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Modelo que substituiu a Road Glide Ultra chega repleto de tecnologia de última geração em prol do conforto e da segurança.

Texto: André Ramos

Fotos Edgard Klein

Em abril deste ano, a Harley-Davidson do Brasil anunciou a chegada de sua linha 2020 e entre elas estava a Road Glide Limited, motocicleta que passou a substituir a excelente Road Glide Ultra. Como estávamos no meio da pandemia, não tivemos condições de imediato de solicitarmos a motocicleta para uma avaliação, mas tão logo isso foi possível, ela chegou às nossas mãos e agora, você passa a conhecer tudo sobre ela, bem como, nossas impressões.

A Road Glide Limited é mais um fruto dos investimentos realizados em pesquisa e desenvolvimento do projeto Rushmore. A motocicleta traz novo e mais refinado acabamento da parte interior da carenagem, além de iluminação em LED, que abre o pacote tecnológico que ela oferece.

RDRS

Quando sentamos na motocicleta, a primeira coisa que se destaca é sua ampla tela em TFT colorida, que além de oferecer uma verdadeira central de informações sobre a motocicleta, também traz navegador via GPS e acesso a todo sistema de infotainment, onde o destaque é o conjunto de áudio Boom Box GTS de 25W por canal e quatro alto-falantes. Ah…. não poderia esquecer: a tela é sensível ao toque, mesmo com luvas e para parear seu smartphone há o sistema Apple Car Play, que permite espelhar a tela de teu celular Apple, além do sistema H-D Connect, que trabalha em conjunto com um aplicativo. Todo este conjunto de entretenimento e informação é acessado através de um joystick e de botões no punho esquerdo. E como já acontecia com a Ultra, o garupa continua com a opção de regular o volume do som em seu capacete, através de botões situados ao lado de seu assento, enquanto que tomadas 12V auxiliam no carregamento de eletrônicos.

Mas a eletrônica vai muito além disso e está presente em um pacote que a Harley batizou de RDRS (Reflex Defensive Rider System) e cujo objetivo é manter a motocicleta com tração e equilíbrio para ajudar você em sua tarefa de condução.

Este sistema é composto por freios ABS combinados com três níveis de intervenção (que eles chamam de “linkados”) otimizados para curvas (C-ABS), controle de tração otimizado para curvas (C-TCS) e controle de torque em redução de marchas também otimizado para curvas (DSCS), que vai além de uma embreagem deslizante: ele impede o travamento da roda traseira em reduções fortes, através do monitoramento da inclinação e da velocidade da roda e assim, dosando a intensidade da desaceleração de modo a que a motocicleta não derrape.

Outros itens que fazem parte do RDRS são os sensores de monitoramento da pressão dos pneus (TPMS) e o assistente de parada em subida, que para entrar em funcionamento, basta segurar com um pouco mais de intensidade o manete ou o pedal de freio: a partir deste momento, é como se um “freio de mão” tivesse sido acionado e a moto fica parada, sem que você precise se preocupar com isso.

Tudo isso foi possível de ser aplicado, graças à adoção da Unidade de Medição Inercial de seis eixos da Bosch, que envia uma série de informações à ECU da motocicleta em milésimos de segundo, de modo a gerenciar inúmeros parâmetros durante a pilotagem.

Todo este conforto se completa com assentos amplos e com espuma macia para piloto (a 735 mm do solo) e garupa (aliás, este conta com um verdadeiro sofá à disposição), plataformas no lugar das pedaleiras, tanto para piloto como garupa, manoplas aquecidas e cruise control (piloto automático).

M-8 114

Complementando todo conforto, está um conjunto mecânico e ciclístico primoroso.

O motor escolhido pela marca para equipá-la foi o Milwaukee-Eight 114, que passou a equipar algumas motocicletas da marca a partir de 2017. Este V2 a 45o de 1.868 cm3 de cilindrada, 8 válvulas acionadas por dois comandos, arrefecido a líquido e alimentado por injeção eletrônica ESPFI, entrega mais de 16 kgf.m de torque, e graças à adoção do duplo contrabalanceiro, apresenta 25% a menos de vibração que o antecessor Twin-Cam, além de contar com sistema de arrefecimento forçado, que acionado, desliga um dos cilindros em marcha lenta para reduzir a produção de calor.

Para atender à sua vocação estradeira, seu tanque tem capacidade para receber até 22,7 litros de gasolina, enquanto que suas rodas são aros 18” na frente e atrás, ao contrário da Ultra, que trazia a dianteira 17” e a traseira, 16”. A suspensão dianteira é uma Showa Dual Bending Valve, com tubos internos de 49 mm de diâmetro e curso de 116 mm, que já estava presente na Ultra. Atrás o sistema é bichoque, com regulagem manual da pré-carga (basta sacar a bolsa lateral esquerda), com curso de 76,2 mm.

Os freios apresentam discos de 300 mm de diâmetro, acionados por pinças de quatro pistões, tanto na dianteira, como na traseira: a única diferença é que na frente encontram-se dois discos e atrás, um.

