Moto Adventure testa a nova KTM 1290 Super Adventure S, moto de 1300 cc que causa furor por onde passa e recebe elogios pelo design, força e pilotagem. Confira o teste completo da máquina austríaca

Texto e Fotos: Trinity Ronzella

 

KTM 1290 Super Adventure S

Quando pensamos em longas viagens, cruzar fronteiras internacionais e enfrentar todos os tipos de terreno, na maioria das vezes somos levados a pensar nas chamadas big trails. No Brasil, não faltam opções dessas motos, e a KTM é referência no motociclismo off road de baixa e alta cilindrada. Em 2004 foram lançadas as 950 e, 13 anos depois, a 1290 Super Adventure, testada nesta edição de Moto Adventure. Minha curiosidade maior era saber se a KTM teria perdido o DNA “selvagem”, ao entrar no mundo das motos mais confortáveis, cheias de eletrônica e facilidades.

O teste

Retirei a máquina em Vinhedo (SP), no quartel general da marca, onde tive uma aula sobre o modelo. De cara a moto já chama atenção pela frente “diferente” do que estamos acostumados a ver normalmente pelas ruas, mas isso era só o começo! A cor laranja, tradicional da marca, está muito bem distribuída e dosada, sem exageros.

Em movimento

Ao tirar a moto do descanso lateral já começamos a duvidar que se trate de uma máquina de 1.300 cc, devido à facilidade com que isso é feito. Essa “leveza” é confirmada ao enfrentarmos o trecho urbano da cidade. Fácil de manobrar e com um comportamento dócil, chega-se a duvidar que estamos em uma motocicleta desse porte e potência!

Quando entramos na rodovia, começa outro capítulo. A posição do para-brisa pode ser ajustada com a mão (com luva é mais fácil), deixando-a na altura que for mais conveniente. As retomadas de velocidade surpreendem devido à potência e parecem não ter fim. A KTM 1290 Super Adventure S  lembra muito uma moto esportiva em motor, mas com agilidade e com a grande vantagem do conforto e de enfrentar todo tipo de terreno.

Com essa potência toda, na hora de parar, são dois discos de 320 mm na dianteira, Brembo de 4 pistões e ABS e, na traseira, um disco de 267mm com freio Brembo de dois pistões e ABS. Esse conjunto foi bem exigido no on e também no off Road, tornando todos esses quilômetros bem mais seguros.

Em trechos mais sinuosos, a moto não se intimida e a eletrônica ajuda bastante os mais distraídos, combinando o ABS com o controle de tração, permitindo que, ao errar a velocidade de entrada na curva, seja possível usar o freio durante o trajeto. O MSC (Motorcycle Stability Control) faz a distribuição ideal de frenagem/tração, evitando que o piloto perca o controle da motocicleta.

 

No off road!

Essa é uma Super Adventure S, ou seja, ela enfrenta um roteiro off road tranquilamente. Mas deixamos a parte pesada da terra para fazer com a “R”. Nos quase 400 quilômetros de estradas de terra que enfrentamos encontramos de tudo! Piso de chão batido, trechos de areia leve, trecho com muito cascalho, partes com areia bem fofa e fina, subidas, descidas com pedras, enfim, não teve moleza em nenhum momento, justamente para podermos avaliar os limites da máquina.

A moto realmente é guerreira, como diz a sua história. Não é à toa que, ao ligar o painel, o “Ready to Race” aparece toda vez para lembrar que ela vai aonde você quiser.

Nossa moto estava equipada com o Quick Shifter, que permite as trocas de marchas sem uso da embreagem. Esse “detalhe” faz muita diferença em uso nas estradas de terra, principalmente onde você não precisa soltar os dedos para acionar a embreagem e pode continuar segurando firme o guidão.

Um dado importante: dos 160 hp dessa máquina, quando se seleciona as configurações de off road, ela “só” passa a liberar 100 hp para nossa diversão e para maior segurança. O freio ABS da roda dianteira continua em atividade, só desligando o da roda traseira.

