Moto Adventure visitou a W-Tech Suspensões e teve uma verdadeira aula sobre o assunto. Manutenção e preparação podem trazer muito mais conforto e segurança à pilotagem

TEXTO E FOTOS: ROSA FREITAGW-Tech Suspensões

Quem usa moto para viagens e locomoção diária geralmente sabe muito pouco sobre suspensão. A falta de informação começa desde a entrega da motocicleta zerada: consultor e cliente julgam que a suspensão já vem ajustada de fábrica e “é melhor não mexer” – pois, na oficina, também não há um especialista nisso.

Regular a suspensão não é simples como calibrar os pneus, e isso acaba se tornando um tabu. “Fim de curso” do amortecedor, “batida seca” da dianteira em obstáculos, “copiar mal o terreno” no off-road, “trepidar” em curvas, “shimar” em velocidade na estrada e “brigar” com a moto para mudar de direção e fazer curvas podem ser sintomas de ajustes errados ou da necessidade de manutenção ou upgrade de componentes da suspensão.

Quem precisa rebaixar a motocicleta acaba mexendo na suspensão – e quando isso não é feito da maneira correta, podem surgir os problemas citados. E para quem já pilotou uma moto off-road ou de pista com suspensões “top” e percebeu a diferença na qualidade, é frustrante não ter o mesmo desempenho na sua motocicleta, não é? É viável fazer um upgrade? Vamos entender!

W-TECH – CENTRO DE EXCELÊNCIA EM SUSPENSÕES

Para me instruir, fui até a oficina especializada W-Tech, em São José do Rio Preto (SP), comandada por Alex Crepaldi. Além da preparação e manutenção de suspensões para todos os estilos de motos, com representação das marcas europeias WP e Bitubo, lá eles fazem usinagem para produzir e reparar peças e ministram cursos de capacitação para mecânicos e pilotos.

Levei duas motos para serviço nas suspensões, cada uma com um problema: na BMW G650 XCountry, 2008, há dois anos eu substituí o amortecedor e molas dianteiras por um conjunto da marca alemã Wilbers, feito sob medida para meu peso, com a intenção de melhorar a qualidade em viagens e off-road, mas não melhorou o suficiente (sentia a traseira pesada e, no off-road, era difícil manter a direção da roda dianteira em buracos e obstáculos).

A Suzuki DRZ400, 2008, eu comprei há alguns meses e, para rebaixar, mandei fazer um link (a peça que prende o amortecedor ao quadro) mais longo e subi as bengalas para igualar na frente, mas a traseira ficou meio “arreada”.

MANUTENÇÃO, COM QUE FREQUÊNCIA?

Na desmontagem das bengalas amortecedores, de todas as peças saiu um óleo bem escuro e com cheiro ruim. Qual é o intervalo correto de manutenção desses componentes? No manual das motocicletas, isso não é mencionado. Assim, pensamos que só devemos agir quando o amortecedor ou bengalas vazarem óleo. O manual de serviço da DRZ400 recomenda inspecionar a cada 12.000 km e, se houver algum dano, substituir a peça por uma nova (tanto o amortecedor como a bengala).

Alex diz que a manutenção depende da proposta e do uso da moto. Para motocicletas de competição off-road ou de pista, após algumas dezenas de horas de uso; para motos Big Trail, é bom trocar o óleo das bengalas uma vez por ano, ou se notar perda da qualidade do amortecimento ou a moto ficar arisca. Afinal, o óleo que lubrifica a suspensão é exigido intensamente e sua capacidade de lubrificação vai se deteriorando da mesma maneira que um óleo de motor, provocando atrito e desgaste das peças, como retentores e buchas deslizantes.

AMORTECEDOR: RECONDICIONAR OU TROCAR?

O amortecedor da G650X apresentou desgaste no corpo e na tampa. Um amigo havia utilizado a moto em uma viagem off-road e se queixou que dava fim de curso toda hora. Estava regulado para o meu peso, e nem pensamos em ajustar a pré-carga para um peso maior. As peças danificadas foram recuperadas, foi feita uma nova tampa e ficou com cara de novo! Internamente, ajustes permitiram aumentar o curso em 1 cm. Nas bengalas foram trocados os retentores e guarda-pó, importantes para evitar a entrada de poeira, e utilizado o óleo sintético 10W. Dei uma volta e parecia outra moto – mais gostosa e segura de pilotar, mantendo a direção ao passar em obstáculos e com estabilidade nas curvas.

