Viagem de moto pela Itália – Parte 2

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Dia 04 - Viagem de moto pela Itália

Bellissima giornata Continuando seu tour pela Itália, Suzane Carvalho deixa o Vale Aosta rumo a Como e Veneza, a bordo de uma Triumph Tiger Sport

Texto e Fotos: Suzane Carvalho

Bellissima giornata (parte2)

Confira a Parte 1 do roteiro.

Na segunda parte do tour de 12 dias pela Itália, saí do Vale Aosta, na região de Piemonte, passando pelas cidades de Ivrea, Biela e Varese, sempre em busca dos lagos e das belas paisagens da Lombardia, e fui até Como, na divisa com a Suíça. Passei por Lecco, Bergamo, e segui diretamente em direção ao leste, até Veneza.

Assim, no meu quarto dia de viagem, após ter rodado um pouco pelo centro de Ivrea, parei em um hotel três estrelas bem comum chamado Eden. Minha primeira impressão não foi boa, mas, no geral, foi bem razoável: por 50 euros, tinha estacionamento, quarto com bom tamanho, bons lençóis, toalhas, cama, banheiro, limpeza e café da manhã muito bom. Depois saí para um tour pela região e fui conhecer o gigantesco Castelo de Fénis, que começou a ser construído no século XIII e que fica à beira da autoestrada A5. Um passeio imperdível.

BELAS ESTRADAS

Depois voltei para a estrada pois, para chegar a Como, procurei pegar vias secundárias para ver paisagens e pessoas típicas. É impressionante como a entrada para o Mercado Comum Europeu, e o euro, fizeram bem a Itália. Morei lá em 1987 e em 1991, e hoje vejo um país de Primeiro Mundo, estruturado, onde você encontra o que quer e precisa, em qualquer cidade ou vilarejo, por menor que ele seja. Por isso, até abri mão de carregar peças sobressalentes para a moto, já que boas oficinas estão espalhadas por todo o país. Por todo lugar, pude ver belas casas. As ruas e estradas são totalmente limpas e estão em excelentes condições.  Não se vê nada quebrado nem desorganizado.  Bem diferente do que se via no passado.

Fiz uma parada inevitável no belo Kartódromo Le Sirene, em Cavaglià, na SS 228. Mas não tive tempo para acelerar por lá, pois a estrada me esperava. Passei por uma bela região de fazendas com um rio ornando o caminho.

Seguindo pela rodovia SS 299 encontrei o Rocca Viscontea Sforzesca, um castelo quadrilátero construído em 1484, que estava fechado para visitação.  Mas não para fotografar. Nesse dia consegui passear bastante e somente por estradas secundárias. A cada lugar que passava, via e sentia o verdadeiro espírito tradicional italiano, aqueles personagens que pareciam ter saído das telas dos cinemas. No total, rodei apenas 189 quilômetros dos 545 que eu havia inicialmente programado. Assim, nem foi preciso abastecer a Tiger Sport, que fez média de consumo de 15,87 km/l com média de velocidade a 59 km/hora. Pernoitei em Como.

ACELERANDO

Acordei cedo e notei que a Triumph Tiger Sport estava com 3.089 quilômetros quando deixei o hotel. E até ali eu já havia rodado 1.023 km em quatro dias (bem menos do que os mais de 2.000 programados, porém bem aproveitados). Depois fui até o Lago de Como, onde é possível fazer passeios de barco. É possível também dar a volta quase que completa de moto em torno desse lago.  Também fui conhecer o Villa Olmo, um belo prédio que orna o lago, datado de 1780, com um belo jardim e onde funciona um museu com exposições esporádicas. Já no centro da cidade fui até a Duomo, do século XIV, com estilos renascentista e gótico. Esse lugar impressiona pelo interior gigantesco.

Depois voltei para a estrada e curti bastante a moto. Seu conjunto suspensão/pneus se mostrou impecável e a máquina aceitou todos os tipos de terreno, peso e maneira de pilotar que testei, sem perder em leveza e manobrabilidade. Vale lembrar que seus pneus são os Sportec M7RR da Metzeler 180×55 2R17 na traseira e 120×70 na dianteira.

Como eu queria ver mais lagos, fui até Lecco e de lá a Bergamo, que é uma cidade gigantesca, com muitos viadutos. Fiquei perdida em um bairro pobre indiano da periferia onde pensei em almoçar, mas estava tudo fechado.  Segui então para Brescia, onde parei para tomar um chocolate quente. Atrasada dois dias, eu precisava acelerar e por isso peguei a autoestrada A4/E70. Nessa região as autoestradas têm muitos caminhões. Portanto, se você puder evitar esse caminho, faça sua viagem por estradas secundárias.  São mais lindas e divertidas, sem deixar de ser seguras.

LUGAR MÁGICO

Passei por Verona e o tempo começou a abrir um pouco, mas eu estava já quase congelada, mesmo utilizando o macacão de neoprene por baixo (o que foi perfeito para reter o calor de meu corpo). Minha média de consumo de combustível neste trecho foi de 16,39 km/litro.

Cheguei aos arredores de Veneza, em Mestre, já no escuro e sem ideia de onde dormiria. Lá me indicaram um bad & breakfast, o “Dear Venice”, que eu recomendo.

No dia seguinte fui até a entrada de Veneza, onde existem diversos estacionamentos pagos, e um gratuito, exclusivo para motocicletas (fica antes de cruzar a ponte). Em Veneza descobri um lugar mágico. Apesar de ficar pouco tempo por lá me deleitei com sua incrível arquitetura. Estava bastante frio e caminhei até a Piazza San Marco, onde comi um dos lanches (bem caro) no Café Lavena, lugar que era comumente frequentado por Richard Wagner e Franz Liszt, nos anos 1800. Deu vontade de ficar ao menos uma semana visitando os museus, aprendendo história, já que Veneza já foi a principal porta de entrada/saída do comércio italiano com o Oriente, estudar sobre sua arquitetura, modo de vida, além de, claro, passear romanticamente de gôndolas, jogar no cassino, ir ao Gran Teatro La Fenice e jantar nos excelentes restaurantes. Mas meu objetivo desta viagem era seguir em frente e dar a volta na Itália sobre duas rodas, em 12 dias. Assim, voltei para estrada.

VENEZA A SENIGALLIA

Neste novo dia de estrada meu objetivo era ir de Ancona até Pescara, talvez já pegando a estrada à noite. O termômetro marcava 13°C de dia e 4°C à noite.

Por outro lado a temperatura da moto marcava sempre até a metade de seu painel, em 5 sistemas (tracinhos) de 9.  Somente na parte dos túneis, na região de Morgex, no norte, é que caiu para 4 sistemas.  No trânsito, manteve os 5 sistemas.

Procurando andar por estradas secundárias, para sentir a essência das cidades, segui pela rodovia SS 516 e depois a SS 309. Tudo muito, muito lindo!  Continuei me impressionando com a limpeza e organização do país.

No caminho, parei em Lido di Spina, cidade de veraneio que, a esta altura, mais parecia cidade fantasma.  Curioso mesmo.  Andei pela praia, pelas ruas internas, e não vi absolutamente ninguém. Senti-me personagem de filme de suspense.

Como passeei, fotografei, filmei, o dia passou voando e eu estava ainda em Senigaglia, no Mar Adriático.  Resolvi então dormir na cidade para visitar o Rocca Roveresca, um castelo/forte que foi construído nos anos 1400. Mas isso fica para próxima edição

*Matéria publicada na edição #172 da revista Moto Adventure.

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