Pilotando à noite

O conjunto óptico dessa moto é muito eficiente, e torna a pilotagem à noite muito mais segura. Outro ponto positivo são os comandos iluminados nos punhos, facilitando a identificação das funções, além dos faróis de luz direcional: abaixo do farol, existem três luzes auxiliares de cada lado, à noite elas acendem automaticamente de acordo com a inclinação da moto em curvas, 12, 20 e 28 graus de inclinação, iluminando partes que o farol normal não alcançaria, dando mais segurança ao piloto.

O banco e a posição de pilotagem são bem confortáveis, permitindo longos deslocamentos sem problemas, como comprovam os números desse teste.

O desempenho

Foram 1.420 quilômetros no total, sendo 400 km de estradas não pavimentadas, quase 23 horas em cima da moto, que se resumiram em pilotar, fotografar e dormir, nessa ordem!

O consumo ficou entre 15 e18 km/litro, usando a máquina em todos os tipos de terreno. Ao sair com essa moto, prepare-se para prolongar sua viagem, pois não dá nem vontade de parar! Além disso, você passará a ser o centro das atenções por onde passar. Fiquei impressionado com a quantidade de elogios que recebi de todos os perfis de pessoas! Durante os deslocamentos nas rodovias, os carros seguiam mais devagar ou aceleravam para poder olhar mais um pouco.

Parabéns à KTM, a moto é um show de segurança, performance e tecnologia, um conjunto difícil de ser batido!

A KTM 1290 Super Adventure parada, no cavalete central, já nos mostra alguns detalhes:

Defletores de ar, que jogam o ar quente longe das pernas;

Novo ajuste de para-brisas (manual);

Painel TFT de 6,5” (thin-film transistor é uma variação da tela de LCD que melhora a qualidade da imagem);

KTM Race On (chave presencial para ligar a moto e abrir o tanque de combustível);

Punhos e controles bastante intuitivos, sem maiores segredos para acessar uma infinidade de informações;

Setas e faróis em LED;

Piloto automático;

Tomada 12V abaixo do painel;

Recipiente com entrada USB, à prova d’água para celular;

Protetores de mão.

O que não estamos vendo, mas está lá:

Suspensões WP semi-ativas com SCU (Unidade de controle da suspensão) independentes;

Função HHC (controle de partida em subida), que ajuda as saídas em terrenos inclinados, não precisando ficar segurando no freio;

Suporte de malas laterais com “folga” para compensar o arrasto que as malas causam na moto;

Painel TFT com cores diurnas e noturnas (muda automaticamente através de sensor de luminosidade);

A parte eletrônica da moto não está centralizada em uma única peça, e sim, em partes. Esse detalhe leva, em caso de problemas, a reparar apenas a peça da área afetada e não o conjunto todo.

Acessórios

Essa moto conta com alguns acessórios KTM:

Manetes articulados;

Tampas do fluido de freio na cor laranja;

Ponteira do escapamento Akrapovic;

Coroa da transmissão com detalhes laranja;

Mais alguns detalhes na cor laranja.

Ainda não ligamos a moto!

Tendo tudo isso explicado, era hora de ligar a máquina. Deixá-la funcionando um pouco para ver o painel, suas funções e, finalmente, experimentá-la.

O painel é um capítulo à parte. Além da velocidade, marcha, giros do motor, modo de pilotagem, hora, temperatura ambiente e do motor, velocidade média, trip, carga da moto e modos de pilotagem, ele está repleto de informações que podem ser acessadas por meio do punho esquerdo (a tela não é touch). Tem ainda os modos de pilotagem (Sport, Street, Rain e Off Road) , os ajustes de  carga da moto (piloto, piloto + bagagem, piloto + garupa, piloto + garupa + bagagem) e, ainda, o ajuste de amortecedores (Sport, Street, Comfort e Off Road). Há ainda o KTM My Ride que, via Bluethoot, consegue parear telefone e headset. O manual da moto é de grande ajuda!

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