Três aventureiros, uma Triumph Tiger 1200, uma Tiger 800 e uma Honda NC 750X. O propósito: pilotar de Rondôniaaté a Bolívia. Foram 15 dias de viagem, 7.040 quilômetros rodados, curiosidades e aumento da bagagem cultural

 TEXTO E FOTOS: ADENILSON PADOVAN

Dia 30 de junho de 2018, sábado. Nesta data começava mais uma das nossas grandes missões sobre duas rodas. Rumamos para o estado de Rondônia e assim tivemos o privilégio de conhecer a Floresta Amazônica, o Pantanal do Norte e sentir o poder do agronegócio. Vamos às apresentações: Alex Paubel, 40 anos, professor universitário, com sua Tiger 1200, moto que dispensa comentários – seu tamanho assusta os mais baixinhos, como eu, mas seu desempenho e conforto são inquestionáveis. Nisflei Galoni, 42 anos, também professor universitário, com sua Tiger 800, motocicleta já consagrada (eu mesmo certifico sua qualidade, afinal já foi minha companheira de viagem). E, por fim, esse que vos escreve, Adenilson Padovan,52 anos, historiador, sociólogo e professor universitário, utilizando uma Honda NC 750X – no decorrer da viagem vou destacar sua economia, que considero ser seu grande atrativo.

Partimos por volta das 5h30 e chegamos a Alto Taquari, no Mato Grosso.Rodamos 1.100km, até nos hospedar no hotel Kayabi. Na sequência fomos rumo ao Alto Araguaia, e ainda bem que levantamos dispostos a superar obstáculos: foram 60 km de estrada em péssimas condições, e mesmo caindo em um buraco ou outro, passamos ilesos. Enfrentarmos um trânsito intenso,de milhares de caminhões, entre o trecho de Rondonópolis a Cuiabá, e rodarmos 720 km para chegara Cáceres. Nessa ocasião, nos hospedamos no hotel Rio Doce.

Continuando a saga, seguimos em direção a Vilhena, primeira cidade de Rondônia. Neste dia, viajando em plena época de Copa do Mundo, tinha jogo do Brasil contra o México, e nos programamos para tal: rodamos 230 km até chegarmosa Pontes e Lacerda (MT). Encontramos um bar chamado Curral e fomos muito bem recebidos pela torcida, que já estava toda preparada para o jogo. Brasil 2 x México 0,e muita festa! Por volta das 15h estávamos em Vilhena (RO), quando nos hospedamos no hotel Colorado.

“Motocas”impecáveis

Nosso projeto, no terceiro dia de viagem, era chegar até a cidade de Alto Paraíso (RO). Missãodada, missão cumprida! A respeito das motos, após termos rodado aproximadamente 3 mil km, todas se encontravam na mais perfeita ordem. Na quarta-feira, após o almoço, partimos para Porto Velho, que estava a 200 km de distância. Em Alto Paraíso reencontrei os famosos “giricos”, veículos que já dominaram o cenário da cidade, mas hoje estão um pouco fora de moda, porém foram fundamentais para a construção e crescimento local.No caminho para Porto Velho passamos pelo vilarejo Rei do Peixe, às margens do Rio Jamari, onde as casas são feitas sobre palafitas, belo lugar para se apreciar.

Chegando a Porto Velho, nos hospedarmos no hotel Central, e nos encontramos com os amigos no bar Portal do Sol, à beira do Rio Madeira, para celebrarmos regados a cerveja e peixes da região.Porto Velho, sol a pino, à tarde seguimos rumo a Guajará-Mirim, onde o Brasil faz fronteira com a Bolívia e, a partir daí, tivemos o mais novo integrante da trupe: Renan Rigoto, 30 anos, veterinário, com sua Honda CB 1000, preta, ano 2012. Ficamos hospedados na pousada Estrela. De manhã, atravessamos o Rio Madeira de barco, conhecido como voadeiras, rumo a Guayaramerim (Bolívia). A passagem de barco custa R$ 8,00 por pessoa e a travessia demora cerca de 15 minutos.

