“Moto Adventure” encarou um “tour” pelas estradas de um país a se descobrir: o Canadá, onde a natureza e o desenvolvimento coexistem em perfeita harmonia

Texto: Vera Miranda
Fotos: By Barros

Foram 12 dias inesquecíveis de boas estradas, paisagens lúdicas e excelente companhia… A revista “Moto Adventure” e a agência Melbourne Tour puseram o pé na estrada mais uma vez – e em grande estilo: agora, em uma aventura por terras canadenses que mobilizou 51 pessoas e 28 motos. Em 2.850 km percorridos, a satisfação foi total – e o entusiasmo se renovava a cada curva, não só pela beleza dos panoramas que avistávamos, mas pelo alto profissionalismo da Melbourne, que preparou um roteiro impecável.

Enquanto explorávamos o lado oeste do Canadá, fortificavam-se os elos de amizade entre os viajantes: houve tempo até para celebrar os aniversários de três companheiros queridos: Pedro Fiuka (de São Paulo – SP), Luis Roberto Santana (do Rio de Janeiro – RJ) e Elisabete Ferreira (de Caraguá – SP). Obviamente, eles eram os principais homenageados – mas todos fomos contemplados com um presente especial: a satisfação de estrearmos em uma rota inédita para nós (e que, certamente, apetecerá a outros moto-turistas!).

SEATTLE

A diversão começou em Seattle (Washington, EUA), cidade embrenhada nas cordilheiras Olympic, Cascade e Monte Rainier. A região faz fronteira com o Canadá e tem, como uma de suas fontes de renda, o turismo. Algo que não chega a surpreender, considerando sua proximidade de parques naturais, suas amplas e arborizadas avenidas e seus belos prédios comerciais de linhas arrojadas. Como se não bastasse, Seattle ainda oferece programas variados. Lembre-se: ali surgiu o movimento “Grunge”, capitaneado por bandas icônicas das últimas décadas (Pearl Jam, Nirvana, Alice in Chains, Soudgarden – a lista é imensa!).

Cidade natal de Jimi Hendrix, Seattle também é o cenário de séries famosas, como “Grey’s Anatomy” e “Frasier”. E sede da badalada rede de cafeterias “Starbucks” (isto explica porque há uma filial em cada esquina!). Minha impressão do lugar foi a melhor possível – tanto que Seattle, agora, figura em meu “hall” de cidades prediletas dos EUA. Amei sua atmosfera cosmopolita, assim como seus ótimos restaurantes, hotéis e lojas.

A principal atração local é a torre Space Needle, construída em 1962 e que proporciona uma estonteante vista de 360 graus da cidade. Subimos por um elevador panorâmico (o ascensorista faz um relato cronometrado sobre o histórico da torre) que nos leva a um terraço panorâmico – provido de um mirante fechado e outro ao ar-livre, É possível almoçar ali enquanto se admira a paisagem vertiginosa (e por um preço justo).

Já o Monorail é um trenzinho que faz a conexão expressa entre a base da torre e o centro da cidade (o destino final é o terceiro andar de uma das melhores galerias de Seattle). O percurso total, de 2 km, é feito em cinco minutos. E se você quiser conhecer uma boa variedade de lojas de frutas, artesanatos e hortaliças, a dica é se dirigir ao Pike Place Market (a propósito, o mercado público mais antigo do país). Seus estabelecimentos distribuem-se em vários níveis abaixo do principal.

Outros preferem conhecer Seattle de modo menos convencional, ou seja: passeando a bordo do “Ride The Ducks”, híbrido de ônibus e barco. Seu “motorista” percorre vários pontos interessantes e os descreve dramaticamente, apelando para a música e a dança. No grand finale, o carro-barco adentra o Lago União e flutua por suas águas, oferecendo outra visão da cidade. É um passeio divertidíssimo, por US$ 25.

Ficamos apenas dois dias em Seattle – assim, faltou tempo para conhecermos melhor outros lugares interessantes, como o Museu de Aviação (que reúne aeronaves antiquíssimas e outras bem contemporâneas), o bairro-ícone do movimento Grunge (Fremont), a estrada I 5, o Capitol Hill e outros destinos que, certamente, visitaremos em futuras reedições deste “tour”. Também faltou explorar as peculiaridades da Pioneer Square – conjunto de quinze quadras destruído por um incêndio em 1889, e que foi reconstruído a partir do projeto original, dada sua importância histórica. Em nossa próxima incursão à cidade-sede da Microsoft, não tenha dúvida: vamos conferir todas essas atrações “in loco”!

