POR REDAÇÃO

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Na busca por algo que nos distraia das obrigações diárias, muitos de nós chegamos aos esportes. E, vez ou outra, esse interesse vem como uma espécie de extensão de uma atividade física ou de um hobby, como pode ser o caso do motociclismo entre os entusiastas de motos.

Entretanto, acaba que no Brasil, apesar de haver 17 milhões de motociclistas nas ruas, o esporte sobre duas rodas nunca decolou devidamente. Em vez disso, o espaço foi preenchido pelas corridas de carro e, principalmente, pela Fórmula 1, que quase sempre contou com estrelas brasileiras em seus “pits”. O sucesso dos pilotos brasileiros acabava por alimentar o interesse contínuo na modalidade, e não é à toa que nos tempos atuais, de “vacas magras”, a Fórmula 1 não chama a mesma atenção de antes em solo nacional.

Isso é algo semelhante ao que acontece com o futebol e outros esportes em que o Brasil consegue certo destaque. Sem um sistema propício para que o sucesso de uma determinada modalidade esportiva aconteça, tal feito acaba tendo sobre aquela atividade em especial um efeito positivo, mas temporário. Vimos isso em diversos momentos com o vôlei e o basquetebol, em que os títulos atraíam as câmeras dos canais de televisão e também os olhos do público.

Entretanto, pelo menos lá fora, o motociclismo continua forte. O mesmo conta com seções a ele dedicadas em alguns dos maiores portais de notícias do mundo, como o da rede de televisão britânica BBC. Isso sem contar os setores exclusivos em bolsa esportiva online e o patrocínio de grandes marcas, desde a companhia de pneus Michelin até a empresa de transporte de cargas DHL.

Ainda assim, o principal torneio da modalidade, a MotoGP, ocupa uma posição secundária no automobilismo em geral. As competições de corrida no formato “fórmula”, caso da Fórmula 1 e da IndyCar, ainda são as grandes líderes do mercado. Outros eventos envolvendo carros, como as corridas ovais da NASCAR, na América do Norte, e clássicos, como o Rally Dakar e as 24 horas de LeMans, atingem mais destaque em nossa mídia do que o torneio de motos com 19 disputas ao longo do ano, percorrendo o mundo todo.

Há de se notar que em questão de diversidade geográfica, a MotoGP “sofre” bastante em comparação à Fórmula 1. Grande parte dos seus pilotos são representantes da Espanha (8 pilotos) e da Itália (7 pilotos) – as maiores campeãs na história do torneio, com 30 títulos conquistados em 70 anos de história da categoria. Enquanto na Fórmula 1, os únicos países com mais de um representante são o Reino Unido e a Alemanha, cada um com apenas dois pilotos.

Pode até ser que os organizadores da MotoGP se encontrem em posição confortável, atraindo grande atenção por parte destes dois países e com isso criando um sistema que fornecerá pilotos espanhóis e italianos de forma regular por anos a fio. Mas, uma vez que a expansão de mercado e de fronteiras é um dos grandes fatores por trás de um negócio longevo, talvez seja o momento de reavaliar tal prática.

Não ajuda que mesmo as “categorias de base” da MotoGP possuam um recorte geográfico semelhante ao do topo da pirâmide. E é somente na Moto3 e na MotoE, que seriam, respectivamente, a terceira e a quarta divisões da modalidade, que encontramos os pilotos brasileiros Meikon Kawakami e Eric Granado.

É um quadro que pode com certeza melhorar, caso seja da vontade dos organizadores do torneio fazê-lo. A questão agora é esperar que os mesmos tenham a disposição para tal, para que, assim, o cenário tome dimensões dignas de nota.

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