5ª edição do EFX da Mulher Ribeirão Pires (um Enduro voltado só para mulheres) aconteceu em Ribeirão Pires (SP)

TEXTO: ROSA FREITAG

FOTOS: VITOR ZANETTIN / VIP-Z PRODUÇÕES

No dia 10 de março, participei da 5ª edição do EFX da Mulher, que reuniu 87 competidoras de São Paulo. Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Paraná e Santa Catarina, além de Portugal e Alemanha. EFX é a sigla de Enduro FIM Xperience, uma prova de Enduro no padrão da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), com ajustes para acolher as novatas e as diversas faixas etárias. Fabio Simões, o “Fabião Adrenatrilha”, organizador da Copa EFX de Enduro, ao notar o interesse crescente das mulheres em participar das competições, criou, em 2015, uma prova exclusiva para elas. A cada ano mais trilheiras se juntam à turma, sempre em expansão através do grupo no WhatsApp e página no Facebook.

FAZENDO HISTÓRIA

OEFX da Mulher já se consagrou no incentivo ao motociclismo off-road feminino: a paulistana Janaína Souza, destaque no Rally dos Sertões, venceu a prova pela quarta vez, inspirando a todas com sua simpatia e ótimo desempenho. A segunda colocada, Bárbara Neves, de Aparecida de Goiânia (GO), é a primeira mulher a integrar uma equipe de Enduro da Honda Racing – ela competiu pela primeira vez na edição de 2015, aos 13 anos. E a terceira colocada, Isa Oliveira, de Japaraíba (MG), estreou na EFX 2016 aos 14 anos, e hoje se destaca no Hard Enduro.

Cada uma tem histórias emocionantes sobre o evento, seja de superação, amizade, ou paixão despertada pelo off-road, como aconteceu comigo em 2015. Mafalda Valentin fez sua primeira trilha ao participar da edição de 2017, em Campos do Jordão, e Melissa, de 16 anos, estreou este ano. “Vendo tantas mulheres empolgadas, bateu um certo nervosismo – meus pais talvez tenham ficado mais tensos do que eu. Consegui a segunda colocação na categoria Junior e a sensação é inexplicável! Quero voltar no ano que vem e estar com todas as meninas novamente. A energia de todas é contagiante”.

Vanuce, de Itamonte (MG), também participou de sua primeira prova, juntando-se à equipe jordanense Gatas de Botas. E em abril, elas irão a um Enduro no Chile, com apoio da Prefeitura da cidade. Carla Pires, de SBC, foi até Itupeva assistir ao evento em 2015 e, em seguida, comprou sua primeira moto de trilha – desde 2016, marca presença na Over 40, categoria forte, cuja vencedora este ano foi Luciana “Tripa Seca” Timm. Sem andar de moto desde dezembro, recuperando-se de uma fratura no braço, e contra a ordem médica, acelerou e deixou as mazelas para trás! Tripa e Carla comandam as mídias sociais da equipe Kapangas, da qual faço parte, que reúne trilheiras espalhadas pelo Estado de São Paulo e outras regiões. É a “equipe das que não têm equipe” e fomos campeãs em troféus este ano.

INTERCÂMBIO

Em 2016, o evento recebeu as Ninfas do Off-Road, que, no mesmo ano, organizaram, em Portugal, um Enduro feminino nos moldes da EFX. Este ano, cinco delas vieram participar, e Mónica Perpétua, idealizadora da equipe, convidou as brasileiras para o próximo Enduro feminino no Porto, em outubro. Já estamos nos mobilizando para obter apoios em ambos os países. Convidei duas amigas da Alemanha, Andresa Peres e Esther Gravenkötter, que ficaram maravilhadas com a dimensão do evento e os desafios das trilhas.

LISO E DESENFREADO

Choveu muito durante a semana e na noite anterior à prova, e Fabião foi postando fotos da situação dos terrenos que enfrentaríamos: muita lama e bem “liso”, no jargão dos trilheiros. Fui fazer o reconhecimento do trecho de Enduro Teste a pé, no sábado, com as alemãs e Edna, Raquel e Renata, de São José dos Campos. “Subidão” com valas e pedras – foi difícil ficar em pé e nos divertimos escolhendo os melhores pontos para passar. Isso fez diferença na hora da prova, quando passei com confiança pelos locais memorizados. Em uma prova de Enduro FIM, a primeira volta é de reconhecimento, e os tempos são válidos somente nas voltas seguintes. No EFX da Mulher, desde a primeira volta a cronometragem das especiais já estava valendo.

Fui com minha Sherco X Ride 2 tempos, boa nas subidas, atoleiros e para transpor troncos e raízes, mas que perde nos trechos abertos, por ter motor de trial. Tudo que sobe, desce – e nos barrancos, tive que abusar dos freios, pois na moto 2 tempos o freio motor atua de maneira contrária nessas situações, aumentando a aceleração da moto.

Choveu fraco durante a prova, mas o suficiente para dificultar algumas subidas, com inevitáveis “enroscos”, e os maridos, filhos e amigos largaram as churrasqueiras e foram ajudar. Após a sequência de atoleiros na última volta, ao descer uma ladeira de paralelepípedos, senti a moto totalmente sem freios. Nem engatada e desligada ela parava! Os moradores locais me ajudaram, para a moto não despencar e, sem condições de encarar mais um trecho de trilha, segui pelo asfalto para fechar a prova no Centro Cultural Ayrton Senna. Fabião me explicou que, no Enduro FIM, o abandono significa eliminação, mas no EFX da Mulher resultou em penalização de tempo, o que me custou o primeiro lugar na categoria Over 50, na qual estreei este ano. Suzane Carvalho, instrutora de pilotagem, levou a melhor. Ano que vem, retomamos o desafio!

AÇÃO SOCIAL

Ao invés de pagar taxa de inscrição, as participantes adquiriram cestas básicas, que seriam destinadas a centros assistenciais da região. Após o evento, choveu forte e à noite houve deslizamentos que causaram mortes e deixaram vários desabrigados, exatamente naquele local onde perdi os freios – uma tragédia. As cestas básicas foram levadas pela equipe Adrenatrilha logo cedo, na segunda-feira, para os necessitados. O prefeito Adler “Kiko” Teixeira e a primeira-dama participaram da cerimônia de premiação, e Kiko formalizou o convite para a realização do EFX da Mulher Ribeirão Pires em 2020, data já confirmada para 08 de março.

Fabião decidiu não realizar as Copas EFX e CACC em 2019, mas o EFX da Mulher segue fortalecido. As participantes ganharam camisas da IMS e manoplas Edgers, e pneus Technic foram sorteados. As motocicletas utilizadas pelas sete participantes estrangeiras foram cedidas pela Honda Motofield, concessionária de Mogi das Cruzes (SP). 

NOÇÕES DE MECÂNICA

Fiquei intrigada em saber o que causou a perda dos freios. O mecânico me disse que as pastilhas vitrificaram, perdendo a eficiência, talvez devido ao choque térmico ao passar nos atoleiros. No mundo off-road, o desgaste dos componentes é exponencialmente maior em comparação com o uso urbano, e é importante saber fazer ao menos uma “solução técnica improvisada”, vulga “gambiarra”. “Partiu” curso de mecânica!

CONTATO:

Facebook: Enduro FIM Xperience da Mulher

adrenatrilha@adrenatrilha.com.br

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