Rally RN 1500 atinge a maioridade e mostra porque é um dos mais completos eventos do gênero na América do Sul

TEXTO: DONI CASTILHO

FOTOS: CLAUDINEY SANDRO/DFOTOS, DONI CASTILHO/DFOTOS E GUSTAVO EPIFANIO/DFOTOS

Esta edição do RN1500 foi determinada pelas condições climáticas no Nordeste. As fortes e constantes chuvas que caíram antes e durante o evento influenciaram a competição, exigindo dos organizadores um monitoramento em tempo integral do clima e das condições do percurso. Mas nem mesmo o aguaceiro impediu a mescla incrível de terrenos em que foi disputada a prova. Dunas, piçarras, erosões, subidas e descidas de serras, travessia de rios e muito mais. E, depois de muita chuva e quatro dias de desafios, o RN 1500, um dos mais fortes e queridos ralis do calendário, completou sua 21ª edição. A maioridade veio com mais uma prova bastante disputada, com vários vencedores entre as etapas e, no fim das contas, uma mescla de gerações alcançando o topo dos pódios.

Um desafio à parte dentro da prova (e que se repetirá ao longo da temporada de Cross Country) foi a disputa entre Honda e Yamaha. De um lado, a Honda concentrou seus esforços em sua equipe oficial, a Honda Racing. Formada pelos pilotos Gregório Caselani, Jean Azevedo, Tunico Maciel (os três de CRF450RX) e Bissinho Zavatti (que corre com a CRF 250F Nacional). Do outro lado, a Yamaha dividiu seu apoio em equipes satélites, com destaque para os pilotos Ricardo Martins, Luciano Gomes, Bruno Leles (de Santa Catarina), Ramon Sacilotti (de São Paulo) e Tulio Malta (de Minas Gerais), entre outros craques (todos de WR450).

1º DIA: SÃO MIGUEL DO GOSTOSO – ASSU

A exemplo da edição passada, o 21º Rally RN 1500 começou a todo vapor. O trecho entre São Miguel do Gostoso e Assu foi completo, com dunas, terra batida, piçarra, pedras e muitas poças d’água, exigindo habilidade dos participantes. Após 248,93 km, com 151,41 de especial (trecho cronometado), o experiente piloto paulista Jean Azevedo garantiu a vitória na etapa. O vencedor entre as motos destacou a boa estreia no Rio Grande do Norte. “Foi uma etapa tradicional do rali nas dunas. Depois, pegamos muitas poças d’água, pois tem chovido demais aqui, dando uma característica nova à prova. Foi um dia bom e não tive problemas com minha Honda. Estou 100% para amanhã e agora é continuar focado até o fim para buscar meu sétimo título do Rally RN 1500”, declarou o piloto.

Nos UTVs, a dupla mais rápida da quinta-feira foi Vinicius Barbalho Mota/Rafael Shimuck (UPE), com o tempo de 2h32min39seg, ficando em segundo lugar Henrique W. Gutierrez/Andre Munhoz (UPE), com 2h33min53seg, e em terceiro, Riamburgo Ximenes de F. Jr/Flavio França (UPE), com 2h34min53seg. A dupla Denisio do Nascimento/IdaliBosse (UPE), campeões em 2018, ficou em quarto lugar, com 2h35min01seg.

2º DIA: ASSU – ASSU

O desafio foi de 211,21 km, com especial de 131,61 km e largada e chegada em Assu. Os pilotos e navegadores tiveram pela frente uma mescla de trechos rápidos e sinuosos, com bastante água. Uma etapa dura e que, mais uma vez, exigiu muito dos participantes.

Nos UTVs, Riamburgo Ximenes de F. Jr e Flávio Franca (UPE) levaram a etapa, com 1h45min53seg, e ainda assumiram a liderança, com 4h20min46seg. Segundo colocado na etapa, João da C. Valentim e Décio Linhares (UPE) estão na vice-liderança, com 4h23min09seg. O terceiro lugar é de Henrique W. Gutierrez e Andre Munhoz, com 4h25min13seg.

Já entre as motos, os resultados do dia acabaram determinando a posição na classificação geral.  Gregório Caselani venceu a etapa e é o novo líder, com 4h21min47seg. Túlio Malta, segundo colocado na sexta-feira, aparece na vice, com 4h22min54seg, e Ricardo Martins está terceiro, 4h24min12seg.

Nos quadriciclos, os melhores da segunda etapa foram Giovanni de Castro Ramos Filho, com 2h09min17seg, George Ximenes S. Girão, com 2h10min06seg, e Geison Pinheiro Belmont, com 6h05min00seg. Giovani está em primeiro após duas etapas com 4h59min33seg.

