Da Costa Leste para a Costa Oeste com o Jubail Rides e o BMW OWNERS Group

POR CLAUDIA TERRA

FOTOS E VÍDEO: ALI ALMUTAWA E KHALID AHMED

Sete motociclistas com diferentes níveis técnicos e estilos de motos variados partem em uma aventura de 9 dias pela região da Arábia Saudita. Lá, existe um grande número de motociclistas, incluindo, membros do HOG e outros moto grupos (veja matéria aqui). Foram 5.000 km rodados por desertos quentes e montanhas frescas, partindo de Jubail, passando pelas cidades de Dammam, Riyadh,Thaief, Al bahah, Abha, Jazan, além  de muitas aldeias  pela  região. 

Ali Almutawa diz: “Somos 7 motociclistas da Arábia Saudita, Khalid Ahmad, Talal Alzahrani  Jubail 966, Easa Alhussain, Hussain Alahmad, dodos somos membros do  moto grupo virtual Rides Jubail, além  de Al-lahaidah, também Jubail Rides e diretor do  BMW Owners Group da província oriental da Arábia Saudita; e Ayman Alshamrani  outro membro do BMW Owners Group. Somos motociclistas com vários níveis técnicos, principalmente os novos pilotos. O Aymen rodou por apenas 6 meses, Hussain andou por 9 meses, Easa é motociclista há 2 anos, e essa foi sua segunda viagem ao sul da Arábia Saudita.  Abdullah e Talal andam há alguns anos e eu ando desde o ano 2000”.

“Iniciamos a viagem no feriado do Ramadã, um festival com a família e amigos na Arábia Saudita. Eu usei a minha KTM 1290 Super Adventure T, de 2015, o Abdullah foi com sua BMW K1600 GT, Khalid com a Suzuki Boulevard 1500cc, de 2016, Talal  usou a Suzuki Hayabusa GSX-R 1300cc, Ayman com a BMW GS 1200, Easa com a Kawasaki 1000 Versys e  Hussain com a Cross Country da Victoria Motorclycle. Foi uma boa mistura de motos eu um veículo de apoio, o que tornou a viagem muito mais divertida.  A irmandade motociclística transcende qualquer tipo de modelo”, explica Ali.

A aventura teve início em 05 de junho, partindo de Jubail seguindo para Riyadh, Thaief, Al Bahah, Abha, Jazan. O retorno da viagem passou pela mesma rota de início. Durante a viagem eles também rodaram à noite por 1.500 km, com a temperatura variando de 25 a 12 graus, e durante o dia podendo a temperatura chegar a até 50c. Uma aventura com momentos de chuva e outros com belas noites, com pernoites em hotéis e acampamentos. Passaram por chuva com granizo e até alagamentos em alguns trechos e estradas, formados pelo excesso de água das chuvas das montanhas, que surpreenderam os aventureiros. 

As paisagens, apesar de terem predominância de desertos no país, eram diferentes, com natureza verde e montanhas em algumas cidades da rota. “Altaief está a 2.000 metros acima do nível do mar. Al Bahah fica a de cerca de 2.500 metros acima do nível do mar, é mais frio, em seguida, seguidas temos Altaief. Choveu diariamente. As montanhas estavam cobertas de vegetação, que é muito diferente dos desertos do leste e do meio da Arábia Saudita. Abha é cerca de 2.800 metros acima do nível do mar, foi a área mais legal. Muitos parques nacionais e muitas estradas sinuosas. Nos últimos 3 anos o número de motociclistas nessa área está aumentando. A região  é visitada por motociclistas de todo o Oriente Médio. O trecho mais bonito da viagem foi na estrada entre Al Bahah e Abha”, diz Ali.

Estes motociclistas foram muito bem recepcionados em todas as cidades pelas quais passaram, a união e carinho dos outros bikers sempre foi uma alegria especial durante a viagem: “A verdade é que, em todos os lugares que estivemos fomos bem recebidos pelos habitantes locais. Os sauditas são uma nação muito hospitaleira e generosa. Durante a viagem e em todas as cidades, visitamos vários grupos de motociclistas que nos convidaram e nos receberam, e até mesmo pilotos individuais nos ajudaram bastante. Não aceitamos muitos dos convites porque tínhamos um cronograma para a viagem. Em Altaief, aceitamos o convite para o café da manhã de nosso colega Sr. Abdulrahman Alsharif. Em Al Bahah, almoçamos com nossos companheiros motociclistas, Soughour Al bahah (Al bahah Howks). Em Abha, aceitamos o convite para o jantar com nossos companheiros de viagem e com o grupo Aseer United MC. Sentimos que estávamos entre os irmãos com todos eles”.

“Abha está a cerca de 2.800 metros acima do nível do mar, foi a área mais legal. Muitos parques nacionais e muitas estradas sinuosas. Nós fomos a uma queda d’água, a uma barragem de água, visitamos vilas históricas e ruínas. Foi um passeio muito legal”, explica Ali.

Ali Almutawa faz viagens longas desde o ano 2.000 pelo seu país e já fez vários passeios para os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Catar, Omã e Jordânia. Ele criou o grupo Jubail Rides em 2017, e atualmente tem 153 membros que sempre estão se reunindo, rodando e organizando grandes jornadas. Ali é motociclista e engenheiro, tem a própria empresa em Jubail, cidade industrial, uma região pequena e bela, planejada, fundada em 1.975, localizada a 400 km a oeste de Riyadh, capital do país, e a 300 km ao sul do Kuwait. Ali e o amigo Abdullah Al-lahaidah tiveram a ideia de realizar esta viagem de 10 dias para descobrir as belezas do país. Ele soma, aproximadamente, 200 mil km em viagens realizadas. 