VANCOUVER

Deixamos Seattle e iniciamos oficialmente nossa grande aventura pelas estradas canadenses. O destino, agora, era Vancouver, cidade do oeste canadense que disputa com Quebec o título de localidade mais bela do país. Nossa passagem pela alfândega foi tranquila – afinal, todos estávamos devidamente munidos de vistos, obrigatórios para quem tem passaporte brasileiro.

A curiosidade sobre Vancouver é que a cidade se diferencia marcantemente de suas similares no lado leste do país. São dignas de nota suas praias sem ondas e montanhas encimadas por neve, assim como alguns pontos turísticos cativantes, como a ponte Lions Gate e o Stanley Park. A população local deriva de várias partes do mundo (há uma predominância de asiáticos e o Chinês é o idioma mais falado depois do Inglês). Alegre e hospitaleira, Vancouver é uma localidade segura e já foi reconhecida como uma das melhores cidades do mundo para se viver. O único demérito, em minha opinião, é a grande quantidade de moradores de rua – jovens em sua maioria e aparentando estar bêbados ou drogados. Definitivamente, não combina com a cidade.

Nosso hotel ficava no centro e pudemos percorrer boa parte da região a pé – o que foi muito conveniente, já que ali se concentra o agito dos shopping-centers e da famosa Burrard Street, com seu comércio sofisticado e elegante. Se sua passagem por Vancouver for breve, a dica é ir direto ao que a cidade tem a oferecer de melhor – por exemplo, a boa comida do Top of Revolving Restaurant, que fica no último andar do edifício Harbour Centre (centro de Vancouver). Ali você terá uma visão privilegiada da cidade (em 360 graus) enquanto desfruta de um bom vinho e de um cardápio especial.

A cidade oferece, também, vários ônibus e trenzinhos que a percorrem. Alguns, com direito a passe válido para dois dias. Entretanto, este é um passeio que deve ser feito com calma: perde-se muito tempo desembarcando nos pontos principais – e outro tempo precioso tentando embarcar novamente. Se estiver de passagem, escolha um procedimento turístico mais dinâmico.

O “Stanley Park” é o maior parque da cidade e tem vista para o mar, além de bosques, florestas, trilhas e animais que encantam os visitantes. Uma pista com 10 km circunda o parque, para que seu entorno possa ser feito a pé (o percurso dura uma hora), de bicicleta ou em patins alugados. A coexistência de lugares assim com outros urbanizados mostra um claro equilíbrio entre civilização e natureza na aprazível Vancouver.

WHISTLER

Partimos de Vancouver para Kelowna, onde passaríamos uma noite. Uma vez em nosso destino, jantamos em restaurante superaconchegante ao lado do hotel. Nos deliciamos degustando cerejas em um festival que, na ocasião, acontecia na cidade.

Mudando de estado, adentramos Alberta – onde permaneceríamos dois dias em Banff e um dia em Jasper (onde estão os dois maiores parques canadenses). Apesar de ser uma cidadezinha, Banff é sempre divertida: ali podemos esquiar, nos dedicar a escaladas ou simplesmente apreciar lindas paisagens. A localidade está encravada no coração do Parque Nacional de Banff (declarado pela UNESCO um patrimônio da Humanidade). Trata-se de um verdadeiro “parque de diversões” para turistas. Não por acaso, estes costumam lotar a cidade (atraídos, também, por sua animada vida noturna).