Por ser considerada zona franca, o comércio boliviano estava muito fraco devido à alta do dólar, portanto, o que nos restou foi beber a famosa cerveja boliviana Pacenha. Vamos às peculiaridades de Guayaramerim. É uma cidade infestada de motos, e o curioso é que os veículos não têm placas e todos andam sem capacetes, por vezes em até quatro pessoas em cada motocicleta. Um trânsito de fazer inveja aoglobo da morte, centenas e centenas de motos cruzando ruas, e nenhum acidente. As curiosidades não param por aí: existem os famosos tuc-tucs circulando pela cidade como táxi. Por volta das 12h retornamos ao Brasil para assistirmos ao fatídico jogo entre Brasil 1 x Bélgica 2, em uma lanchonete debaixo de um calor insuportável.

Pela manhã, resolvemos voltar por um caminho alternativo para Alto Paraíso: rodaríamos 180 km por terra, mas economizaríamos 120 km do caminho tradicional. Eu e meu amigo Nisflei resolvemos encarar. Fomos até Nova Mamoré e dali saímos sentido Buriti, e demos início ao nosso rally por uma estrada de terra batida de puro pó. A primeira parada foi no vilarejo de Nova Dimensão para se refrescar bebendo água e uma cervejinha gelada. Continuando, entramos no Parque Estadual Guajará-Mirim, uma estrada que corta a Floresta Amazônica por cerca de uns 40 km.Saindo do parque, chegamos a Jacinópolis e fizemos mais uma parada.Seguindo viagem, passamos por Ariquemes e, por fim, após 410 km, estávamos em Alto Paraíso. Domingo é dia de descanso nessa região. Deixamos aqui nosso agradecimento especial à família Rigoto, que nos recepcionou de maneira maravilhosa.

Voltando para casa

Na segunda-feira, começamos nosso o retorno. No caminho, aquele calor insuportável foi dando lugar a um ar mais fresco, clima ótimo para viajar. Depois de 680 km, nos hospedamos na cidade de Comodoro (MT), e aquele arzinho agradável se transformou em frio – a frente fria do sudeste chegou aonde estávamos. Esqueçam definitivamente a ideia de que não faz frio na região norte, faz sim, e provamos isso na prática: 13º C pela manhã, com sensação térmica de 10º C. Enfim, o jeito foi subir na moto e congelar. A 37 km de Poconé, e com o clima mais ameno, paramos no Vilarejo da Nossa Senhora do Chumbo, no bar do Dito, para descansar um pouco e comemorar mais um trecho rodado. Aviso importante: o forte vento lateral que nos acompanhou pelos 600 km nesse dia fez o consumo das motos aumentar muito, a NC, que estava fazendo em média 25 km/l, caiu para 21 km/l.

Em Poconé nos hospedamos na pousada Tuiuiú. Pela manhã desbravamos uma linda estrada de 45 km que corta o Pantanal, onde jacarés podem ser vistos – caminho a ser curtido devido à presença de diversos animais nativos. Após uma breve visita ao SESC fomos ao bar do João, na marina Porto Cercado, à beira do rio Cuiabá para curtir a beleza local. Na sexta-feira 13, Dia Mundial do Rock, pernoitamos na cidade de São Francisco, já em São Paulo, na casa dos amáveis pais do nosso amigo Nisflei. Não poderia deixarde fazer mais um agradecimento especial, dessa vez a esse incrível casal.

No sábado, 14 de julho, restavam 650 km para chegarmos ao nosso destino de origem. Por volta das 15h todos já estavam em suas casas, agradecendo pelo sucesso dos 7.040 km percorridos. O Brasil é maravilhoso! E não podemos esquecer de agradecer as “meninas”: a Tiger 1200, a Tiger 800 e a econômica NC 750X por terem tido uma performance impecável do começo ao fim da viagem. A viagem foi realizada entre os dias 30/06/18e 14/07/18.

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