ABC da Moto: Reduz e Acelera!

A coluna ABC da Moto deste mês trata de um assunto muito apreciado por motociclistas: os quilômetros por hora

TEXTO: TEODORO VIEIRA

IMAGENS: MAURA DE ANDRADE

Ela vai até quanto? Esta é uma pergunta que escutamos com frequência. Apesar de ser uma referência comum, e até interessante para muitos, nem sempre faz sentido ao estilo de moto ou do piloto. Raríssimas vezes é um tema de discussão entre as Custom, que procuram o prazer de se rodar em uma boa estrada sem pressa de chegar. Também não é exatamente uma preocupação para as motos de trilha, uma vez que seu habitat não é adequado para se desenvolver altas velocidades.

No caso das todo-terreno, ou “Big Trail”, a velocidade final importa nas longas viagens em que se cruzam trechos mais isolados e que permitem uma esticada. Este também pode ser o caso de uma categoria mais atual, chamada “Crossover”, derivada de máquinas esportivas com apelo ao turismo. Falando nelas, claro que a resposta fica mais picante quando se trata das motos esportivas em um “track day” no autódromo. Potência máxima beirando os 200cv e velocidades muitas vezes superiores aos 300 km/h, encontramos em supermáquinas como H2R, HP4, ZX-14R, GSX-R, YZF-R1, S-1000RR, nas quais os limites são a coragem e a habilidade do piloto.

Na física, velocidade relaciona a variação da posição no espaço em relação ao tempo, ou seja, qual a distância percorrida por um corpo (ou uma moto) em um determinado intervalo temporal. Enquanto quilômetro por hora (km/h) é uma unidade física de velocidade equivalente à distância, em quilômetro, percorrida por um móvel (ou uma moto) no intervalo de tempo igual a uma hora.

A não ser que você tenha a feliz oportunidade de rodar em uma “autobahn” alemã (“bundesautobahn”), onde o motorista faz seu próprio limite de velocidade, exceder o limite permitido nas estradas tupiniquins vai acarretar em multa e pontos na carteira. Muitos pontos, podendo fazer com que o motociclista perca a habilitação. Hoje em dia, a arrecadação anual com as multas de trânsito em metrópoles como São Paulo ultrapassa R$ 2 bilhões. Porém, pesquisas indicam que 95% do dinheiro arrecadado é reinvestido na fiscalização e menos de 1% destina-se à educação, garantindo mais arrecadação aos cofres públicos.

Isso explica porque as vias se encontram tão bem sinalizadas: 30 km/h, 50 km/h, e assim por diante. Enquanto os alemães rejeitam a imposição de limites de velocidade em suas autoestradas, afirmando que “há mecanismos de controle mais inteligentes que um limite de velocidade geral”, os motociclistas brasileiros se limitam a rodar emparelhados aos demais veículos maiores sujeitos a “pontos cegos” e outros riscos. Afinal, com base no Código de Trânsito Brasileiro, Artigo 29, IV: “Quando uma pista de rolamento comportar várias faixas de circulação no mesmo sentido, são as da direita destinadas ao deslocamento dos veículos mais lentos e de maior porte, quando não houver faixa especial a eles destinada, e as da esquerda, destinadas à ultrapassagem e ao deslocamento dos veículos de maior velocidade”. Mas, na prática, apesar de mais rápidas e menores, as motos devem se manter na mesma velocidade que os demais veículos, sujeitas a riscos e multas sempre que precisam se esquivar de uma fechada, nos pontos cegos.

Quando ouvimos “corrida”, logo pensamos em velocidades extremas e altas emoções associadas ao risco de se pilotar na pista. Mas uma das experiências mais interessantes vivida no BMW Motorrad Days, em Campos do Jordão, foi ter sido vice-campeão da corrida de tartaruga! Antes que o leitor comece a comparar o colunista da Moto Adventure com um dos personagens da fábula “O Coelho e a Tartaruga”, de Esopo, deixe-me esclarecer o objetivo dessa corrida.

Controle da máquina e equilíbrio na quase inércia auxiliam a aprimorar a pilotagem ao longo do “circuito” de cerca de cinquenta metros na terra, aonde o vencedor é o último a cruzar a linha de chegada sem encostar o pé no chão. Durante essa prova de paciência, os pilotos participantes vão sendo lentamente desclassificados ao desequilibrarem tentando manter a moto a zero por hora, ou simplesmente abandonam o desafio no meio do caminho, acelerando. Moral da história: Em equilíbrio, se vai ao longe!

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