3º DIA: ASSU – CURRAIS NOVOS

Nas motos, a terceira etapa apresentou mais um novo vencedor. Depois de Jean Azevedo e Gregório Caselani, agora o melhor desempenho foi o de Tunico Maciel (PDA), com o tempo de 1h24min58seg, seguido por Tulio Malta (PDA), 1h26min27seg, e Gregorio Caselani (SPD), 1h26min49seg. Mesmo com a terceira posição, Gregório segue liderando a categoria com 5h48min37seg, vindo, depois, Tulio Malta, 5h49min22seg, e Tunico Maciel, 5h51min06seg.

Entre os UTVs, o dia foi da dupla Ruan Pablo Ferreira/George Martins (USP), que fechou a especial em 1h31min54seg para os 150, 09 km, seguida por Denisio do Nascimento/IdaliBosse (UPE), atuais campeões do RN 1500, com 1h32min10seg, e Vinícius Barbalho Mota/Rafael Shimuck (UPE), 1h33min03seg. Com isso, a liderança, após três etapas, é de João da C. Valentim/Decio Linhares, com 5h59min35seg. Riamburgo Ximenes de F. Jr e Flavio Franca, que estavam na ponta e na terceira etapa, terminaram em 13º, estão na vice-liderança, com 6h02min24seg, enquanto Vinicius Barbalho Mota/Rafael Shimuck ficaram com o terceiro lugar.

4º DIA: CURRAIS NOVOS – CURRAIS NOVOS

Pela primeira vez nos últimos anos, todas as categorias seguem abertas, o que aumentou ainda mais a adrenalina nestes 104,68 km finais de trecho cronometrado. Nas motos, o gaúcho Gregório Caselani, de Caxias do Sul, manteve a tradicional regularidade para conquistar mais uma vitória em seu currículo, com o tempo final de 7h17min27seg. Ele destacou o seu desempenho ao longo do evento. “Tirando a parte das dunas, o restante da prova foi no estilo que eu gosto de andar, com muitas pedras, serras, subidas, descidas e erosões. Consegui manter um ritmo bom todos os dias e fui bem cauteloso nas travessias de rios. A estratégia deu certo e começamos bem o campeonato”, comemorou Caselani. Sobre a prova, ele comentou: “Um rally muito bem montado. Houve problemas com a chuva, mas a organização trabalhou para contorná-los. O saldo foi muito bom e correu dentro da normalidade. Consegui manter um ritmo bom nos três últimos dias e isso foi fundamental para garantir mais um título nesta prova incrível”, concluiu o tricampeão, que ainda foi o vencedor do RN 1500 em 2018 e 2016.

Na disputa dos UTVs, o cearense Riamburgo Ximenes e o potiguar Flávio França, a bordo de um Can-AmMaverick X3, conseguiram se recuperar das dificuldades do terceiro dia para garantir, com o primeiro lugar na etapa, o título (justamente no dia em que França completou 50 anos). “Sensação maravilhosa, uma vitória linda. No final das contas, depois dos problemas com o rio e o pneu furado no terceiro dia, iniciamos a etapa tendo que tirar uma diferença razoável em um trecho curto. Tivemos que andar muito, utilizar tudo o que sabemos, e deu certo. Um bom presente para o parceiro que faz 50 anos hoje”, declarou Riamburgo.

E como ficou o desafio entre Yamaha e Honda? Entre os cinco primeiros dessa etapa: Honda 3 x 2 Yamaha – com o destaque para o mesmo tempo que Ricardo Martins e Tunico Maciel fizeram para alcançar o terceiro posto na geral: 7h 34m e 03 segundos. Cravar a mesma marca em uma prova de mais de sete horas de duração mostra o quão equilibrado está o campeonato.

CLASSIFICAÇÃO GERAL:

MOTOS

1) Gregorio Caselani (Honda), 7:17:27

2) Tulio Malta (Yamaha), 7:21:10

3) Ricardo Martins (Yamaha), 7:24:03

3) Tunico Maciel (Honda), 7:24:03

5) Jean Azevedo (Honda), 7:29:07

QUADRICICLOS

1) Giovanni de Castro Ramos Filho, 14:52:54

2) George Ximenes S. Girao, 17:30:26

3) Geison Pinheiro Belmont, 23:11:58

UTVs

1) Riamburgo Ximenes de F. Jr/Flavio Franca, 7:27:06

2) Henrique W. Gutierrez/Andre Munhoz, 7:27:54

3) Gabriel Varela/Eduardo Shiga, 7:30:31

4) Vinicius Barbalho Mota/Rafael Shimuck, 7:31:34

5) Denisio do Nascimento/IdaliBosse, 7:35:39

O 21º Rally RN 1500 é uma realização da KTC Produções e supervisão da CBM e Federação de Motociclismo do RN (Femorn). O apoio é da ALE, Top Car Mitsubishi, IPPON Suzuki, Borilli Pneus Off Road, Prefeitura de Currais Novos, Prefeitura de Assu, Prefeitura de São Miguel do Gostoso, Sebrae. As parcerias especiais são com a Gestus Soluções em Gestão, Armação Propaganda, Sterbom, Armas e Bagagens e Escola Escritório.

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