Como outros acessórios que fazem parte do dia a dia dos motociclistas, as botas merecem atenção especial

TEXTO: TEODORO VIEIRA

FOTOS: MAURA DE ANDRADE

Até onde queremos chegar? Quantas léguas queremos percorrer? Pés bem protegidos e ilesos garantem uma longa jornada quando se está exposto ao tempo e à poeira da estrada. Portanto, a escolha de uma bota confortável e de boa qualidade é fundamental antes de montar na moto e sair por aí. Seja no cotidiano ou em uma longa viagem, os pés merecem a mesma proteção que damos à cabeça (por meio do capacete), aos cotovelos e ombros (pela jaqueta), às mãos (pela luva), aos joelhos e pernas (pela calça) e à coluna (pelo protetor de cervical).

Ao usar qualquer calçado inadequado na condução de uma motocicleta, como sandálias ou chinelos, desprezamos a integridade dos pés, expondo-os a riscos desnecessários. Dá para evitar essas situações perigosas simplesmente adotando um bom e adequado par de botas.

SITUAÇÕES DE RISCO

Era o primeiro dia de férias e estávamos animados planejando o caminho a tomar na próxima viagem de moto. Em uma larga e sinuosa avenida de mão dupla na zona norte de São Paulo, ao passarmos calmamente pela esquerda dos carros que se aproximavam vagarosamente do farol vermelho, fomos surpreendidos pelo movimento brusco de um deles – sem sinalizar, o veículo saiu da fila e investiu contra nós. Enquanto a máquina tombava lentamente, tive tempo de alertar minha esposa, Maura, para que ela saltasse, antes de meu pé ficar preso entre a moto e o asfalto. Talvez o dedinho do meu pé esquerdo não tivesse quebrado – estragando os planos de pegar a estrada – se eu estivesse calçando uma bota de qualidade.

O sertão do Ceará é um dos lugares mais incríveis por onde tivemos a oportunidade de rodar. Mas é preciso ficar atento ao que pode aparecer no acostamento, além das cabras e jegues. Ao se aproximar de mais um caminhão para preparar a próxima ultrapassagem, pude notar que sua velocidade diminuía, indicando uma leve subida. Reduzi rapidamente e, ao perceber outro caminhão vindo na pista oposta, posicionei a moto mais perto do acostamento. Devido à visibilidade limitada pela proximidade do caminhão à frente, não percebi uma banda de rodagem solta no acostamento invadindo a estrada. Senti o impacto na ponta do pé direito e tomei distância antes de verificar o que acontecera. Fiquei bastante preocupado com a sensação de frio que vinha do meu pé. Tomei coragem e encostei a moto com calma, avisando Maura pelo intercomunicador o motivo da parada de urgência. Literalmente, a bota “abriu o bico” e a sensação de frio era somente o vento forte que entrava pela sola da bota aberta quase pela metade. O remendo foi feito com uma boa fita adesiva (de listras amarelas!) encontrada na bagagem. Depois disso, seguirmos adiante com segurança – e com o pé intacto!

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