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Com uma equipe inusitada, uma viagem de maxi-scooter X-ADV pela América do Sul.

Texto: Marcelo Leite – Fotos: Érico

Esta não foi uma viagem convencional. Três carros Honda WR-V nas mãos de Amyr Klink, Joel Leite e Flávia Vitorino. Eu e a Libera Costabeber com as maxi-scootersHonda X-ADV.

Para quem não conhece a Libera, ela é uma experiente piloto de enduro e rally(Sertões, etc.).

A primeira coisa que acertamos foi a dinâmica entre carros e motos. Combinamos pontos de encontros, destinos de fim de dia e cada grupo teria vida própria. Funcionou!

Saímos da marina de Paraty (RJ)onde o Amyr fez questão de pegar água para levar até o Pacífico.

Fomos em direção à Campos do Jordão passando pela Estrada das Pedrinhas.Primeiro dia e logo esse trecho de terra e pedras soltas. Ainda estávamos cheio de dedos, mas nos soltamos logo…Deixamos carros, pick-ups e outras motos para traz. Logo no primeiro dia as X-ADV já se mostravam uma surpresa. Os caras de motos off-road não acreditavam. Afinal eles viam 2scooters disputando terreno com eles. Tá certo que eram as X-ADV, mas para quem não conhece…

Era nosso primeiro contato com a transmissão DCT em off-road. A adaptação foi rápida; fomos testando os diversos modos de Automático e Manual. Logo chegamos às melhores configurações. A velocidade de troca de marcha é um absurdo de rápido e isso muda a maneira de pilotarmos. Depois de pegar o jeito, nos concentramos em buscar os melhores caminhos, jogo de corpo e navegação. A tração na roda é garantida, o prazer de pilotar nem se fala.

No dia seguinte rodamos quase 900 km em direção ao Pantanal. Fomos bem. O punho direito foi chamado, algumas vezes sem dó.

No dia seguinte chegamos ao famoso Refúgio Cayman. O lugar é lindo,mas logo no início o que mais tinha eram jacarés. Um deles atravessava a pista estreita. A coragem da Libera sumiu. Desceu da X-ADV e foi empurrando devagar deixando a moto como proteção para uma eventual investida do bichinho.

Depois de Corumbá entramos na Bolívia sem dificuldades. A estrada de Puerto Suarez a Santa Cruz está toda asfaltada. O problema eram as queimadas sem controle, algumas invadindo a pista. Achamos melhor ficar em San José de Chiquitos, fundada pelos Jesuítas, para só na manhã seguinte encontrarmos o grupo em Santa Cruz.

Seguimos Bolívia adentro por Aiquile, Sucre e Potosí. Cidades confusas e cravadas nas montanhas. A altitude e o frio já se faziam sentir.

Passamos a 4.200 metros de altitude antes de chegarmos à cidade de Uyuni. Friozinho convidativo para umas pizzas.

O Salar de Uyuni é espetacular. O visual é de outro planeta. Ficamos horas acelerando e brincando na água salgada. Termômetros levemente negativos, mas a adrenalina segurava. O sal formou uma crosta perigosa nos radiadores. Com uma chave de fenda consegui tirar o grosso e seguimos para a cidade para cuidarmos das motos. Muita água, sabão e uma lubrificação cuidadosa no final.

Para o dia seguinte queríamos atravessar a fronteira do Chile por Ollague. Como seria o Dia Nacional da Bolívia, nos disseram que a fronteira estaria aberta somente pela manhã.

Sabíamos que seria um caminho todo de terra com longos trechos de areia. Fizemos as contas e saímos às 7h. Fazia 10oC negativos. No início havia placas de gelo. Apostamos que a temperatura iria subir aos poucos, mas foi exatamente o oposto. Bateu em 12oC negativos!Tava difícil e muito sofrido. Por coincidência do destino encontramos o Amyr desgarrado do seu grupo. A Libera estava congelando e mal conseguia mexer as mãos. Paramos, ela entrou no carro e lá ficou um bom tempo com motor ligado e ar quente no máximo.