Seu grande sonho é que todos os motoristas na estrada respeitem os motociclistas e cuidem um do outro. “Eu sonho com o dia em que todos os pilotos tratem uns aos outros como irmãos e irmãs, independentemente da marca ou do tipo de motocicleta, independentemente de cor, sexo, etnia ou nacionalidade”, diz Ali.

Ele conta que desejava ser motociclista desde os seus 16 anos, mas um garoto, seu vizinho, teve um acidente com um triciclo e sua mãe o fez prometer que ele jamais andaria de moto. Um longo tempo depois, em 2000, ele conseguiu se tornar um motociclista, um sonho realizado e vivido com entusiasmo agora. Outros sonhos que deseja realizar é viajar o mundo em sua moto e fazer novos amigos ao redor do planeta, inclusive pretende visitar o Brasil em breve. 

Khalid Ahmed, cartunista e motociclista de Jubail, fala da sua experiência nesta jornada pela Arábia. “A ventura pela Arábia teve passagens por belezas naturais e algumas construções, como a passagem pelo túnel com luzes azuis que dá um visual muito legal. Foram 24 túneis na rota, museus, vila histórica e muitas pessoas receptivas e simpáticas ao longo da viagem. A estrada de Taif para Al Bahah passamos por alguns túneis e pelas melhores estradas nesta viagem. Passamos por um túnel com LEDs azuis que criavam belos efeitos. Isto foi um pouco hipnotizante e eu tive que me lembrar, mais de uma vez, de focar na estrada! Eu também gostei de visitar um museu em Tamniah, onde vi algumas antiguidades, incluindo algumas das primeiras motos importadas para o país”.

“O outro destaque da viagem pelas montanhas de Al Bahah, seguindo para uma aldeia histórica chamada ‘Thee Ain’. Estrada com 35/40 km de curvas e a uma altitude de 2.300 metros até as planícies de Tihamah. Descendo, você pode sentir o aumento da temperatura a cada quilômetro. Havia chuva e nevoeiros à medida que nos aproximamos do topo. Al Bahah tinha as melhores paisagens, clima e estradas. Talvez por ser menos populosa. Mais uma coisa sobre Al Bahah e que agradavelmente me surpreendeu, foi que choveu por três dias seguidos, aproximadamente na mesma hora todos os dias, por volta das 13 horas. A única coisa que foi uniforme ao longo do percurso foi a bondade e generosidade das pessoas que conhecemos e que insistiram, em muitas ocasiões, em nos convidar para suas casas. Especialmente em cidades rurais, no meio do deserto, como Albijadyah e Afif”.

“Eu fiz alguns passeios para as regiões central e oriental do país. A região sul (Al Bahah e Abha) é única no clima, relevo e cultura. A cadeia de montanhas Hijaz atravessa a região, desertos próximos da região leste e o Mar Vermelho a oeste. Todos nós tivemos o prazer de conhecer muitas pessoas ao longo do caminho. Nós também conhecemos motociclistas locais em Al Bahah e Abha. E, como sempre, nos conectamos instantaneamente, como velhos amigos”.

“Minha conexão com o motociclismo foi amor à primeira vista. Você pode ver isso nos olhos de todas as crianças quando elas veem uma motocicleta pela primeira vez. O primeiro encontro foi quando eu tinha seis anos de idade. O meu tio costumava viajar diariamente em uma Yamaha de 125 cc, de 1.970. Eu soube, então, o que meu corpo e alma estavam faltando: Precisava de uma motocicleta! Minha moto atual é um Suzuki Boulevard C90T BOSS, de 1500cc, 2016. Meu maior sonho, além de entender minhas próprias complexidades, é continuar aprendendo coisas novas sobre as pessoas e o mundo, e viajar de moto pelo maior tempo possível. Eu sei que o Brasil é um dos melhores lugares para se viajar de motocicleta no mundo. Eu li e vi em vídeo sobre fantásticos passeios a lugares como o Rio de Janeiro, as magníficas Cataratas do Iguaçu e a Serra do Rio do Rastro. Também gostei de assistir alguns vídeos sobre convenções de motos no Brasil e alguns eventos bikers do país. O Brasil está no topo da minha lista de destinos para visitar e viajar”, conclui Khalid Ahmed.

A Arábia Saudita é uma opção fascinante para quem deseja se aventurar por desertos e montanhas verdes e culturas diferentes em cada região. A primavera e outono são as melhores estações para se viajar de moto pelo país. A rota desta jornada é uma ótima região para se conhecer a bordo de uma moto. É uma região que tem recebido um grande número de motociclistas de todo o Oriente Médio e, possivelmente, de outros continentes.

E aqui no Brasil estamos prontos para receber motociclistas de todos os continentes com nossa alegria. Todos são bem-vindos. Somos todos fascinados pela aventura e liberdade em duas rodas. Paz e amor sempre!

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*Cláudia Terra é jornalista, motociclista e amante do universo Harley-Davidson. Para segui-la, acesse o blog:

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