Integrantes do moto clube “Sem Rumo” viajaram de Bonito (MS) a Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Foram 2.800 km repletos de experiências inesquecíveis

TEXTO E FOTOS: ADENILSON PADOVAN

Manhã de quarta-feira, dia 24 de julho de 2019, 5h30. Motores ligados, bagagens arrumadas, motos revisadas – e assim começou mais uma viagem do moto clube “Sem Rumo”. Vamos às apresentações: Alex, com sua Triumph Tiger 1200 Explorer; Nisflei, com sua Kawasaki Versys 650 ABS laranja; e eu, a bordo de uma Kawasaki Versys 650 ABS preta. Todos muito bem equipados para mais 2.800 km que farão parte de nossa história sobre duas rodas. Nosso roteiro: saída do ABC Paulista, Bonito, Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. E depois, um suave retorno curtindo a poeira da estrada.

Percorremos os 330 km da Rodovia Castelo Branco. A viagem rende muito devido à pista e à isenção dos pedágios. Mas a alegria dura pouco e, na Raposo Tavares, as motocicletas passam a pagar pedágio – e até Presidente Epitácio, última cidade do Estado de São Paulo, há oito deles, uma praça a cada 50 km, um total de R$ 80,00, aproximadamente, somando ida e volta. Almoçamos após a divisa SP/MS no restaurante Sabor de Minas, que recomendamos. É bom e barato!

ENCONTROS CASUAIS

Aproximadamente 32 km depois da cidade de Bataguassu (MS), ao pararmos para abastecer, encontramos dois irmãos de estrada: Cabelo, com sua Kawasaki Versys 650 branca, e Sergio, com sua Yamaha XJ6. Ambos voltavam para Criciúma (SC), terra de origem, mas esses destemidos viajantes já haviam percorrido o Nordeste, passado pelo Estado do Pará, e agora cruzavam o Mato Grosso do Sul. É sempre gratificante e motivador encontrar pessoas que fazem da estrada uma parte de suas vidas. Por volta das 17h, após rodarmos 970 km, chegamos à cidade de Rio Brilhante (MS). Nos hospedamos no hotel das Araras, com diária de R$ 80,00. Após um jantar e uma cervejinha, curtimos um merecido descanso.

Dia 25/07 – Quinta-feira. Amanheceu, um bom café, motos abastecidas e partimos para Bonito.Foram 250 km até o nosso destino. Na entrada da cidade de Jardim, uma antes de Bonito, tem um posto da Polícia Federal, e fomos parados por uma simpática policial e, pela primeira vez na minha vida, passei pelo etilômetro – popularmente, conhecido como bafômetro. Mas, para felicidade geral, todos foram liberados! No posto, fomos perguntados pela policial se estávamos indo para o festival de inverno de Bonito, que começava justamente neste dia e ia até domingo, dia 28/07. Surpresa e felicidade, pois não sabíamos do evento.Quer notícia melhor?Que blitz produtiva!

Chegando à cidade, que estava um pouco cheia devido ao festival, nos hospedamos na pousada Pantaneira, com diária de 75 reais. Após nos estabelecermos, fomos até a praça e comemos uma panqueca em um frio de 11 graus:bem-vindo à Bonito! Depois, fomos aos shows na arena, literalmente congelante. Em seguida, fomos para o restaurante Taboa terminar a noite com um caldo para aquecer.

FRIO CONGELANTE

Na manhã seguinte, fazia muito frio – os termômetros marcavam 10 graus. O que fazer nessa terra cercada por águas congelantes? Alugamos três bicicletas e fomos pedalar. A cidade tem uma bela ciclovia, que acompanha a rodovia e vai até o balneário municipal. E assim, nosso destino foi traçado. Nosso querido Alex quase desistiu na primeira subida. Após o convencermos, ele reuniu todas as suas forças e continuou. Devido ao festival de inverno, a entrada do balneário estava liberada e apreciamos um belíssimo show regional com viola e acordeom. O valor de aluguel das bikes? Aproximadamente R$ 100, 00, as três, para o dia todo.

            Na volta à cidade, almoçamos no restaurante Rei do Jacaré, que servia uma comida boa e acessível aos nossos bolsos. Depois, fomos rodar mais pelas ruas de Bonito. Pedalamos até a outra ponta da cidade, um total de aproximadamente 10 km. À tardezinha, fomos ao restaurante Arco Iris, na avenida principal, e ali, resolvemos que voltaríamos à noite para tomar um vinho. E assim foi feito.

No sábado, dia 27, partimos para Ponta Porã após o café da manhã – afinal, tínhamos 270 km pela frente. Por volta das 12h30, chegamos onde o Brasil faz fronteira com o Paraguai. Hospedamo-nos no hotel Guarujá, com diária de R$ 65,00. É um hotel bem localizado, no centro – e atravessando a avenida, já estávamos em terras paraguaias. Almoçamos e caminhamos para a cidade de Pedro Juan Caballero (Paraguai). Primeiro, marcamos território com o nosso tradicional adesivo. Depois, fomos aos shoppings Studio Center e China para as compras com o dólar a R$ 3,99. Adquirimos muitos itens, especialmente, perfumes. À noite, em Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, fazia um baita frio. Assim, não nos restou muita coisa a fazer exceto dormir, pois, no outro dia, retornaríamos a São Paulo.

CAMINHOS DA VIDA

No domingo, partimos de Ponta Porã às 9h, com destino a Presidente Epitácio. Abastecemos as motos no Paraguai – o litro da gasolina estava mais em conta, R$ 3,35; e, como seriam apenas 470 km naquele dia, fomos tranquilos e fizemos um percurso interessante: em vez de irmos por Nova Alvorada do Sul (MS), seguimos por Anaurilândia (MS). Porém, ambos os caminhos dariam em Bataguassu (MS).  

Para os viajantes, aconselho este caminho, que passa por lugares bem interessantes. Começamos pelo distrito de Lagoa Bonita, pertencente a Deodápolis. Lá, paramos em um bar para um breve descanso e conhecemos Pi, “a lenda” – ao menos, foi assim que ele se autodenominou. Um cara meio filosófico e uma das figuras interessantes que encontramos nos rincões brasileiros. Paramos em Deodápolis para abastecer as motocicletas e almoçar em um restaurante de comida caseira, onde se paga R$ 20,00 e come-se à vontade. Seguimos viagem passamos por Ivinhema, Nova Andradina, Anaurilândia e Bataguassu, última cidade do Mato Grosso do Sul antes da divisa com São Paulo. Um percurso muito legal!

Após 470 km, paramos em Presidente Epitácio, no Hotel Maanain (diária de R$ 55,00). Pense em uma cidade com uma orla linda! Não poderíamos imaginar que o visual do rio Paraná, ao entardecer, fosse tão bonito. Valeu cada minuto e fomos brindados com um pôr do sol inesquecível. Por volta das 21h, a população local começou a se recolher. Brindamos mais algumas vezes aquele momento ímpar e também fomos dormir, afinal, ainda restavam 700 km para chegarmos às nossas casas.

Na segunda-feira, às 8h, tomamos café e pusemos o pé na estrada. Paramos para abastecer e, depois, almoçamos no Km 200 da Rodovia Castelo Branco. Lá, nos despedimos e, mais uma vez, tivemos aquela sensação de “missão cumprida”. Mais 2.800 km de rodagem para a nossa conta!

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