Outro dia, soube de uma motocicleta de um conhecido cujo amortecedor foi danificado durante o transporte em guincho. Recomendei o recondicionamento ao invés da compra de um novo. Além de economizar, você pode ter um amortecedor com componentes e ajustes internos totalmente adequados ao seu peso e tipo de uso.

REBAIXAR CORRETAMENTE

O amortecedor da DRZ400, que possui reservatório de gás nitrogênio, recebeu carga de gás, óleo sintético e novas buchas. Nas bengalas, a mola original foi substituída por uma mais curta, para rebaixar a frente da maneira ideal, sem precisar subir as bengalas. Alex fez vários cálculos considerando a distância entre os elos, espessura e comprimento da mola e o curso de suspensão resultante até chegar ao tamanho ideal da peça. Ele optou pelo óleo de viscosidade 5W, pois a suspensão dessa moto trabalha bem com tal especificação. Fui testar e a moto estava mais equilibrada, melhorou a posição de pilotagem, senti mais segurança para fazer curvas e deu a sensação de “zerada”!

COMO AJUSTARA SUSPENSÃO? ALGUNS CONCEITOS

Curso de suspensão: é a distância que a haste interna do amortecedor pode percorrer. Se as condições do terreno e o peso do piloto e bagagem na moto exigirem além do que o sistema suporta, vai dar “fim de curso” repetidamente e o amortecedor pode estourar. Solução: substituir a mola de acordo com o peso aplicado à moto, deixando-a mais equilibrada e suportando a maior exigência.

Molas progressivas: os elos iniciam próximos uns dos outros e vão se distanciando. O amortecimento começa macio e depois fica mais rígido. Por isso são adequadas para uma grande variação de trabalho da suspensão. Sozinho na moto, ela é macia. Com garupa e bagagem, a condição mais rígida dos elos centrais suporta o peso, não deixando afundar demais a suspensão. Algumas Big Trails vêm com esse tipo de mola e é possível fazer o upgrade.

Pré-carga da mola: na rosca da mola, dar pré-carga (endurecer a mola) aumenta a altura da moto, ou faz com que abaixe menos com o piloto sobre a máquina; afrouxá-la faz a moto afundar mais ao sentar. Mas o curso da suspensão será sempre o mesmo, pois depende do curso da haste interna do amortecedor. A pré-carga da mola regula o “sag” (suspension adjustment gap, ou folga de ajuste da suspensão), que é o peso do piloto sobre a moto. O “sag livre” é o peso da moto sobre a mola, e é necessário ter essa folga na suspensão, que conferimos puxando para cima a traseira da moto. Se a mola ficar estrangulada, ao passar em um buraco a roda irá pular ao invés de entrar e sair.

Compressão: geralmente, um controle giratório. Comece girando no sentido horário até o fim e conte os cliques ao voltar no sentido anti-horário. Daí, comece o ajuste na metade do caminho. Se ficar muito macia e der fim de curso facilmente, avance alguns cliques no sentido horário e, se estiver dura, ou a traseira quicar, mova no sentido anti-horário.

Retorno: para controlar a velocidade do retorno após o movimento da suspensão. Para o retorno ficar mais rápido, aumente alguns cliques no sentido horário e, para um retorno mais lento, volte alguns cliques.

Experimente variar esses ajustes e testar dando uma volta na moto após cada alteração, para sentir e entender como funciona a suspensão. É um campo muito complexo, pois esses controles externos atuam nos componentes e ajustes internos, que requerem conhecimento técnico para a escolha correta de suas especificações. Por isso, vale a pena procurar um profissional especializado para revisar e preparar sua suspensão. Depois de sentir a diferença de ter suspensões customizadas para o meu uso, considero este o upgrade mais importante e interessante para fazer em sua moto!

Agradecimento:

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(17) 3231-2858 / WhatsApp (17) 98139-5012

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VÍDEO: ABRINDO E TIRANDO O ÓLEO DO AMORTECEDOR

VÍDEO: ACOMPANHE UMA EXPLICAÇÃO SOBRE MOLAS PROGRESSIVAS

VÍDEO: AVALIANDO O AMORTECEDOR DANIFICADO DA BMW G650X

VÍDEO: DESMONTANDO O AMORTECEDOR

CONFIRA A GALERIA DE FOTOS:

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