Testamos a nova Honda POP 110i, a motocicleta mais barata e econômica da Honda. A simplicidade é uma grande virtude do modelo

TEXTO: ROSA FREITAG

FOTOS: EDGAR KLEIN

A POP é uma criação da Honda do Brasil. Lançada em 2006, com motorização de 100cc, recebeu o novo motor de 110cc com injeção eletrônica em 2016 e, no modelo 2019, freios CBS (Combined Braking System): quando o piloto aciona o freio traseiro, o dianteiro atua simultaneamente, distribuindo a frenagem de maneira proporcional para evitar derrapagens da roda traseira.  

A estrutura de chassi tubular revestido com plásticos e o motor horizontal remetem à Super Cub, lançada no Japão em 1958, que visava robustez, leveza e segurança na pilotagem com baixo custo. Outras características assemelham-se aos scooters atuais: tanque sob o assento e posição de pilotagem sentada, com espaço à frente do corpo. Já as rodas maiores (aro dianteiro de 17” e traseiro de 14”), guidão, embreagem manual e transmissão por corrente (pinhão 14 e coroa 34 dentes) lembram uma motocicleta convencional. A troca das quatro marchas pode ser feita apenas com a planta do pé: a primeira e todas as outras para baixo e, para reduzir, também para baixo, com o calcanhar.

Com preço sugerido de R$ 5.790 (frete não incluso), é a quarta moto mais vendida no país (24.392 unidades no primeiro trimestre deste ano). O maior mercado da POP concentra-se nos estados do Nordeste, onde há resistência a itens como freio a disco, partida elétrica e injeção. Conversando com motociclistas em uma viagem que fiz aos Lençóis Maranhenses, me explicaram que o tabu dos freios começa na moto-escola, onde a instrução é evitar usar o freio dianteiro para não “capotar”. Algumas revendas até desativam o freio dianteiro antes de entregarem a motocicleta zerada, a pedido do cliente!

O sistema CBS nos freios a tambor da POP quebra este tabu de maneira sutil. A partida, somente no pedal, é fácil – não senti falta do “botão mágico”. Esta companheira pequena, mas valente, pode nos levar a locais remotos, distantes de oficinas; não ter um recurso para ligar a moto se a bateria descarregar seria um transtorno – assim, o pedal continua mais interessante do que a partida elétrica. A injeção eletrônica já equipa toda a linha de motos de rua da Honda, proporcionando mais economia e menos poluição (regular carburador está fora da lista de manutenção).

ELES GARANTEM!

A Honda oferece garantia de três anos sem limite de quilometragem, sem despesa de mão de obra nas revisões de 1.000 e 6.000 km e óleo grátis nas sete revisões seguintes. Um bom apelo para o cliente retornar à concessionária após a compra, já que a manutenção é simples e a POP é consagrada como uma moto que “não quebra”. O manual tem campos para carimbar revisões até os 330.000 km ou 336 meses (28 anos!).

A unidade que testei era muito simpática: branca, com banco vermelho com textura “3D”. O painel tem apenas hodômetro total e velocímetro, que marca até 100 km/h. Não há indicador de nível de combustível e o tanque tem capacidade de 4,2 litros. Para abastecer, é preciso destravar o banco com a chave e levantá-lo – e o tanque possui tampa de rosca, semelhante ao da Vespa PX. Completei com menos de R$ 10,00 e desci a Rodovia dos Imigrantes. No planalto e nos túneis, consegui chegar a 80 km/h com sensação de segurança, mantendo essa velocidade de cruzeiro. A potência máxima do motor monocilíndrico é 7,9 cv a 7.250 rpm e o torque máximo é 0,90 kgf.m a 5.000 rpm.

Com peso seco de 87 kg e altura do assento de 74,9 cm, no trânsito urbano ela é muito leve, ágil e fácil de se esgueirar para aproveitar os espaços. Precisei subir uma guia e a embreagem manual fez toda a diferença, dando aquele “gás” necessário – acho que um scooter com transmissão automática teria dificuldade. Peguei bastante chuva, na cidade e na estrada. Os freios a tambor requerem cautela no início do uso nessas condições, mas são adequados. Estacionar é “moleza” e há travas para capacetes sob o banco. A iluminação do farol é boa, dando a sensação de se fazer perceber no trânsito.

OFF-ROAD À VISTA

Não hesitei em percorrer um trecho de 16 km off-road no Vale do Quilombo: terreno arenoso, cascalho, poças e pedras. Novamente, o câmbio manual com embreagem ajudou a controlar a aceleração e dar um gás extra quando necessário. Nas descidas, foi bom usar o freio motor, reduzindo para a primeira (os scooters automáticos, inversamente, em descidas entram em “ponto morto”, o que é ruim no off-road).

A distância do solo é de 136 mm e a suspensão, de garfo telescópico com curso de 100 mm na frente e dois amortecedores traseiros com curso de 83 mm, é firme, e a POP aguenta bem o tranco, graças ao chassi tubular. Não deu fim de curso comigo, mas não foi exatamente agradável passar sentada em obstáculos.

Dá para transferir o peso para as pedaleiras e evitar as pancadas nas costas, mas a ergonomia não favorece a pilotagem em pé. O guidão é fixo na mesa e não seria bom avançá-lo, pois sempre que tentei transferir peso para frente, ela ficou instável. A luz da reserva acendeu no início da subida da Imigrantes. Relaxei a mão direita e subi a 60 km/h. Parei no Riacho Grande para abastecer. Após rodar 203 km, enchi o tanque com 3,87 litros. Média de 53,7 km por litro!

A experiência foi divertida. Fui a lugares nos quais não iria com motos maiores, seja por chamar a atenção ou para evitar alguma dificuldade por estar sozinha. Foi libertador não ter essas preocupações. E, na praia, não resisti à tentação de pilotar de sandálias em um pequeno trecho – parece que o câmbio foi projetado para isso! Considerando sua proposta (ser um modelo simples, barato e robusto), a POP é a melhor moto da Honda que já testei!

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