A 57 km de Banff fica o Lake Louise – basicamente, uma aldeia em um pequeno vale glacial, guarnecido com um lago cristalino e esmeralda (por conta da água vertida das montanhas rochosas e geladas que o circundam). O lugar é uma verdadeira pintura! Seu nome é uma menção à Princesa Louise Carolina Alberta (1848-1939), quarta filha da Rainha Victoria (esposa de Sir John Campbell, Governador Geral do Canadá entre 1878 e 1883). O turista terá uma vista privilegiada da região se hospedar-se no famoso Fairmont Chateau Lake Louise, requisitadíssimo para eventos especiais e onde, por coincidência, realizava-se um casamento, justamente quando passávamos por ali

Inebriados pela visão de tão belos lagos e montanhas, fizemos uma paradinha estratégica no Columbia Icefield, onde embarcamos em um dos Explorers especiais que andam no gelo. Durante o passeio, um experiente “motorista-guia” nos contou a história dos glaciares. O mais acessível e visitado é o Athabasca, com 6 km e que alimenta três rios do Estado de Alberta.

Seguindo por uma paisagem de rios, montanhas e cânions, saímos de Kamloops (a segunda maior cidade ao sul da Columbia Britânica; a primeira é Kelownae) e fomos rumo a Whistler, onde ficaríamos por dois dias.

A cidadezinha de Whistler é um refúgio encantador (está 125 km ao norte de Vancouver), com temperatura bastante agradável. Por estar a 777 metros do nível do mar, ameniza consideravelmente a falta de ar comumente notada em regiões altas. De fato, tornou-se um “resort” de verão, por sua infraestrutura privilegiada (oferece excelentes hotéis e restaurantes luxuosos, além de agências especializadas em turismo esportivo que exploram seu potencial aventureiro). No entanto, se você preferir simplesmente relaxar, Whistler também é o lugar ideal: nada melhor que “jogar conversa fora” com os amigos nos simpáticos barzinhos locais ou consumir nas muitas lojinhas espalhadas pela rua principal; ou – na falta de programa mais elaborado –, simplesmente sentar-se em um assento público e ficar curtindo o movimento.

Por se situar na base das duas montanhas mais altas da América do Norte (Whistler e Blackcomb), a localidade também é visitada por muitos adeptos do esqui, em suas mais diferentes modalidades. Para facilitar a vida desses turistas, é equipada com um sistema de gôndolas (são 33, no total) que servem aos visitantes.

ILHA DE VICTORIA

A aventura seguinte foi embarcar as motos em uma “ferry” (que mais parecia um navio de cruzeiro!) e seguir para a Ilha de Victoria, capital da Columbia Britânica e situada na Ilha de Vancouver. A travessia consome duas horas e percorre diversas ilhas e canais. Nas ilhas, são atrativos à parte as ostensivas residências de luxo, devidamente “equipadas” com iates.

A Ilha de Victoria também oferece um generoso pacote de atrações – e a vantagem é que todas podem ser visitadas a pé. Aconchegante, a região lembra uma cidade inglesa, pois sua arquitetura sofreu a forte influência dos colonizadores britânicos. Devo destacar o Butchart Gadens, jardim de 55 hectares criado em meados de 1904. O lugar foi um presente de Robert Butchart à sua esposa, Jennie, e até hoje é administrado por aquela família. O lugar está sempre muito bem-cuidado e à espera dos visitantes, o que o levou a ser aclamado internacionalmente.

Outra região charmosa da cidade é o Porto Inner Harbur, onde as curiosidades são as lojas, os restaurantes e o Castelo Craigdarroch, construído em 1890 para o “Barão do Carvão”, Robert Dunsmuir (falecido um ano antes de a obra ser concluída). Com 39 quartos, quatro andares e um mobiliário de época, o pitoresco lugar está aberto à visitação pública.

A passagem pela alfândega, antes de nosso retorno a Seattle pela “ferry”, foi muito tranquila – entretanto, como estávamos em um grupo grande, os trâmites foram feitos em dois horários diferentes. Antes que a viagem fosse concluída, olhei para o céu em um silencioso agradecimento: durante todo o nosso “tour”, não pegamos uma gota de chuva sequer pelo caminho! E olhe que as previsões diziam exatamente o contrário quando deixamos o Brasil…

Parece que a sorte protege mesmo os viajantes!

AGRADECIMENTOS

À Melbourne Tour Operator (www.mbtour.com);

tel.: (11) 3082-6613.

E a todos os pilotos e garupas que participaram deste fabuloso grupo-família, em especial aos A.A. e F.F.! (Rsrs)

*Matéria publicada na edição #118 da revista Moto Adventure.

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