Viagem de moto por Alemanha, Áustria, Itália, Liechtenstein e Suíça

Reserve 12 dias, suba em uma big trail e desbrave lugares inacreditáveis entre Alemanha, Áustria, Itália, Liechtenstein e Suíça

Texto e fotos: Cezar Augusto de S. Oliveira

Alemanha, Áustria, Itália, Liechtenstein e Suíça

Dolomitas é uma cadeia de montanhas localizada, em sua maior parte, na Itália. Até aí nada de mais, certo? Errado!

Trata-se de um local maravilhoso com muita neve, enormes montanhas de gelo à beira da pista e curvas, muitas curvas. Mas esta foi a “cereja do bolo” desse tour, pois antes de chegar até ela houve um longo e lindo caminho.

ALEMANHA E ÁUSTRIA

Comecei o tour por Munique, na Alemanha. Depois segui por pequenas e lindas cidades alemãs até a divisa com a Áustria. Além de lindas paisagens, esqueça a burocracia com alfândega, formulários, troca de moedas, pois estamos falando da Comunidade Europeia. Logo, pode-se dizer que é “tudo a mesma coisa”. Você está rodando e, de repente, você mudou de país: simples assim.

Mas, na Áustria, vai uma dica. Tão logo você entrar no país, é necessário parar num ponto à beira da pista para adquirir um “vale” que vai colado no para-brisa ou no lado direito do tanque da moto. Pelo valor de 5 euros, você pode circular por todo o país. A aquisição e colagem são obrigatórias e, se você for pego sem o selo pela polícia, pode ter problemas. Esse primeiro dia de passeio terminou numa simpática cidade chamada Innsbruk.

Innsbruk Austria

No segundo dia de viagem o destino voltou a ser a Alemanha, mas agora rumo à cidade de Friedrischshafen. Nesse dia o frio se fez sentir, mas nada comparado com o que ainda estava por vir.

ITÁLIA, SUÍÇA E LIECHTENSTEIN

O terceiro dia da viagem tinha como objetivo a cidade italiana de Livigno, famosa por ser uma zona de livre comércio. Logo, perfeita para compras.

Como todo passeio bem planejado, é conveniente que ao menos um dia seja destinado a, calmamente, passar pelas agradáveis ruas desta cidade para, além de apreciá-la, fazer algumas compras, claro.

O quinto dia do passeio teve como ponto alto a Suíça, país famoso por sua riqueza, organização, chocolates e também o custo de vida. O mesmo adesivo que se usa na Áustria, na Suíça custa 45 euros e também lhe dá o direito de rodar por todo o país.

Encravado na Suíça existe um minúsculo país chamado Liechtenstein, que não é maior do que um bairro de São Paulo ou do Rio de Janeiro, mas guarda milhões de dólares de milionários do mundo todo. Vale visitar e se deslumbrar com o castelo no alto da montanha que vigia todo o país.

Liechtenstein Placa

Este dia foi finalizado na cidade de Verona, na Itália, famosa pela história de amor de Romeu e Julieta. O trecho de viagem do 6º dia foi bem curto e realizado em autoestradas italianas, entre Verona e Veneza.

Veneza é uma cidade que dispensa comentários, pois é famosa mundialmente por suas “ruas-rios” que recepcionam e brindam o visitante com uma surpresa a cada esquina, até chegar à famosa Praça de San Marco, palco de muitas histórias de amor e inúmeros filmes.

DOLOMITAS

O primeiro contato propriamente dito com as Dolomitas ocorreu no 7º dia no trecho de Veneza a Bolzano, também na Itália.

Bolzano é uma cidade italiana com fortes traços germânicos, por causa da proximidade com a Alemanha. Trata-se de uma cidade muito antiga e que convida o visitante a, sem pressa, andar por seus vários calçadões e saborear um delicioso sorvete local apreciando a catedral e ouvindo o badalar dos seus sinos.

Bolzano Italia

No antepenúltimo dia de expedição as Dolomitas se fizeram presentes com toda a sua imponência e beleza inigualável.

Cruzá-la é um desafio, pois suas curvas são muito fechadas, tanto em aclive quanto em declive, obrigando o piloto a se concentrar para evitar acidentes ou quedas. Definitivamente não é um trecho para iniciantes e é necessário muito foco e concentração.

Mas como manter a concentração estando cercado de tantas belezas? E aí está o segredo dessas montanhas: saber dosar para, só então, vencê-las.

Como em qualquer cordilheira existem os lagos formados por água de degelo. Tais águas invariavelmente são verdes e, junto ao calcário do fundo do lago, brindam o mototurista com imagens de “descanso de tela”. Vale a pena investir alguns minutos apreciando o visual e “ouvindo o silêncio” do local.

O pernoite aconteceu na cidade de Lienz, na Áustria, em um hotel com toques medievais, do lado de um grande rio de águas verdes, rápidas e limpas.

LUGARES LINDOS

O penúltimo dia de viagem teve como destino a cidade de Salzburgo, também na Áustria. Foi nesta cidade que viveu Mozart, o compositor, e este fato está presente em todos os lugares, de chocolates a camisetas, canecas e souveniers diversos.

Assim como muitas cidades europeias, ela é cortada por um grande rio e “guardada” por um castelo encravado na mais alta montanha do lugar. É nesse trecho que temos os Alpes austríacos com seu frio intenso: é de grande valia o aquecedor de manopla neste trecho.

O 10º dia, embora com a tristeza por ser o último da jornada, reservou agradáveis surpresas até o retorno a Munique. Pequenas cidades, vários castelos, curvas e as Dolomitas, sempre nos vigiando levava, de volta à origem do passeio.

Perfazendo menos de 2.000 quilômetros, esta viagem é, com certeza, um marco na vida de qualquer viajante de moto e este, ao final da jornada, certamente não será o mesmo que partiu.

Países visitados

Alemanha, Áustria, Itália, Liechtenstein e Suíça.

PASSOS MAIS IMPORTANTES VISITADOS

Passo Sella, Passo Falarego, Passo Stelvio e Passo Groβglockner hochalpenstraβe.

OUTROS DADOS

Total percorrido: 1.919 quilômetros

Maior temperatura enfrentada no tour: – 18º C

Menor temperatura: -7º C

Tempo de viagem: 12 dias, destes 10 dias de pilotagem

DICAS

Esteja bem equipado com roupas para frio, luvas e botas impermeáveis, moto big trail que tenha aquecedor de manoplas e controle de tração. E não se esqueça de sua máquina fotográfica.

A MOTO DESSA VIAGEM

A motocicleta utilizada neste tour foi uma Kawasaki Versys 1000 cc, ano 2015. A máquina surpreendeu por sua agilidade, respostas rápidas, ótima dirigibilidade em curvas e autonomia condizente com o que se espera deste estilo de motocicleta. Destaque também para seu painel, de fácil utilização, manuseio e leitura, constando todas as informações essenciais para o usuário. Seu para-brisa de fácil regulagem e na altura certa evitou a incômoda turbulência no capacete. O ponto negativo, para o caso específico desta viagem, foi a ausência de aquecimento de manoplas e protetor de mãos (acessórios que não acompanham a motocicleta original). Todavia, para o uso no Brasil, tais acessórios não se mostram essenciais.

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