Durante duas semanas, um grupo de brasileiros capitaneado pelo experiente João Tagino, conheceu os encantos desta região, repleta de belezas, histórias e encantos.

Texto e fotos: Tagino Adventure Tour

Apesar de todo acesso à informação que temos atualmente, ainda hoje o Leste Europeu é uma região pouco conhecida e explorada por nós, brasileiros. De uma beleza cinematográfica, com forte apelo histórico e encantamento únicos, o Leste Europeu apresenta lugares sem adjetivos para descrevê-lo e estar lá é como viajar dentro de um conto de fadas – só que em duas rodas!

Nossa viagem começou por Milão, uma cidade que dispensa comentários: Duomo, Galeria VicttorioEmanuele II, lojas antenadas comos centros que ditam a tendência da moda no mundo, restaurantes fantásticos e vinhos D.O.C. (Denominação de Origem Controlada).

No dia seguinte ànossa chegada, fomos receber as motocas: duasDucatiMultistrada950 e duasBMW R 1200GS Adventure, além de um carro de apoio, um BMW 520, que seria conduzido pelo casal Guto e Suzan.

Nosso primeiro dia foi com destino a Veneza, com uma parada providencial na capela Madonna de La Corona, que fica em um dos locais pitorescos do norte da Itália: incrustado em uma rocha a 774 metros de altura e escondido pelo Monte Baldo, é um lugar místico que, mesmo para os mais incrédulos, transmite paz e remete ao silêncio e meditação.

Veneza dispensa comentários ou adjetivos. Passear e navegar por seus canais é surreal e um jantar ao por do sol na Plaza San Marco é para sempre.

No dia seguinte saímos de Veneza para Liubliana, a capital da Eslovênia. Logona fronteira visitamos o primeiro entre dezenas de castelos que fazem parte da sua paisagem. Cortada pelo rio Ljubljanica, a cidade é deliciosa,com clima adorável e povo simpático. No jantar desfruamos do gulash, prato preparado com carne bovina ou suína cozida, misturada à gordura quente, farinha, cebola, pimentão e outras especiarias.

No terceiro dia, nosso destino foi Zagreb, a capital da Croácia. Outro lugar incrível de nosso roteiro, repleto de castelos medievais ao longo dos 195 km deste dia. Como estávamos em estradas secundárias, as fazendas e sítios pareciam saídos de livros de nossas infâncias. As estradas, aliás, são um encanto e são um convite à andar devagar, até porque, nossa distância era tranquila de ser percorrida a baixa velocidade. Enfim, prazer total.

De Zagreb, seguimos em direção a Budapeste (Hungria), sempre evitando as autopistas em favor de estradinhas nas quais a vontade é de andar a 30 km/h para absorver ao máximo de seus encantos. Margeamos o Lago Balaton, o maior lago de água doce da Europa Central por cerca de 60 km, encontrando cenários lindos um após o outro.

A história dos sapatos

E Budapeste? Uma paixão sem igual: história,cultura, belezas únicas, gastronomia e muita, muita cerveja. Já estive nesta cidade por três vezes e nunca me canso de admirar suas paisagens e de me entorpecer com suas histórias. Uma das que acho mais fascinantes é a que fala dos sapatos às margens do Rio Danúbio. Na Segunda Guerra, os judeus, ciganos e outras minorias eram levados à margem e fuzilados com um tiro da nuca, mas antes de morrerem, tiravam os sapatos, pois não mais iriam precisar deles. Enfim um horror!O monumento a estes mártires foi inaugurado em 2005 e visitá-lo é um programa imperdível.

Ali mesmo na calçada, 100 metrosà frente, fica o porto de onde saem os cruzeiros que percorrem o Danúbio. Alguns duram apenas 4 horas, o suficiente para um jantar e ter a perspectiva da cidade pelo rio. Amigo, jantar num cruzeiro no Rio Danúbio é surreal!

No sexto dia é hora de sair da Hungria rumo à Eslováquia e sua capital Bratislava,ao longo de 190 kmde pura magia. Além da estrada que nos fazia seguir ora na margem direita, ora na margem esquerda do histórico Danúbio, o Castelo de Bratislava e as lotadas ruas de bares e cafés são as atrações principais. Não dá vontade de deixar o lugar!

