emoção. A cinco quilômetros de Lumiar fica a vila de São Pedro da Serra, que segue a mesmas características da vizinha: rusticidade cercada de verde, lojinhas charmosas e muitas opções de atividades em meio à Mata Atlântica – entre elas, caminhada, rapel e passeios de moto, jipe, a cavalo ou de bike. À noite costuma ser mais animada que a de Lumiar, com música ao vivo nos restaurantes e bares.

O ROTEIRO

Saindo de Trajano de Morais, siga para Nova Friburgo por terra pela RJ-162. No início, existe uma descida de serra até o Rio Macabu. Siga margeando sentido a represa de mesmo nome e, quando chegar à ponte para cruzar o rio, mantenha-se à margem direita e vá pela Estrada Córrego Frio. Na primeira bifurcação, siga à esquerda pela Estrada da Pedra Branca. Prossiga margeando a represa e o rio. Este trecho oferece uma paisagem maravilhosa (faça várias paradas para contemplação e fotos!). Ao chegar à próxima ponte, cruze o rio no vilarejo de “Ponte Nova” e permaneça à direita pela Estrada da Ponte de Zinco.

Agora, vem a margem esquerda do rio. Siga para o vilarejo de Maria Mendonça, cruze-o e mantenha-se pela estrada margeando o rio. Você irá chegar ao Povoado da Ponte de Zinco e, a partir deste ponto, a estrada muda de nome e passa a se chamar Estrada do Tirol. Continua margeando o rio, mas começa a subir a serra. Cruze novamente o rio e siga na margem direita. A paisagem nesta região fica em uma grande altitude e com uma beleza bucólica. Prossiga pela estrada – ela começa a descer a serra e muda de nome para “Boa Esperança”. Chegando ao vilarejo, encerra-se o trecho aventureiro.

Siga pelo asfalto até Lumiar, cruze a cidade e siga para Nova Friburgo pela RJ-142, e depois, pela BR-116. Cruze a cidade e siga pela BR-492 para Teresópolis. De lá, vá para a BR-495 e suba a Serra dos Órgãos. Ao final, siga para a BR-040, sentido Barra Mansa, e continue até Três Rios. Cruze o rio Paraíba do Sul e siga pela BR-393 até Barra do Pirai. Nesta cidade, siga para Conservatória pela RJ-137. Chegamos ao final da aventura.

CONSERVATÓRIA

É conhecida como Capital da Seresta e Serenata. Esta cultura começou em 1938, quando um grupo de violeiros apaixonados saiu pela madrugada para cantar diante das janelas de suas musas. A cantoria agradou não só às moças, como à vila inteira – e perdura até hoje. As serenatas embalam a cidadezinha nas noites de sexta e sábado e nas manhãs de sábado e domingo, quando músicos e turistas saem pelas ruas emolduradas por prédios coloniais entoando cantigas de amor e recitando poemas.

Museus reúnem objetos e lembranças de grandes nomes da música. A turma vai parando de porta em porta para cantar as músicas preferidas dos moradores – em Conservatória, as casas são identificadas não com placas numéricas, mas com o nome da canção preferida dos proprietários. O evento acontece o ano todo, mas duas datas são especiais: o último sábado de maio, quando se comemora o Dia do Seresteiro, e o último sábado de agosto, quando acontece o Encontro de Seresteiros, com artistas de diversas partes do Brasil.

Durante o dia, um dos programas preferidos dos turistas é passear de charrete para apreciar as construções, como a estação de trem de 1883, a Igreja Matriz de Santo Antônio e os espaços culturais dedicados à música. O Museu Vicente Celestino reúne fotos, discos e objetos pessoais do cantor e, também, de sua mulher, a cantora lírica, cineasta e escritora Gilda de Abreu. Já no Museu Sílvio Caldas, Gilberto Alves, Nelson Gonçalves e Guilherme de Brito, as fotos, os discos e objetos pessoais dos artistas contam um pouquinho da carreira de cada um.

Porém, as atrações de Conservatória não se restringem ao tema seresta. No Cine Centímetro, a sessão única de sábado é concorrida e leva à tela musicais americanos dos anos 1950 e 1960. O espaço, montado no quintal da casa de um apaixonado pela Sétima Arte, é uma réplica reduzida do antigo Cine Metro Tijuca, inaugurado no Rio de Janeiro em 1941 e demolido em 1977. Aberto à visitação, o charme fica por conta dos objetos originais do antigo cinema, como móveis, pedaços de tapete, lustres, bilheteria e projetores.

As fazendas de café da região também garantem a viagem ao passado. Algumas estão preservadas e são abertas ao público. É o caso da Fazenda Florença, de 1852, que mantém o elegante mobiliário de época, além de piso de peroba rosa, porcelanas e cristais. Antes de voltar para casa – e para o tempo atual –, vale circular pelo comércio. Merece atenção o artesanato típico, à base de papel kraft. São vasos de flores, imagens de santos barrocos e estátuas de violeiros que mais parecem de madeira. Na feirinha da Praça Catarina Quaglia, que acontece todo sábado e domingo, o forte são os xales e chapéus de crochê, o doce de goiabada cascão e os licores caseiros.

DETALHES

• Este roteiro passa por uma região com muitos atrativos; caso tenha disponibilidade, tire alguns dias para explorar. Você não vai se arrepender.

• Nesta aventura, utilizei uma KTM 990 Adventure R, emprestada pela Aventur Mototurismo; é uma moto excelente para viagens aventureiras, que se mostrou muito eficiente, permitindo este tipo de aventura com tranquilidade.

• Esta rota é tranquila no início, mas, em seu trecho de serra, o percurso fica um pouco técnico, sendo recomendado para aventureiros experientes.

• A navegação do roteiro não é difícil; planeje bem (e com antecedência) ou contrate um guia.

• A utilização de pneus mistos sempre facilita a pilotagem em trechos de terra, mas, neste percurso, é obrigatória. Com piso molhado, não recomendamos, sendo que o trecho do Tirol sempre está úmido, devido à altitude.

• Contei com a excelente companhia dos aventureiros Jose Magalhães e Luís Fernando Gama.

ONDE SE HOSPEDAR

Pousada da Figueira

Rua José Luiz Pereira nº 57 – Centro – Valença/RJ.

Telefone: (24) 2438-0125.

SERVIÇOS

Aventur: (11) 99296 4677 – Fale com Celsinho, que organiza trips on e off-road Brasil afora

www.aventur.tur.br

APOIO

ASW Racing – Aventur Mototurismo

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