1º Raid Dayriders proporciou muita emoção aos participantes. Nesta competição, o essencial era se divertir!

TEXTO E FOTOS: ROSA FREITAG

O médico obstetra e motociclista Ayrton Daniel Ribeiro Filho comanda o núcleo de “mototerapia” Dayriders, em Campinas (SP), no qual promove reuniões semanais com palestras de convidados sobre planejamento e relatos de viagens, mecânica, acessórios e outros temas relacionados ao mototurismo. No dia 13 de abril, participei do 1º Raid Dayriders, uma competição fotográfica de exploração e estratégia sobre uma motocicleta.

O formato “raid” é consagrado na Europa – há variantes de longa distância por off-road para motos e carros clássicos, além de circuitos culturais e paisagísticos por asfalto. Não são provas de velocidade, mas podem incluir regularidade (cumprir médias de velocidade ou passar em determinado momento por um local), estratégia e navegação. Este raid campineiro propôs a participação de motos de qualquer estilo e cilindrada e de pilotos com ou sem experiência em navegação.

REGRAS

Segundo o briefing que recebemos, a prova deveria ser feita em duplas – e algumas delas foram formadas na hora, nas categorias “Light”, duplas masculinas ou mistas; “Vip”, pilotos mulheres; e “Heavy”, duplas de pilotos com garupa. No kit do competidor, numerais para as motos, camisa e folhas com fotografias numeradas, com as respectivas coordenadas, identificando os waypoints (WPs) – um total de 64. Cada foto com sua pontuação: as de acesso fácil e próximas de Campinas valendo menos, e as mais distantes e por caminhos off-road (como a rampa de voo livre em Extrema), valendo mais.

Como bônus, quem trouxesse uma foto com uma mulher grávida ganharia 50 pontos. E, para comprovar que visitaram os WPs juntos, imagens com o dono da outra moto da dupla ganhariam ponto extra. Foi divulgado um mapa criado no Google My Maps contendo a maioria dos WPs, para dar uma noção da extensão. Cada dupla deveria montar sua estratégia para registrar o máximo de WPs na menor quilometragem, sendo, no mínimo, 200 km e, no máximo, 400 km, e média de velocidade máxima de 70 km/h – estatísticas que são gravadas automaticamente no aplicativo Wikiloc, que deveria ser usado para registrar as fotos.

Para navegar pelos WPs, poderíamos usar o próprio Google Maps no celular ou GPS. JR, do “Viagem na Foto”, explicou como exportar coordenadas do Google Maps para o GPS e os competidores dividiram conhecimentos sobre o uso dos recursos e como funciona o raid. Na hora de criar a estratégia, cada dupla se retirou para o seu hotel.

O DIA “D”

A partir das 8h, Ayrton liberou a largada de cada dupla na porta da Dayriders. O aplicativo Wikiloc deveria iniciar a gravação naquele momento. Eu e minha dupla, Karla “Vovó Cross”, divergimos sobre a estratégia: eu queria me divertir e conhecer novos lugares e ela era a favor de percorrermos o máximo de waypoints por quilômetro. Caminhamos até o Pico das Cabras, em Joaquim Egídio, fizemos um “off” divertido na Bocaina de Campinas e registramos WPs em locais pitorescos em Morungaba, Itatiba e Tuiuti.

Navegamos pelo GPS, mas este travou e o Google Maps acabou se tornando o nosso guia. Faltando uma hora e meia para o término da prova, vi as estatísticas no Wikiloc e só tínhamos rodado 90 km. Seríamos desclassificadas se chegássemos com menos de 200 km. Então, fizemos um vai-e-vem na Rodovia Magalhães Teixeira, com pit-stop rápido para abastecer, onde, por feliz coincidência, encontramos uma grávida para ser fotografada. Foi um final emocionante, contra o relógio e sem abusar das nossas motos Trail, que não curtem alta velocidade. Fomos as últimas a chegar – perdemos pontos por atraso, mas fizemos fotos valiosas!

“CAUSOS” DO RAID

Além das fotos, o melhor do raid foram as histórias. Os “harleyros” Milton e Antonio Carlos, vencedores do “Troféu Revelação”, só pararam para tomar um refrigerante e perguntaram para um sujeito no bar se ele sabia de alguma grávida por ali. O homem apontou uma casa, eles foram até o local e conseguiram a foto de 50 pontos! As pilotos “Vip” Marlene, Patrícia, Cristina e Kelly, todas de Big Trail, decidiram andar juntas e voltaram radiantes por terem ido à Pedra Grande, vencendo as dificuldades do off-road.  

Erica e Joelle se divertiram quando foram parar em uma propriedade particular, na qual um cão avançou sobre elas e o Google Maps não roteava o caminho certo. Alexandre “Piu” – que é mecânico de BMW – ironicamente teve uma “fratura de cárter” nas pedras (ele conseguiu fazer um reparo com Durepoxi, mas acabou desclassificado por não cumprir os 200 km). Toloto e Paulo erraram o local do clique no primeiro ponto, mas logo entenderam como tudo funcionava: empolgados, aceleraram na terra, pegaram poeira e tiraram o stress da semana. E Marcão e Mauricio foram nadar na Cachoeira do Machado, em Bueno Brandão, onde encontraram outros competidores. Conclusão: ninguém ganhou ou perdeu. No fim, todos saíram vencedores!

PREMIAÇÃO E APOIADORES

O casal Carlos e Virginie, cada um a bordo de uma BMW F800GS, registraram 23 waypoints e foram os vencedores gerais e da categoria Light. Ele ficou até as três da madrugada montando a estratégia e ela achou interessante o regulamento: além dos pontos obtidos com as fotos, foi preciso cuidar para não exceder ou faltar quilometragem. Eu e a Karla fomos campeãs da Vipe e ficamos em sexto lugar entre as 20 duplas. Humberto, Renato e Regiane venceram a “Heavy” e André e Eduardo ganharam o “Top Photo”. Os troféus, obras de artesanato replicando o bar da Dayriders, representaram a originalidade, simpatia e atenção aos detalhes do evento e de seu organizador.

JR, do “Viagem na Foto” (que oferece cursos de GPS e edita imagens de aventuras de mototurismo), fez um vídeo com depoimentos e cenas do raid; Moto Atacama, Triumph TRX, Bons Ventos, 4Rride, Piu Motorrad, Heidenau, Kraft Motos e AHP Service inscreveram pilotos no 1° Raid Dayriders e entidades de apoio ao motociclismo (como CBM e AME-BR) endossaram a iniciativa.

Dayriders – Facebook e Instagram: @dayridersmotorcycles

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