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Depois de vencer a luta contra um câncer, ela precisava restaurar o seu equilíbrio emocional e para isso, decidiu que precisava realizar um sonho de adolescente: ter a sua própria scooter. Mas foi aí que uma surpresa aconteceu…

O que é a irmandade motociclista?

Com certeza diversas respostas lhe vieram à mente mas neste texto, lhe contarei uma história e você decidirá se ela se enquadra neste conceito.

Meu nome é Gilza Del Porto, ”garupatroa” do Marçal e somos integrantes do Carpe Dien Moto Turismo, com mais de 2000 integrantes donos de motos acima de 600cc.

Esta história começou em outubro de 2019 quando fui diagnosticada com um tumor agressivo no intestino. Aquilo fez meu mundo desmoronar. Neste momento, voltei meu pensamento à Deus pedindo forças e sabedoria para lidar com tudo o que estaria por vir.

Dias após, fui submetida à uma cirurgia para retirada de parte do meu intestino e semanas depois lá estava eu dando início ao pior período do tratamento: a quimioterapia, e é claro que a cabeça da gente pira. É um misto de medo, de dor, de tristeza, de desespero e muito

sofrimento. Foram momentos muito difíceis e eu não estava conseguindo me reerguer psicologicamente; meu emocional estava destruído e comecei a entrar numa tristeza bem profunda.

Eu tinha que fazer algo, então, como sou uma pessoa que nunca deixou a peteca cair, que não se entrega fácil, resolvi dar um basta nesses sentimentos que poderiam me levar para baixo e decidi lutar, afinal sou uma guerreira e guerreiros nunca desistem.

Realizando um sonho

Querem saber como comecei minha mudança? Realizando um sonho pendente desde os 18 anos: ter a minha moto, ser pilota e com isso, retomar as rédeas da minha vida e fazer disto a minha terapia. E foi com o apoio do Marçal (meu piloto) e do Matheus (meu filho), que comprei minha tão sonhada scooter: a “Ana Júlia” – nome dado em homenagem à música preferida da minha saudosa mãe.

E com a cara e a coragem, lá fui eu enfrentar o trânsito de São Paulo me “enfiando” em tudo quanto era lugar até que um dia, o amigo “escritor”, Cezinha, estava trabalhando quando recebeu uma foto de uma pessoa numa scooter com bandeira e adesivo do CDMT. Ele então enviou a foto ao grupo do Whatsapp dos integrantes e, rapidamente, soube-se quem era a mais nova “pilota”.

Quando me parabenizou pela motoca, eu lhe contei a minha história e a partir de então, ele ficou pensando em como poderia me ajudar, considerando que estávamos em plena pandemia. Foi então que teve a ideia de fazer uma pequena viagem (surpresa para mim) até a cidade de Praia Grande (SP), distante apenas 80km da capital.

No sábado, dia 6 de junho, mais de 30 motocicletas foram me buscar no condomínio onde moro. O Cezinha já foi entrando e perguntando: “Tá bom só essa turminha aí pra você?”. Vocês conseguem me imaginar aguardando três ou quatro scooters e, de repente, tantas motos aparecem em minha homenagem? Não deu pra conter minhas lágrimas e a emoção foi geral. E olha que no caminho, outros motociclistas estavam nos esperando e se integraram ao comboio.

Retornamos à São Paulo, cada um seguiu seu destino e eu e o Marçal, o nosso. Quanto a mim, estou ótima e feliz, já pensando na próxima scooter e fazendo os acompanhamentos médicos com fé de que já venci tudo isto!

Aqui deixo meu agradecimento ao amigo Cezinha pela linda homenagem, que juntamente de outros integrantes do CDMT e também de outros clubes, fez do meu dia um dos mais felizes! Agradeço também ao Ronaldinho Hawk pelo vídeo preparado com tanto carinho (https://www.youtube.com/watch?v=WS2cTb9J6xw), ao meu

amor Marçal, por ter sido o cúmplice, e ao amigo e fotógrafo Herbert Sobrinho!

Em tempo:NENHUM dos que foram até hoje contraíram o Covid-19.

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