Mas temos de seguir em frente e no sétimo dia fomos à Viena (Áustria), novamente margeando o Danúbio ao longo de meros 69 km, percorridos em duas horas de puro prazer. E Viena? Terra de Mozart, Beethoven e Freud, de muita história e cultura. Palácio Belvedere, passeio de carruagem pelo centro histórico, caraca, que cidade é essa? Uma semana é pouco por aqui.

De Viena, fomos a Cracóvia, na Polônia. O objetivo era conhecer a cidade natal do papa João Paulo II e Auschwitz. Nesse dia foram 480 km por autopistas, pois tínhamos que fazer render – e valeu muito a pena!

A história da Polôniaé triste; em quase todas as guerras foi o país mais devastado e na Segunda Guerra, em particular, morreram mais de 6 milhões de poloneses, na sua maioria, judeus que foram assassinados. Passamos uma tarde em Auschwitz; o ar pesa toneladas e a história do que acontecia alidestrói o mais duro dos corações e nos faz ter a total noção de o quanto o ser humano pode ser mal. Enfim, a Polônia vale a pena!

Em nosso nono dia seguimos rumo a Praga, na República Tcheca, 470 km de boas estradas. Aqui tivemos um dia de descanso para também aproveitarmos a cidade. A República Tcheca foi um dos países que não recuperou sua economia e ainda é um dos primos pobres da Europa. A cidade é cortada pelo Rio Moldava e em sua região central é onde encontram-se as principais atrações turísticas. Boa cerveja, muita carne de porco, uma culinária maravilhosa. É no centro que fica a histórica Ponte Carlos e o Castello de Praga.

Modernidade e sonho

No décimo primeiro dia seguimos a Munique e aí entramosna Europa moderna. Munique é uma cidade cosmopolita, sede de centenas de empresas globais; muita tecnologia e inovação.

Na chegada,avista-se aAllianz Arena, cuja arquitetura é de encher os olhos. Como bons motociclistas, BMW e KTM, que são próximas, são paradas obrigatórias. No centro histórico está a Marienplatz (em português, Praça de Maria),que foi fundada em 1158 e em cujo centro encontra-se a Coluna de Maria, erguida em 1638.Nela ainda estáNeues Rathaus, a nova câmara municipal, em estilo neogótico, com seu relógio e carrilhão famosos.

Saindo de Munique sentido Suíça, fomos a um dos lugares mais aguardados pelo grupo, o Castelo Neuschwanstein. Situado na Baviera, foi construído na segunda metade do século XIX por Luís II da Baviera, inspirado na obra de seu amigo e protegido, o grande compositor Richard Wagner. Este é o castelo que serviu de inspiração para Walt Disney criar o “Castelo da Bela Adormecida”. Encantados com a visita, seguimos a Vaduz, em Liechtenstein, passando novamente pela Suíça, um conto de fadas como país e de leis de trânsito extremamente rígidas.

Passamos no famoso Centro de Convenções de Davos e no dia seguinte fomos a um dos lugares mais mágicos da Europa:o PassoDelloStelvio, que fica na fronteira entre aSuíça e a Itália. O lugar é a meca do mototurismo europeu, tão obrigatório para eles, quanto o Atacama para a América do Sul.

Nós já tínhamos planejado dormir lá, na altitude de 2.757 metros. Eranovembro, final de outono. Chegamos com 0oC e logo depois nevou. Foi um espetáculo pernoitar nesse lugar mágico e histórico, saboreando fantásticos vinhos italianos no jantar. Fomos dormir tarde, já em ritmo de comemoração de uma viagem inesquecível.

No dia seguinte (15o) descemos e seguimos rumo a Milão, onde devolvemos as motos e tivemos ainda tempo de visitar o Duomo.Tudo perfeito, era hora de pegar o voo, pois no Brasil já nos esperava um novo grupo, este com destino ao Peru, mas esta é uma outra história.

Muito obrigado ao grupo: Plinio Carloto, CleiberFortes, Dirceu Arruda, Plinio CarlotoSpuldaro , e SuzanCarloto.

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