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Uma aventura inesquecível!
Competição realizada a cada dois anos para celebrar o espírito GS aconteceu este ano na Nova Zelândia e contou com 22 equipes, entre elas, o time brasileiro, que terminou na 7ª posição.

A cada dois anos ocorrem seletivas em diversos países para selecionar 3 proprietários de motos BMW da categoria GS, para participarem de uma final que sempre acontece em um lugar paradisíaco do mundo. Essas seletivas e a grande final, são focadasna perícia, no trabalho em equipe e em testes no ambiente off-road.

O primeiro GS Trophy aconteceu em 2008 na Tunísia e desde então, mais 6 edições aconteceram sendo que o Brasil esteve presente em 4 delas: 2012 na Patagônia, 2014 nas Montanhas Rochosas do Canadá, 2016 na Tailândia e agora, na Nova Zelândia.

O GS Trophy é aberto para homens e mulheres, sendo que esse ano contávamos com duas equipes femininas.

Nova Zelândia

Engana-se quem pensa que isso é uma viagem de passeio, turismo. Não nos hospedamos em hotéis ou fazemos nossas refeições em badalados restaurantes; muito pelo contrário: dormimos todas as noites em barracas, as quais precisamos montar e desmontar e embora nossas refeições tenham sido ótimas, o cardápio passa longe da badalação dos chefs Michelin.

Nossos pontos de pernoites são normalmente campings; às vezes usamos banheiros químicos, tomamos banho em uma carreta/chuveiro, ou seja, nada é business class, porém, as pessoas e amizades que se formam são a parte premium desta aventura.

O ritmo é frenético, acordávamos diariamente às 4h30 da manhã e nossa rotina ao abrir os olhos era: ir ao banheiro (menos movimentado), desmontar a barraca, nos equipar, fechar a mala e deixá-la no caminhão, tomar café e estar pronto para largar 20 minutos antes do seu horário de largada, que iniciava-se às 7 da manhã.

Imprensa

A imprensa chegou dois dias mais cedo para serem testados. Sim, fomos testados quanto à nossa expertise em conduzir a motocicleta. Isso acontece porque em muitos países, a escolha do jornalista que acompanhará o evento não passa por uma seleção e pode acontecer que a pessoa enviada por uma delegação não seja um piloto com habilidades suficientes para acompanhar um GS Trophy.

Uma geral do Trophy

Todos os dias largam duas equipes e um marshall(fiscal de prova), esse, o único que sabe o roteiro. Ele portava um telefone via satélite e ensinava como usar caso acontecesse algo com ele. Carregava também ferramentas/equipamentos para eventuais reparos.Cada grupo estava conectado com seu marshall via intercomunicador Sena, para facilitar e dar mais segurança ao grupo.

Todos os dias havia testes especiais previamente montados ao longo do deslocamento e às vezes, mais de um por dia. Essas eram as atividades que realmente valiam pontos.

Perde-se ponto? Sim! Existia uma tabela em relação a danos na motocicleta, por exemplo: se tivesse que trocar manetes, a equipe perdia 2 pontos.

Tínhamos que usar todos os equipamentos de segurança; se esquecêssemos uma luva, por exemplo, não saíamos.

Quando não saíamos cedo levando lanche e bebida oferecidos pela organização, tínhamos paradas estratégicas com alimentação nos esperando, mas todos tínhamos água no compartimento da roupa.

Não podíamos levar mochila: a única alternativa para carregar algo seria na bolsa fixa na parte de trás da moto, que atendia bem para itens essenciais como roupa de chuva, barra de cereal e lanche, ou seja, pouca coisa, mas suficientes.

Oito dias de moto e provas!

Dias intensos, cansativos, técnicos mas extremamente gratificantes! Pilotar por lugares por onde pilotamos, com pessoas de vários cantos do mundo e tendo as mesmas afinidades foi incrível!

Se não me falhe a memória foram 19 testes especiais divididos em 8 dias, dentre eles, dois de votação de fotos, um teste escrito de conhecimentos sobre a GS (que completa 40 anos esse ano), habilidades de pilotagem, velocidade, navegação, camping, físico, mecânica, trabalho em equipe, ou seja, bem diversificado!

No quarto dia, uma das provas foi a de tirar a roda traseira, dar uma volta na moto com a roda e colocá-la novamente. Quem ganhou? Brasil, com 1min12s de vantagem.

Foram inúmeras provas, e todas incríveis!

Estrutura

Um helicóptero de resgate acompanhou a prova toda com equipe médica. A parte de alimentação também foi muito bem organizada. Tínhamos boas opções de alimentação em todas as refeições, lembrando que as mais importantes que fazíamos eram o café da manhã e o jantar – o almoço normalmente era um lanche.

As estradas foram um atrativo à parte. Quando não estávamos no asfalto, o tipo de piso era terra e cascalho. Se acelerássemos,a moto patinava e saía de traseira, bem instável, mas muito divertido!

Subidas, descidas, precipícios, barrancos, passagem de águas foram inúmeras e sempre com um fundo de pedras que, na maioria das vezes, conseguíamos ver, mas algumas não.

A travessia para a ilha sul foi outro marco do Trophy! 140 motos enfileiradas para entrar no ferry, mais os carros. Foram dois andares do barco reservados para nós, um show! Todos arrumando um cantinho para esticar o corpo e dormir um pouco, pois neste dia havíamos acordamos às 3h30.

Finalmente

Rodamos aproximados 2.500 km, quase metade de off-road e terminamos na sétima posição entre 22 equipes, à frente de importantes países como Austrália (12º), Estados Unidos (13º) e Reino Unido (15º). Passamos por mais de 50 cidades/povoados/vilarejos, enfrentamos muita, mas muita poeira, fizemos vários novos amigos, tomamos sustos, vários “quase”, aprendemos que ronco é um idioma universal e se fala muito à noite.

Demos sorte com o tempo: quando pegamos chuva, foi apenas para reduzir a poeira. Confirmamos que pessoas normais como nós existem no mundo inteiro, independentemente de nacionalidade ou religião; vimos uma parte da Nova Zelândia que poucos veem e, constatamos o quão lindo é este país, com cidades impecáveis, pessoas educadas e que estão sempre sorrindo.

A tranquilidade dos campings e por onde passamos era incrível para nós brasileiros, principalmente. Documentos, celulares, dinheiro, ficavam na barraca enquanto jantávamos ou tomávamos banho.

Parabéns mais uma vez à BMW Motorrad pelo evento icônico tão complexo e tão bem organizado, formado por pessoas simpáticas, prestativas e sempre com um sorriso no rosto.

Parabéns à BMW Motorrad Brasil por mais uma vez, permitir aos usuários de GS que tivessem a chance de conhecer um pouco do que é um GS Trophy e que essa ideia continue!

Daqui dois anos, em algum lugar incrível do planeta, teremos uma nova edição do GS Trophy. Quem sabe ela não acontece no Brasil?

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