O sol finalmente nos aquecia. Olhamos o relógio e apostamos que se puxássemos bem, ainda daria pra passar a fronteira. Nos despedimos do Amyr e fomos em ritmo alucinado pelas pistas de areia. Correndo contra o tempo, as X-ADV não negavam fogo, lado a lado, um passa a passa e a adrenalina nas alturas.

A Libera, brincando, disse ao final que tínhamos feito uma verdadeira especial digna dos Sertões, mas de maxi-scooter! A fronteira estava aberta. Ela chorou de tanta emoção acumulada…

Entramos no Chile sem problemas, paramos para umas empanadas quentinhas e seguimos para San Pedro. Chegamos ao fim do dia. Um banho quente e um jantar dos deuses completou esse dia inesquecível.

Aproveitamos San Pedro como se estivéssemos de férias. Os arredores, os gêiserescom suas águas vulcânicas e todas essas coisas gostosas do pedaço.

Direção Iquique, já pela costa e mais uma fronteira tranquila.Nosso mundo agora seria o Peru da Pan-Americana pelo Pacifico.Curvas, descidas e subidas o tempo todo. Montanhas e deserto do lado direito. Mar do lado esquerdo. Foram dias de pilotagem pra lá de gostosa.

Passamos por Tacna, Camaná, Nazca, Ica e Pisco. Peixes e frutos do mar maravilhosos em qualquer boteco de frente para o mar. Barcos, marinas e aquele cheiro inconfundível. E assim fomos até Lima.

Nos reencontramos todos novamente. Fizemos 7.500 km em 17 dias intensos. Estávamos nos sentindo de missão cumprida e prontos para a próxima.

As X-ADV foram realmente exigidas, mas não deram nenhum problema. Elas tiveram performanceinacreditável em todos os ambientes. A transmissão DCT é sem duvida o maior destaque e com certeza foi o maior motivo de nosso o prazer de pilotar.

MAS AFINAL O QUE É A TRANSMISSÃO DCT?

A sigla vem de Transmissão de Embreagem Dupla (Dual ClutchTransmission em inglês). No DCT há uma embreagem para cada eixo da caixa de transmissão. Uma para as marchas pares (2, 4, 6) e a outra para as impares (1, 3, 5). A consequência imediata é que as trocas se fazem em uma velocidade muito maior. Além da rapidez, quase não há perda de potencia na troca.

Quando se está em uma das opções do modo automático, a inteligência do sistema leva em conta parâmetros de velocidade, aceleração, rotação, frenagem, inclinação e outros para decidir qual marcha acionar. Quando se está no modo manual é o piloto, através das borboletas de acionamento (+ ou -), que define qual será a marcha.

A tecnologia de embreagem dupla nasceu nos carros de alto-desempenho e de competição em busca de esportividade! O conforto é um enorme ganho paralelo.

Na prática isso é mais prazer em pilotar. Em ambiente urbano, é só deixar a coisa rolar no automático e focar a atenção no transito. Na estrada aberta é só escolher a melhor modalidade do automático e curtir a estrada. Em solo instável (graveto, areia, etc…) é importante manter a moto sempre tracionada. No DCT existe até um botão ´G´ justamente para ampliar a tração na roda. Outra possibilidade é rodar no manual em off-road.

O piloto está no comando o tempo todo. Imagine estar no automático em uma grande estrada e do nada você quer dar uma puxada para fazer uma ultrapassagem agressiva, basta acionar a borboleta de redução de marcha e pronto. Simples assim. Automático sim, mas sob comando do piloto o tempo todo, quando e como ele quiser.

No punho esquerdo ficam as borboletas para acionamento manual (+ ou -). Do lado direito a seleção de modo Automático/Manual e os modos de automático (D/S).

Marcelo Leite é engenheiro, palestrante e autor de “Estrada para os sonhos”. Para saber mais: www.marcelo-leite.com

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