Mas todo este arsenal de conforto e tecnologia tem um preço – e, convenhamos, não é lá dos mais convidativos. Segundo o site da Harley-Davidson do Brasil, em julho deste ano o preço sugerido de venda (PPS) para São Paulo estava a partir de R$ 118.700, sendo que a cor Scorched Orange/Silver Flux (Black Finish) tinha um acréscimo de R$ 3.150.

Impressões

Com mais de 2,5 metros de comprimento e 423 kg, a Road Glide Limited, é uma motocicleta que não é para iniciantes ou para quem ainda não se sente seguro em pilotar uma moto grande. Rodar pelo trânsito urbano é complicado e nas manobras com a moto parada é preciso muito, mas muito cuidado para não deixá-la tombar, pois caso ela incline-se um pouco, já era: você irá cair.

Mas é na estrada que ela encontra sua verdadeira vocação e onde todo o peso torna-se irrelevante. Resultado de um projeto ciclístico muito bem resolvido, a Road Glide Limited flui com desenvoltura e suavidade pelo asfalto, enquanto que seu M-8 114 empurra com vigor e faz com que você precise ficar atento ao velocímetro. O cruise control e as manoplas aquecidas contribuem para uma viagem ainda mais agradável e o excelente conjunto de suspensões, faz parecer que estamos flutuando a bordo.

E não é que esse tal de RDRS funciona? Durante nossa avaliação, fiz questão de abusar das frenagens e reduções de marchas dentro de curvas para ver se ele cumpria a promessa e em todas as ocasiões, foi perfeito. Santa Tecnologia! E por falar nela, o infotainment é, como diria o finado Atahyde Patrese, simplesmente um luxo.

Mas para saber mais sobre as impressões a respeito desta moto, fomos atrás das opiniões de Artur Albuquerque, que há 20 anos é proprietário de H-Ds, com várias viagens no currículo, entre elas, Ushuaia (2006) e Alasca (2011). Recentemente ele trocou sua guerreira Ultra Electra Glide, com mais de 100.000 km rodados, por uma Road Glide Limited zero bala.

“Depois de viajar de moto, do Rio de Janeiro a Teresina (PI), totalizando em retorno de 8.500 km, a maior autonomia da Road Glide sobre as Electra Glides, que integravam o trem de seis motos de casais amigos na viagem, me impressionou bastante, principalmente, nos momentos de sufoco em que o posto de gasolina previsto teimava em não aparecer.

“Em função da aerodinâmica de ambos os modelos, Morcego (Electra Glide) e Tubarão (Road Glide), quando a velocidade passa dos 100 km/h, por exemplo, a aerodinâmica da carenagem frontal da Road Glide penetra o ar com mais facilidade, impactando positivamente na sua autonomia, em função do menor consumo de combustível.

“Seu centro de gravidade mais baixo e o guidom mais leve, por não estar acoplado à carenagem frontal, facilitavam bastante as manobras em baixa velocidade. Em uma segunda viagem, subindo a Serra dos Órgãos em direção a Teresópolis (RJ), o guidão, livre do peso da carenagem, possibilitava curvas mais precisas e mais suaves, exigindo atenção para não exagerar, devido à maior facilidade.


Nas paradas em aclives, o emprego do recurso Assistente de Partida em Rampa foi um grande facilitador, porque me liberava de manter a mão acionando o freio dianteiro ou a mão controlando a embreagem com a moto em primeira marcha, na iminência do movimento. Assim, os momentos de retomada do deslocamento, em aclives, foi uma tranquilidade.

Sobre o Controle de Tração e Freios ABS em Curva, ainda não percebi o uso de nenhum dos dois, porque a utilização sem excessos do acelerador, ainda não me permitiu experimentar essas comodidades.”

Ficha Técnica

Motor: Milwaukee-Eight bicilíndrico a 45o, DOHC, 8V, refrigeração líquida

Cilindrada: 1.868 cm3

Alimentação: injeção eletrônica por portas sequenciais (ESPFI)

Diâmetro x Curso: 102 x 114 mm

Potência: n/d

Torque: 16,86 kgf.m a 3.000 rpm

Câmbio: 6 velocidades

Chassi: tubular fabricado em aço

Susp. Diant.: Showa Dual Bending Valve, 49 mm diâm., 116 mm curso

Susp. Tras.: bichoque, com regulagem manual de pré-carga e retorno, 76,2 mm curso

Freio Diant.: discos duplos 300 mm, pinça 4 pistões, com ABS otimizado para curvas

Freio Tras.: disco 300 mm, pinça 4 pistões, com ABS otimizado para curvas

Pneu diant.: BW 130/70B18 63H

Pneu Tras.: BW 180/55B18 80H

Peso: 423 kg (ordem de marcha)

Tanque: 22,7 l 

Preço:  R$ 118.700 (*)

(*) A partir de R$ 118.700, preço público sugerido para São Paulo, sem frete.

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